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BRASIL: 07/12/2009
Ecologia
Meio Ambiente

INTRODUÇÃO

A demanda global por energia aumentou nos últimos 150 anos, acompanhando o desenvolvimento industrial e o crescimento populacional. Especialistas prevêem que a sede por energia deve continuar a crescer em ao menos 50% até 2030, à medida em que países em desenvolvimento como a China e a Índia procurarem manter seu rápido crescimento econômico.

As maiores fontes da energia mundial (responsáveis por cerca de 80% da energia consumida no mundo no momento) são o carvão, o petróleo e o gás natural - os chamados "combustíveis fósseis" por terem surgido séculos atrás a partir de restos de plantas e animais mortos, ricos em carbono. No entanto, essas são fontes que um dia vão se esgotar.

Nas últimas décadas, também tem aumentado a preocupação sobre o impacto ambiental desses combustíveis. Os maiores especialistas em clima alertam que as emissões de gases do efeito estufa, criados pela queima de combustíveis fósseis e por outras atividades humanas, precisam ser reduzidas substancialmente para evitar mudanças climáticas perigosas.

A pressão para substituir os combustíveis fósseis colocou em evidência as chamadas fontes renováveis de energia - como, por exemplo, o Sol e os ventos.

Mas elas também enfrentam desafios:

- as tecnologias viáveis ainda estão se desenvolvendo, e os custos de instalação tendem a ser altos.

Essas fontes de energia não devem conseguir uma fatia muito significativa do mercado dentro dos próximos 25 anos.

 

 

Previsão Climática

Cientistas prevêem que a Terra vai aquecer de 1,4.º C a 5,8.º C até o ano 2100.

A maioria dos cientistas culpam - pelo menos em parte - o aumento da quantidade de certos gases emitidos pela queima de combustível fóssil e por outras atividades humanas.

As imagens acima analisam o que pode acontecer na África e na Ásia de acordo com duas possibilidades:

- uma em que a queima de combustível fóssil é realizada, e outra em que o desenvolvimento sustentável é prioridade.

Veja as mudanças previstas pela ONU

Cientistas de mais de 130 países indicaram neste ano em um relatório do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, na sigla em inglês) que é 'muito possível' que a atividade humana seja a causa das mudanças climáticas. Os gráficos abaixo ilustram as previsões sobre como as temperaturas do planeta devem aumentar no próximo século.

O IPCC diz que as temperaturas têm grande chance de aumentar de 1,8.º C a 4.º C até 2100. Mas há também a possibilidade de que essa variação seja de 1,1.º C a 6,4.º C. Os mapas acima mostram como três cenários de variações de temperatura podem afetar diferentes partes do planeta.

Os cenários A1B, A2 e B1, usados para criar os mapas acima, são baseados em dados econômicos e tecnológicos. Esses cenários consideram diferentes aumentos populacionais, o uso de combustíveis fósseis e alternativos e o conseqüente crescimento na emissão de CO2.

Os resultados estão nos gráficos abaixo:

 

O dióxido de carbono é o principal gás do chamado efeito estufa e o aumento da sua emissão desde a Revolução Industrial é claro. A queima de carvão, o uso do petróleo e o desmatamento são atividades que liberam CO2 na atmosfera.

Outros dois importantes gases de efeito estufa são o metano e o óxido nitroso. Ambos estão muito menos presentes na atmosfera que o CO2, mas têm um efeito muito mais devastador e sua presença também está crescendo. O metano provoca 20 vezes mais danos que o CO2, enquanto o óxido nitroso é 300 vezes mais forte.

Copenhague marca 'virada na reação' à mudança climática,
diz representante da ONU

Eric Brücher Camara
Enviado especial da BBC Brasil a Copenhague

A poucas horas do início da reunião das Nações Unidas sobre o clima em Copenhague, na Dinamarca, Yvo de Boer, secretário-executivo da Convenção sobre o Clima da ONU (UNFCCC, na sigla em inglês), afirmou que o encontro já marca 'uma virada na reação internacional' sobre o tema.

Em uma entrevista coletiva neste domingo, Boer disse estar 'mais otimista do que nunca, em 17 anos de negociações', já que 'praticamente todos os dias um novo país apresenta novas intenções' de cortes de emissões.

'Agora, os negociadores têm os sinais mais claros já dados pelos líderes mundiais para elaborar propostas sólidas para implementar ação rápida', disse o secretário-executivo.

Antes da coletiva, a segurança do centro de convenções Bella, sede do encontro, anunciou uma ameaça de bomba, o que impossibilitou vários jornalistas de entrarem no prédio.

Chegada

Negociadores das mais de 190 delegações que participarão do encontro de duas semanas a partir desta segunda-feira já estão chegando na capital dinamarquesa.

Apesar do otimismo demonstrado por Boer, há quem questione os possíveis resultados do encontro em Copenhague, que busca chegar a um acordo mundial de combate às mudanças climáticas.

Nas últimas semanas, o vazamento de arquivos e e-mails pessoais de pesquisadores da Universidade de East Anglia, na Grã-Bretanha, vem causando polêmica no meio científico.

Os chamados "céticos", aqueles que discordam do consenso científico representado pelo Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), usaram o material como suposta prova de que o aquecimento global é fruto de manipulação de dados.

