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ARÁBIA SAUDITA: 16/04/2009
Crianças
Após polêmica no país querem regular casamento de
meninas
O ministro da Justiça da Arábia Saudita
disse nesta quarta-feira que o governo do país pretende criar leis
para regular o casamento de garotas, após uma polêmica união
entre um homem de 60 anos e uma menina de oito anos. A Arábia Saudita
adota uma forma rígida do islamismo sunita que proíbe a
livre associação entre pessoas e dá aos pais o direito
de decidir com quem seus filhos se casarão. O ministro, Muhammad
Issa, disse que o governo quer pôr fim à forma "arbitrária"
na qual os pais arranjam os casamentos de seus filhos. Mas ele não
sugere que este tipo de casamento seja abolido.
O anúncio do ministro foi feito após a
polêmica provocada pelo casamento da menina de oito anos na cidade
de Unaiza. A mãe da menina levou o caso à Justiça,
pedindo que a união - definida pelo pai da jovem - fosse invalidada.
O juiz tentou convencer o marido a aceitar um divórcio, mas ele
se recusou. O tribunal decidiu validar o casamento, com a condição
de que o noivo não faça sexo com a menina até que
ela chegue à puberdade. A menina ainda está morando com
a sua família e não está claro quando ela vai se
mudar para morar com o marido.
O juiz determinou que ela poderá pedir divórcio
quando atingir a puberdade. Na Arábia Saudita, os jornais locais
destacaram que o caso seria um exemplo de como famílias vendem
suas filhas. O pai da menina de Unaiza teria usado o dote do casamento
para pagar dívidas. A imprensa também destacou que o caso
aconteceu na província central de Qaseem, um dos lugares mais conservadores
do país. Este ano, a maior autoridade religiosa da Arábia
Saudita, Mufti Sheikh Abdul Aziz al-Shaikh, disse que a lei islâmica
permite que os pais casem suas filhas com menos de 15 anos.
BBC Brasil
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