A Igreja no Mundo
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22/09/2009 CARTILHA DE REFLEXÃO BÍBLICA SOBRE O TRÁFICO DE SERES HUMANOS
CONFERÊNCIA DOS RELIGIOSOS DO BRASIL REDE UM GRITO PELA VIDA ROTEIRO 2 EXPLORAÇÃO SEXUAL DAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES
1 - ABERTURA: Tenho que gritar... Tenho que lutar... Ai de mim se não o faço...
Onde estão as nossas crianças?
2 - FATO DA VIDA DE HOJE QUE NOS PROVOCA A
exploração sexual infantil é flagrada em Salvador.
No dia 12 de janeiro de 2008, um homem de 44 anos é encontrado
em quarto de hotel com uma menina de 16 anos. Ela se chama Cida. A adolescente
teria pedido uma carona para uma colônia de férias, e sem autorização
do pai resolveu seguir para Salvador. Em depoimento, a vítima
confessou ter tido relações com João. Ele a presenteou
com roupas e dinheiro. Ela aceitou, segundo sua própria declaração,
por ser muito pobre. O dinheiro e os presentes, segundo a delegada, caracterizam
crime de exploração sexual. Atraída pelo dinheiro rápido,
Cida teve nesta cidade experiências ao longo das rodovias em motéis,
postos de gasolina, etc. ate chegar ao Rio de Janeiro. Ela ficou presa junto
com um grupo de adolescentes numa espécie de cativeiro (bordel afastado
do centro), e que não chamava a atenção da população
local. Proibidas de sair, elas eram submetidas à prostituição
forçada com rapazes e homens adultos, trabalhadores de uma fábrica.
Viviam em um ambiente de medo e terror, até que um dia, Cida se arriscou
a fugir e deu certo. Ela escapou para contar a sua história. (Fonte:
Depoimento policial extraído da internet)
3 - UM TEXTO DA BÍBLIA PARA ILUMINAR O FATO E DESCOBRIR O APELO DE DEUS HOJE Momento de silêncio e de reflexão
4 - CELEBRAÇÃO E COMPROMISSO
+ Para que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) seja verdadeiramente
cumprido, rezemos: Sugestão: Rezar o Salmo 92
5 - SUBSÍDEO Chave para aprofundar o texto Bíblico: Jesus defende a vida das crianças, dos pequenos. * A ser lido antes de cada encontro Os discípulos perguntam: Quem é o maior no Reino do céu? Por detrás desta pergunta boba está a briga entre eles pelo primeiro lugar. Jesus chama uma criança e faz dela a professora dos adultos: "Eu lhes garanto: se vocês não se converterem e não se tornarem como crianças, vocês nunca entrarão no Reino do Céu. E logo em seguida vem a condenação fortíssima do escândalo cometido contra as crianças, contra os pequeninos: "Quem escandalizar um desses pequeninos que acreditam em mim, melhor seria para ele pendurar uma pedra de moinho no pescoço, e ser jogado no fundo do mar. Dar escândalo aos pequeninos significa ser o motivo pelo qual os pequenos percam a fé em Deus, se desviam do bom caminho e já não se sentem amados, já não conseguem perceber o amor de Deus. Se Jesus falou com tanta força contra o escândalo, é porque de fato, naquele tempo, devia haver muito escândalo contra as crianças. Jesus chega a dizer: É inevitável que aconteçam escândalos, mas ai do homem que causa escândalo! Inevitável, por quê? A maneira como naquela época era organizada e ensinada a religião, era um escândalo para os pequenos e os levava a perder a fé em Deus (Lc 17,1-2; Mt 18,6-8; Mc 9,42). A insistência dos escribas e fariseus na observância das normas de pureza marginalizava muita gente: mulheres, samaritanos, estrangeiros, leprosos, publicanos, doentes, paralíticos, crianças. Os escribas desprezavam o povo simples (cf Jo 7,49; 9.34). Em nome da lei de Deus, mal interpretada pelas autoridades religiosas, muita gente boa era excluída. Em vez de usar a lei para fortalecer a comunidade e de acolher os excluídos, a lei era usada para legitimar a exclusão. O mesmo escândalo acontece hoje. Por causa de experiências negativas sofridas com os João da vida, muitas crianças e adolescentes como Cida, já não conseguem crer nos adultos e perdem a fé em Deus. Diante daquela situação, Jesus reage de duas maneiras. De um lado, procura reforçar a vivência comunitária, pois a comunidade é a base da convivência social, a proteção das famílias e das pessoas, o veículo principal da tradição. Defender a comunidade é o mesmo que defender a Aliança. É a maneira concreta de encarnar o amor de Deus no amor ao próximo e evitar o escândalo. De outro lado, Jesus denuncia o escândalo, coloca-se do lado dos pequenos e assume a sua defesa. Ele acolhe as crianças e as defende contra as maldades dos adultos (Mc 9,37; Mt 10,42; 18,10; 25,40). Mães com crianças chegam perto dele para pedir a bênção. Os apóstolos as afastam. Mas Jesus corrige os adultos e acolhe as mães com as crianças; toca nelas e lhes dá um abraço: Deixem vir as crianças, não as impeçam! (Mc 10,13-16; Mt 19,13-15). Conforme as normas da época, tanto as mães como as crianças pequenas, todas elas viviam, praticamente, num estado permanente de impureza legal. Tocar nelas significava contrair impureza! Jesus não se incomoda. Quando as crianças são criticadas pelos chefes dos sacerdotes e pelos escribas, Jesus as defende e em sua defesa invoca as Escrituras (Mt 21,16). Ele tem uma preocupação muito grande com as crianças (Mc 10,13-16; Mt 19,13-15; (Mc 10,15; Lc 9,46-48). Identifica-se com elas (Mc 9,37; Mt 25,40). Quem recebe uma criança, é a Jesus que recebe (Mc 9,37). E tudo que vocês fizeram a um destes mais pequenos foi a mim que o fizeram (Mt 25,40). Mas ai daquele que é motivo de escândalo para os pequenos. Ele recebe esta condenação: pedra no pescoço e ser jogado no fundo do mar! A gente se pergunta: O que será que Jesus diria a respeito da atitude de João diante de Cida? A alegria de Jesus é grande, quando percebe que as crianças, os pequenos, entendem as coisas do Reino: Pai, eu te agradeço! (Mt 11,25-26) Jesus reconhece que os pequenos entendem mais do Reino que os doutores! São muitas as crianças e jovens que ele acolhe, cura ou ressuscita: a filha do Jairo de 12 anos (Mc 5,41-42), a filha da mulher cananeia (Mc 7,29-30), o filho da viúva de Naim (Lc 7,14-15), o menino epilético (Mc 9,25-26), o filho do Centurião (Lc 7,9-10), o filho do funcionário público (Jo 4,50), o menino dos cinco pães e dois peixes (Jo 6,9). Como ele acolheria a pobre da Cida? A frase final revela o porquê da ternura de Jesus para com as crianças: - "Cuidado para não desprezar nenhum desses pequeninos, pois eu digo a vocês: - os anjos deles no céu estão sempre na presença do meu Pai que está no céu (Mt 18,1-7.10). As crianças têm uma proteção especial de Deus. A nova experiência de Deus como Pai marcou a vida de Jesus e lhe deu olhos novos para perceber e avaliar a realidade que o envolvia, e defender o direito das crianças (Mt21,15; 21,16).
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