No entanto, um comunicado do IPCC defendeu neste domingo os relatórios do grupo, afirmando que estão cientificamente corretos e que o aquecimento global é "inequívoco".

Recomendações

Os cientistas do IPCC concluíram que há uma probabilidade de 90% de que o aquecimento do planeta provocado pela atividade humana tenha sido de cerca de 0,7.º C.

Para que a temperatura da Terra não ultrapasse a barreira dos 2.º C, considerada "segura", o IPCC recomendou que as emissões de gases que provocam o efeito estufa sejam reduzidas entre 25% e 40% (em comparação com 1990) até 2020.

É com base nessas recomendações do IPCC que os participantes de Copenhague tentarão chegar a um acordo com metas de emissão para os países ricos e financiamentos para promover o crescimento econômico "limpo" nos países pobres e em desenvolvimento, para ajudá-los a se adaptar às mudanças climáticas.

Vários países, entre eles o Brasil, a China e os Estados Unidos, já anunciaram propostas de cortes em suas emissões para os próximos anos.

No entanto, um estudo recente da organização não governamental alemã Climate Analytics e da consultoria Ecofys afirmou que com as metas anunciadas até o momento, o aquecimento global superará os 3.º C até o fim do século, podendo até ultrapassar os 4.º C, o que teria consequências imprevisíveis para a Terra.

Multidão

Ainda neste domingo, a UNFCCC divulgou uma nota afirmando que a entrada de representantes de organizações não governamentais no centro de convenções seguirá um esquema de cotas, já que cerca de 34 mil pessoas pediram acesso ao local.

O Bella tem capacidade máxima para 15 mil, de acordo com os organizadores.

O credenciamento de jornalistas para a reunião também foi suspenso. Cerca de 3,5 mil já estão autorizados a cobrir o evento, e a "situação será reavaliada no dia 9 de dezembro".

Declaração de Manaus serve para 'balizar' posições em Copenhague, diz Lula

Paulo Cabral
Enviado especial da BBC Brasil a Manaus

Os nove países que abrigam em seus territórios a floresta amazônica assinaram nesta quinta-feira, em Manaus, uma declaração que, nas palavras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, servirá para "balizar" a posições destas nações na Conferência da ONU sobre o Clima em Copanhague, em dezembro.

"Esse texto vai balizar nossas posições mas longe de nós querer dizer que opinião ou posição um país pode ou não ter em Copenhague. O documento não pode ferir a soberania dos estados", disse Lula.

Na Declaração de Manaus, os países amazônicos apoiam a meta estabelecida pela ONU de redução global de 40% na emissão de gases do efeito estufa até 2020, mas o texto não estabelece nada de específico para os países ou para a região.

O presidente Lula disse que o texto vai servir de base para as discussões de Copenhague, mas sem limitar os desejos dos países signatários.

Apesar de apenas três dos nove presidentes terem comparecido à Cúpula dos Países Amazônicos, Lula rejeitou as análises de que o encontro teria sido enfraquecido.

"Vocês tem noção de quantas vezes os meus ministros firmam acordos mundo afora em nome do Brasil sem a presença do presidente?", perguntou.

"O documento que nós assinamos aqui tem a mesma validade que teria se estivessem todos os presidentes aqui", afirmou Lula.

Financiamento

Um dos destaques do encontro foi a presença do presidente francês, Nicolas Sarkozy, convidado por conta da Guiana Francesa, que é um departamento (equivalente a Estado) ultramarino da França.

Na coletiva de encerramento do encontro, Sarkozy fez uma defesa vigorosa das transferências de recursos para que países em desenvolvimento atuem nas questões climáticas, e principalmente na preservação das florestas.

"São necessários créditos não só no longo prazo, mas também imediatos para esses países (em desenvolvimento)", disse.

"Em Copenhague, é essencial que cheguemos a números concretos tanto de redução de emissões como de ajuda financeira aos países mais pobres", afirmou Sarkozy.

O presidente francês propõe que 20% dos US$ 10 bilhões de dólares anuais que a Europa vai destinar a esse fim até 2012 sejam especificamente destinados à preservação das florestas.

Sarkozy também apoiou a proposta já feita por Lula de instituir uma taxa sobre transações financeiras internacionais para compor estas fontes de financiamento.

A Declaração de Manaus também reafirma o apoio à proposta de uma "contribuição de 0,5% a 1% do PIB dos países desenvolvidos para ações em clima por parte dos países em desenvolvimento".

China e EUA

Os dois presidentes congratularam a China e os Estados Unidos por terem aceitado o estabelecimento de metas quantitativas de redução das emissões de CO2.

"Nas últimas semanas estavam dizendo que Copenhague ia ser um fracasso, que poucos presidentes iriam porque não tinha nem China nem Estados Unidos. Mas agora o presidente Obama estabeleceu um número, que não é exatamente o que a gente queria mas é importante, e a China também está nesse caminho", disse o presidente.

Sarkozy disse que concordava plenamente com a análise do brasileiro, mas observou que "as últimas declarações de Barack Obama e dos dirigentes chineses são extramente encorajadoras".

Especial BBC Brasil




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