A Igreja no Mundo
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DUBAI: 30/11/2009 Os temores que se seguiram ao pedido de moratória feito por Dubai provocaram quedas em bolsas de valores de todo o mundo pelo segundo dia consecutivo. Em Nova York, o índice Dow Jones iniciou suas operações nesta sexta-feira com queda de 1,97%, ou 206,09 pontos, enquanto o índice da bolsa eletrônica Nasdaq registrava recuo de 2,56%. Seguindo a tendência, em São Paulo o índice Bovespa operava em -0,21% por volta das 12h43, hora de Brasília. Mais cedo, os principais índices de Londres, Paris e Frankfurt abriram em baixa de mais de 1%, antes de indicarem uma leve recuperação. Na Ásia, o índice Nikkei da Bolsa de Tóquio fechou em baixa de 3,2%. O Hang Seng, da Bolsa de Hong Kong, fechou em queda de 4,8%. Os preços do petróleo também despencaram. Nos Estados Unidos, o preço do barril de petróleo caiu 4,5% para US$ 74,5. Em Londres, o preço do petróleo do tipo Brent caiu US$ 1,26 para US$ 75,73 o barril. Dubai World Os temores nos mercados foram detonados com a notícia, na quarta-feira, de que o conglomerado estatal Dubai World, responsável pela vasta expansão imobiliária do emirado, atrasará o pagamento de suas dívidas, avaliadas em US$ 58 bilhões – a maior parte da dívida do emirado, de US$ 80 bilhões. O conglomerado avisou credores que suspenderia o pagamento da dívida como primeiro passo para tentar reestruturar seus negócios. A ameaça do calote de Dubai sacudiu os mercados internacionais, que estavam ou ainda estão tentando se recuperar da crise global financeira iniciada com a crise de crédito do mercado imobiliário americano, em setembro de 2008. Os problemas de o emirado reacenderam temores de uma nova crise de crédito global - que poderia provocar uma queda na demanda global por várias commodities, entre elas o petróleo. Dubai, um dos sete emirados que compõem os Emirados Árabes Unidos, tem menos petróleo do que seus vizinhos. O emirado se tornou um importante polo turístico e comercial com ambições internacionais. Uma das subsidiárias da estatal Dubai World, a Nakheel, foi a construtoras de um badalado condomínio erguido sobre uma ilha artificial em forma de uma palmeira. Análise: - Dubai não é poderoso demais para se livrar do fracasso Stephanie Flanders - Editora de economia da BBC Dubai não é poderoso demais a ponto de estar livre do fracasso. Essa parece ser a mensagem do pedido surpresa da Dubai World - a empresa de investimentos estatal mais endividada do emirado árabe mais endividado - por um prazo de seis meses para pagar suas dívidas. Os mercados internacionais foram sacudidos pela notícia, talvez tanto pelo momento em que ela foi tomada quanto pela decisão em si (investidores dos Estados Unidos, com os mercados fechados pelo feriado de Ação de Graças, se sentem mais vulneráveis do que o restante). Mas se alguém tem muito dinheiro investido em Dubai, e conseguiu passar incólume pela história dramática de crescimento e bancarrota do emirado, esse foi verdadeiramente um grande choque. Colocando de maneira simples: - todo mundo no mercado financeiro pensava que, no fim, o governo federal em Abu Dhabi responderia por todas as apostas fracassadas de Dubai. Aparentemente, não é esse o caso Assim como tanta coisa que acontece em Dubai, ainda não sabemos de toda a história. E é possível que nunca saibamos. É até mesmo possível que o governo entre em pânico com a reação do mercado ao anúncio de quinta-feira, e descubra, magicamente, que podem responder pela montanhosa dívida de US$ 22 bilhões da Dubai World no fim das contas. Mas nesse momento, a única conclusão é que Abu Dhabi está disposto a deixar Dubai constrangido. Não é assim que o roteiro deveria ser cumprido. Dubai obteve US$ 10 bilhões do banco central dos Emirados Árabes Unidos como parte de um programa soberano de títulos da dívida de US$ 20 bilhões - na verdade, um programa de resgate federal. Quando estive em Dubai há duas semanas, havia muita especulação sobre quando os próximos US$ 10 bilhões chegariam, mas o xeque Mohammed garantia pessoalmente o resto do mundo de que tudo estava bem. Há apenas três dias, eles anunciaram que estavam no meio do caminho, com US$ 5 bilhões obtidos junto a bancos de Abu Dhabi estrategicamente situados. Mesmo sem os US$ 5 bilhões restantes, o valor deveria ser o suficiente para continuar a lidar com as dívidas da Dubai World. A grande conta que a Dubai World teria pela frente era o pagamento de US$ 4 bilhões em títulos da dívida para a Nakheel, a parte mais duramente atingida do império da Dubai World. Essa quantia ainda pode ser parcialmente paga - as autoridades não disseram que sim ou que não. Mas a indefinição deixa os investidores imaginando sobre o que eles não estão sendo informados - por que mesmo US$ 15 bilhões não foram suficientes para manter a companhia funcionando, e por que, quando chegou a hora, Abu Dhabi não mostrou o dinheiro. Como aprendemos várias vezes ao longo dos dois últimos anos, quando se trata de mercados, saber muito pouco é algo perigoso. Histeria com Dubai é exagerada, avaliam analistas em Frankfurt Marcelo Crescenti - De Frankfurt para a BBC Brasil A histeria causada pelo pedido de moratória da principal empresa estatal de Dubai - a Dubai World - é compreensível, mas não se justifica de todo, dizem analistas consultados pela BBC Brasil em Frankfurt, sede da