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ETIÓPIA: 27/04/2009
Igreja Missionária
O Card. Massaja e a florescente estação das missões
católicas
Em 1846, o missionário Capuchinho Guglielmo Massaja
– cujo bicentenário de nascimento é comemorado este
ano – foi consagrado Bispo e nomeado primeiro Vigário Apostólico
de Galla, no Sul da Etiópia. Graças à extraordinária
epopéia missionária de Massaja, que durou 35 anos e marcada
pela realização de obras sanitárias e sociais fundamentais,
as missões católicas na antiga terra de Cus conheceram uma
estação florescente, que levou ao surgimento do clero local
e inspirou missionários como Daniele Comboni, Francesco Jordan
e Giuseppe Allamano.
“Com a sua sensibilidade de homem de fé
– disse à Agência Fides Franco Salvadores, Presidente
da Sociedade Geográfica Italiana e do Comitê para o Bicentenário
do Cardeal Massaja – o religioso franciscano chamou a atenção
para a diversidade cultural como uma riqueza e atuou em harmonia com as
múltiplas identidades africanas. A lembrança de Massaja
ainda hoje está muito viva entre os habitantes, com afeto e veneração”.
Antes da ereção e do Vicariato de Galla, alguns missionários
católicos haviam tentado entrar na Etiópia encontrando sérias
dificuldades.
No início do século XVII, um edito de proscrição
atingiu os missionários Jesuítas e por mais de um século
somente os Franciscanos continuaram a atuar na região, encontrando
o martírio em 1683. Depois de outras iniciativas sem êxito
do Cardeal Richelieu e de Luis XIV, a França entrou na Etiópia
em 1837, graças aos dois exploradores Antonio e Arnaldo d'Abbadie,
que relataram detalhadamente à Propaganda Fide suplicando o envio
de missionários. Em 1839, a Santa Sé instituiu a Prefeitura
Apostólica da Abissínia, confiada a Lazzarista Giustino
De Jacobis (canonizado por Paulo VI em 1975).
Assim em 1846, o território foi dividido em 3
circunscrições incluindo o Vicariato Apostólico de
Galla (confiado a dom Guglielmo Massaja) e o Vicariato Apostólico
do Sudão ou República Centro-africana (confiado em 1877
a dom Daniele Comboni). A ocupação italiana da Etiópia
em 1935 determinou uma completa reorganização das circunscrições
eclesiásticas. O Vicariato de Galla foi dividido nos Vicariatos
de Harrar (confiados aos Capuchinhos) e Gimma (aos Missionários
da Consolata) e em numerosas outras Prefeituras e Delegações
Apostólicas. Em 1941, com a volta do imperador Haile Sellassie,
todos os missionários italianos foram expulsos do país.
Para assistir as populações católicas
foi chamado de Asmara o primeiro Bispo eritreu, dom Kidanemariam Kassa,
que com a ajuda dos sacerdotes locais assegurou a vida pastoral daquele
que havia sido o antigo Vicariato de Massaja. No início dos anos
Cinquenta a Santa Sé iniciou uma sistemática reorganização
dos territórios eclesiásticos da Etiópia a partir
do qual surgem duas grandes regiões. Uma no Norte, incluindo grande
parte do antigo Vicariato de De Jacobis, constituído pela Província
eclesiástica de rito oriental com a sede metropolitana em Addis
Abeba (1961).
A segunda no Sul, que inclui o território
de Massaja e articulado numa série de Vicariatos:
- Harrar (dirigido pelo Bispo Pasqual
Ghebreghiorghis), Soddo-Hosanna (confiado aos Capuchinhos), Awasa (Combonianos),
Neqemtie (Lazaristas), Meki (Missionários da Consolata).
Recentemente Emdibir foi erigida a Eparquia de rito oriental
e entregue ao Capuchinho eritreu dom Musie Gebreghiorghis. Nessa sede
está sendo realizada a última etapa do processo de Beatificação
de dom Massaja. A Agência Fides publicará proximamente um
Dossiê que percorre a vida, as viagens, o apostolado e o empenho
social do grande missionário.
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