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CHADE: 11/05/2009
Guerra
O avanço dos rebeldes obriga as organizações humanitárias a suspender parcialmente as atividades a favor de dezenas de milhares de refugiados

Continua o avanço das colunas de veículos rebeldes no leste do Chade que, no dia 4 de maio, lançaram uma ofensiva a partir da fronteira sudanesa. Um porta-voz da União das Forças Rebeldes (UFR) declarou que o objetivo das suas tropas é a conquista da capital, N'Djamena, e das principais cidades do Chade. O governo chadiano confirmou a progressão das forças rebeldes, afirmando, porém, que a aviação chadiana bombardeou algumas das colunas da UFR. N'Djamena, além disso, reiterou as acusações ao Sudão de apoiar a ofensiva dos guerrilheiros.

Segundo um porta-voz do governo chadiano também foi identificado outro grupo de rebeldes chadianos numa localidade da fronteiriça República Centro-africana, cujo governo, mesmo não confirmando a notícia, manifestou profunda preocupação com a situação. As crises no Chade, na República Centro-africana e em Darfur (oeste do Sudão), de fato estão relacionadas, porque através das fronteiras pouco controladas dos três Países deslocam-se grupos de guerrilheiros e de bandidos que espalham o terror nos vilarejos fronteiriços.

Por esse motivo a ONU designou no Chade e na República Centro-africana uma missão encarregada de proteger os campos de refugiados presentes na área. A presença dos Capacetes Azuis, porém, não impediu a redução das atividades humanitárias nos campos de refugiados de Goz Beida, a primeira localidade atingida pela ofensiva rebelde. Neste local ocorreu o único conflito até agora registrado entre os rebeldes e o exército chadiano. Os rebeldes não entraram em Goz Beida, mas conquistaram dois vilarejos limítrofes.

O Alto Comissariado da ONU para os Refugiados declarou a redução de suas atividades num campo onde foram acolhidos 20 mil refugiados sudaneses, numa localidade a 50 km de Goz Beida. Ao redor do campo também surgiram instalações improvisadas onde vivem cerca de 40 mil deslocados internos chadianos. O Programa Alimentar Mundial da ONU também anunciou ter suspendido a distribuição de alimentos na mesma instalação. Os rebeldes teriam entrado também em Am-Dam, a 110 km de Goz Beida, onde estão concentradas as instalações principais da maioria das organizações humanitárias encarregadas de assistir mais de 450 mil pessoas, entre deslocados internos chadianos e refugiados sudaneses e centro-africanos.

A ofensiva rebelde parece, assim, envolver colunas de meio que avançam em direções diversas, mas de maneira coordenada. A UFR surgiu em 18 de janeiro deste ano da união de 8 grupos de guerrilha chadianos que se opõem ao governo do Presidente Déby. Em fevereiro de 2008, esses grupos participaram do ataque a N'Djamena, que fracassou também devido às divisões internas da direção rebelde, que não foi capaz de coordenar os esforços para dar um golpe decisivo nas forças do Chefe de Estado. A direção da UFR declarou que dessa vez esse erro não se repetirá.

Fides

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