A Igreja no Mundo
|
IRLANDA: 27/11/2009 Abusos aconteceram em instituições da Igreja Católica Um inquérito realizado na Irlanda revelou que 1090 crianças alegam ter sofrido agressões em abrigos infantis, reformatórios e orfanatos católicos do país ao longo de 60 anos e que, em instituições para meninos, o abuso sexual foi "endêmico" no período. Segundo a Comissão de Inquérito sobre Abuso Infantil, os menores sofreram violência física e abuso sexual em locais que chegaram a abrigar cerca de 35 mil crianças até os anos 80. O relatório, que aborda a situação de mais de cem instituições religiosas investigadas ao longo dos últimos nove anos, concluiu que os líderes da Igreja sabiam sobre os abusos sexuais de meninos. Além disso, segundo os depoimentos citados no documento, meninos e meninas das instituições apanhavam com tiras de couro por conversar durante as refeições ou por escreverem com a mão esquerda. "As escolas eram administradas de forma severa, impondo uma disciplina opressiva e não razoável às crianças e funcionários", diz o relatório. A comissão foi criada em 2000 pelo então primeiro-ministro irlandês Bertie Ahern, que pediu desculpas em nome do Estado às vítimas de abuso infantil. Um esquema de compensações do governo também foi estabelecido na época e, desde então, já pagou quase 1 bilhão de euros às vítimas. Abusos "chocantes" Milhares de vítimas prestaram depoimento à comissão, que surgiu depois que uma série televisiva revelou a escala dos abusos. A jornalista Mary Raftery, que realizou os programas, disse que a extensão dos abusos era "profundamente chocante". Segundo a jornalista, as crianças eram levadas para "casas de terror" e ficavam confinadas até completarem 16 anos. "Elas saíam de lá completamente perturbadas e muitas deixaram o país em seguida", conta. "Elas sentiam que seu país as havia abandonado, assim como todo o resto, inclusive a religião." O relatório propõe 21 formas de o governo se redimir dos erros cometidos no passado, incluindo a construção de um memorial, um serviço de acompanhamento psicológico para as vítimas, muitas já aos 50 anos, e a melhoria dos serviços de proteção à criança na Irlanda. No mês que vem será divulgado um outro relatório sobre supostos abusos de padres católicos em paróquias perto de Dublin, capital da Irlanda. Relatório diz que Igreja Católica escondeu abuso de menores na Irlanda Um relatório divulgado nesta quinta-feira pelo Ministério da Justiça da Irlanda acusa autoridades da Igreja Católica do país de acobertarem casos de abusos de crianças cometidos por sacerdotes entre os anos de 1975 e 2004. O documento traz os resultados de investigações sobre como autoridades irlandesas e da Igreja lidaram com denúncias de abuso sexual contra 320 menores cometidas por 46 padres da arquidiocese de Dublin, 11 dos quais já foram condenados. Nesta “amostra representativa” investigada, as denúncias de abusos contra meninos representam quase o dobro das denúncias cujas vítimas são meninas. Segundo o relatório, ao lidar com estes casos, as autoridades eclesiásticas priorizaram a proteção da reputação da Igreja e não a proteção das vítimas. “A preocupação principal da arquidiocese de Dublin ao lidar com os casos de abuso sexual de crianças, pelo menos até meados dos anos 1990, era a manutenção do segredo, a busca de se evitar o escândalo, a proteção da reputação da Igreja e de seus bens”, diz o documento. Abusos Para os autores da investigação, os líderes da arquidiocese estavam mais preocupados em evitar que os casos fossem a público do que em impedir que os responsáveis pelos crimes cometessem novos abusos. Assim, no lugar de serem denunciados à polícia, os sacerdotes acusados costumavam ser transferidos de paróquias. De acordo com o relatório, a arquidiocese “fez de tudo para evitar a aplicação da legislação” nestes casos. Além disso, quatro arcebispos, três dos quais já morreram, são acusados de não entregar informações sobre os suspeitos às autoridades. O documento afirma ainda que as autoridades irlandesas facilitaram o acobertamento dos casos ao permitir que a Igreja operasse acima da lei. Segundo os autores, foram registrados casos em que policiais reportaram denúncias de abusos contra padres às autoridades da Igreja no lugar de investigarem as acusações. “Vergonha” O ministro da Justiça da Irlanda, Dermot Ahern, cuja pasta foi responsável pelo relatório, afirmou que as informações contidas no documento são “um escândalo de grande escala” que mostram “que o bem-estar das crianças não valia nada”. Ele prometeu levar à Justiça os responsáveis pelos abusos, não importando quando tempo tenha se passado desde os crimes. Após a divulgação do relatório, o atual arcebispo de Dublin, Diarmuid Martin, afirmou que “nenhum pedido de desculpas seria suficiente” e afirmou sentir “vergonha e tristeza com o que ocorreu”. A publicação do documento acontece seis meses depois da publicação do chamado relatório Ryan, que continha denúncias de abusos físicos e psicológicos contra quase duas mil pessoas em instituições católicas na Irlanda. PIME-Net
© 2009 PIME-Net |
|||||||||
Visite as outras páginas
[P.I.M.E.] [MUNDO e MISSÃO] [MISSÃO JOVEM] [P.I.M.E. - Missio] [Noticias] [Seminários] [Animação] [Biblioteca] [Links]