segunda maior bolsa de valores da Europa. Folker Hellmeyer, economista-chefe do banco Bremer Landesbank, diz que os problemas da Dubai World, que constrói casas de luxo em uma península artificial, já eram conhecidos há tempos. "Os problemas atuais se referem à falta de liquidez momentânea de alguns megaprojetos, e não à confiança em geral na potência econômica dos emirados", afirma Hellmeyer. O analista Heino Ruland, da Ruland Research, diz que Dubai desencadeou as perdas, mas que não foi a única causa. Segundo ele, o mercado já estava nervoso antes. "Os investidores estão mais cautelosos e conscientes dos problemas de crédito na praça." Nervosismo O fato de que as bolsas nos Estados Unidos estiveram fechadas por causa do feriado de Ação de Graças teria aumentado ainda mais o nervosismo na Europa. A notícia da moratória da estatal do emirado árabe chocou os analistas e provocou perdas nos maiores mercados de ações da Europa. O principal motivo é o fato de que o emirado investiu grandes somas de dinheiro em empresas europeias, comprando grandes pacotes de ações nos últimos meses. A insegurança acabou afetando também empresas com acionistas de outros emirados árabes. Entre as empresas com acionistas nos emirados estão as montadoras Volkswagen e Porsche, na Alemanha, os bancos Barclays e HSBC, na Grã-Bretanha, e UBS e Credit Suisse, na Suíça. Outro problema é que Dubai tem grandes dívidas com os principais bancos europeus. Segundo o Credit Suisse, esse montante giraria em torno de US$ 40 bilhões. "O mercado foi pego de surpresa, pois esperava o pagamento pontual de US$ 3,5 milhões", diz o analista de ações Eckhart Woertz, do Centro de Pesquisas do Golfo. Isso abalou a confiança nos investidores do Golfo Pérsico. Em várias ocasiões, os xeques dos emirados
árabes foram vistos como os salvadores de empresas europeias, investindo
e comprando ações em meio à crise financeira mundial. Sistema financeiro é posto em xeque, com possibilidade de calote em Dubai Bancos europeus são os mais expostos, com empréstimos de US$ 84 bilhões; confira lista de instituições envolvidas A crise financeira mundial do ano passado expôs a fragilidade dos bancos ao redor do mundo e quão globalizadas são as perdas. Com muito esforço, e recursos, diretores dos bancos centrais das principais economias articularam medidas conjuntas para restabelecer a ordem do sistema e evitar falências generalizadas. Aos poucos neste ano a confiança do investidor na eficiência do sistema foi restaurada e a liquidez retomada. Contudo, na última quinta-feira (26), os mercados foram pegos de surpresa com a possibilidade de calote por parte do fundo de investimento Dubai World. O montante devido, de US$ 59 bilhões, fez ressurgir os temores sobre a regulação do sistema financeiro e mexeu com os brios dos bancos europeus, que registraram expressivas baixas na sessão passada e encenam ligeira recuperação nesta manhã. Exposição de US$ 84 bilhões Segundo cálculos do economista chefe do RBS (Royal Bank of Scotland), Jaques Callioux, os bancos europeus detêm um total de US$ 83,7 bilhões de empréstimos ligados às empresas dos Emirados Árabes Unidos. De acordo com o economista, os bancos do Reino Unido são os mais expostos, com US$ 49,5 bilhões, seguidos por França e Alemanha, com US$ 11,3 bilhões e US$ 10,2 bilhões, respectivamente. Indo mais a fundo, o Wall Street Journal lista os bancos e o JPMorgan as quantias envolvidas: RBS (US$ 2,2 bilhões), Barclays (US$ 3,6 bilhões), Citigroup (US$ 1,9 bilhão), HSBC (US$ 17 bilhões), Standard Chartered (US$ 7,8 bilhões), BNP Paribas (US$ 1,8 bilhão), ING e Lloyds. Além da parcela majoritária de bancos europeus, o periódico norte-americano lista outras instituições financeiras envolvidas, como Emirates Bank e Mashreq Bank, e os japoneses Bank Mitsubishi e Sumitomo Mitsui. Apesar da cifra relevante, os analistas do JPMorgan e outros bancos atenuam os riscos, "com os impactos limitados nos balanços". Rumores de mercado apontam que os maiores prejudicados do caso serão os bancos árabes Abu Dhabi Commercial Bank e Emirate NBD. Ações recuam pelo mundo Na bolsa de Hong Kong, as ações do HSBC
recuaram mais de 6%, assim como os papéis do Standard Chartered.
Em Sydney, destaque de baixa para Australia New Zealand Banking (-3,1%)
e Commonwealth Bank of Australia (-3,40%). Por Nathália Ferreira - Agencia Estado Três maiores bancos do Brasil negam exposição a Dubai Os três maiores bancos do Brasil disseram hoje que não têm exposição a ativos no conglomerado Dubai World, reforçando os comentários feitos ontem à noite pelo ministro das Finanças, Guido Mantega. Durante jantar com investidores, Mantega disse que "não acredita que o problema em Dubai terá qualquer impacto nos bancos brasileiros". Contactados pela agência Dow Jones, o Banco do Brasil, o Itaú Unibanco e o Bradesco disseram que não têm exposição a qualquer ativo. O Dubai World, conglomerado controlado pelo governo de Dubai com investimentos em propriedades e serviços financeiros, disse na quarta-feira que ia pedir aos credores uma paralisação de seis meses no pagamento de dívidas. O conglomerado tem cerca de US$ 60 bilhões em ativos e investidores estão preocupados com o que isso pode significar para detentores de bônus e credores, na maioria bancos europeus. As informações são da Dow Jones. PIME-Net
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