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EUROPA: 27/10/2009
Islã
Cinco motivos para não ter medo do Islã

As notícias, veiculadas pela imprensa, de acontecimentos violentos nos países islâmico têm suscitado preocupação no mundo ocidental, onde a presença islâmica está aumentando cada vez mais. Publicamos algumas respostas do card. Martini, Arcebispo emérito de Milão, a cartas que lhe foram enviadas manifestando temores a esse respeito. Eminência, é um assunto muito delicado...muçulmanos e cristãos! Imagino que V. Excia., como o Papa, tenhais lido o Alcorão pelo menos uma vez.

Conhecendo o conteúdo, conheceis também a  periculosidade. Por que continuamos a permitir que se construam mesquitas? Que se façam pregações em arabe?  V. Excia. Sabe que no Egito e em outros países árabes não é permitido que se toquem os sinos das igrejas? Eles irão proibir isso também em nossos países, como fizeram quando pediram que se tirassem  os crucifixos  das escolas... estamos em perigo e a Igreja não faz nada... Aonde está indo a cristandade? Esta caindo num inferno que se chama Islã.

Nicoletta Soffiati  -  Milão Parece-me que todos, especialmente jornalistas e políticos, estejam se escondendo. Ninguém tem a coragem de dizer como realmente as coisas estão.  Acho que não se trata só de um problema que envolve a religião, mas o fato que entre nós a religião não é lei do Estado, e cada um de nós constrói para si uma religião particular, de acordo com suas exigências (e assim faz o Estado também), enquanto os povos muçulmanos  têm a religião como lei do Estado. Este é o problema. Diga-me se estou errado.

Leopoldo Aggujaro
Cittadella  (Padova)

Desde o início desta correspondência recebi não poucas cartas sobre este tema:

- o Islã (poderíamos dizer também "o medo do Islã").

Queria em primeiro lugar apresentar algumas considerações gerais, para focalizar o problema.

1.º Quero distinguir entre uma religião em abstrato (com todas suas crenças, normas, tradições ) e o modo concreto com que uma religião é vivida. Essa segunda realidade é decisiva para cada um de nós. Os fundamentalistas partem de uma religião não vivida, mas pensada.

2.º Conheço não poucas pessoas de religião islâmica que sinceramente buscam a Deus e que, chegando entre nós, não pedem outra coisa a não ser encontrar um pouco de trabalho e de progredir na sociedade, pensando em primeiro lugar na própria família.  Eles vivem aqueles valores que o Concílio Vaticano II reconheceu ao Islã (Documento  Sobre as relações da Igreja com as religiões não cristãs, n.º 3), como a adoração do único Deus, misericordioso e compassivo, e a submissão a Ele.

3.º Os fundamentalistas ( que existem praticamente em todo lugar) exigem uma aplicação estrita da lei corânica na sociedade civil, não distinguindo a religião da sociedade. Naturalmente eles gostariam de aplicar isso na Europa também.

4.º Pede-se portanto ao Ocidente que exerça um discernimento para desmascarar os extremistas e fazer entender  que não há lugar numa sociedade que quer ser democrática e pluralista para eles.Isso exige que acreditemos nesses valores e os vivamos seriamente. Toda irresponsabilidade do nosso mundo ocidental é um favor feito aos fundamentalistas.

5.º De qualquer maneira tem que ser frisado que não há somente um Islã, mas que nele existem várias correntes e obediências. Os extremistas representamm somente uma voz entre as muitas, mesmo que hoje seja a mais forte e, justamente, incuta mais timor. Não li o Alcorão por inteiro, só algumas partes do mesmo. Contudo, levantei informações com pessoas competentes, tanto na Europa como nos Países  Árabes. Seria bonito conseguir a reciprocidade em tudo, isto é, que mesmo nesses Países se concedesse plena liberdade religiosa. 

É preciso continuar lembrando essa nossa exigência,  mas a falta de reciprocidade não é um motivo para negar aos que vêm entre nos os direitos  que nós admitimos para todos. É preciso que se exija deles também a plena observância das nossas regras e o respeito para os nossos valores. Devemos acreditar na democracia e agir de acordo. É verdade que o diálogo com o Islã não é fácil, também porque, faltando uma autoridade central, não se pode saber quem o represente de uma maneira adequada.

Contudo esse diálogo continua importante, mesmo em nível religioso. Não é uma traição a Jesus Cristo, mas uma obediência a sua vontade. Por isso, os Papas se empenharam muito para que progredisse. Teremos não um inferno na terra, mas certamente muitas dificuldades se mantivermos os imigrados islâmicos num gueto, criando assim as premissas para acontecimentos  violentos.

assinat_25

Corriere Della Sera
25/10/2009




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