A Igreja no Mundo
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ÁFRICA: 19/11/2009 VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES AFRICANAS COMOVE SÍNODOA violência que muitas mulheres da África sofrem converteu-se em um dos temas de comoção para os participantes na assembléia do Sínodo para a África em sua primeira semana de reuniões. “Como falar de reconciliação e de autêntica paz em uma sociedade em que os filhos foram obrigados a violar suas mães e irmãs diante do olhar impotente de seus próprios pais?”, perguntou à assembléia Dom Théophile Kaboy Ruboneka, bispo coadjutor de Goma (República Democrática do Congo), segundo informaram os porta-vozes do Sínodo. Que porvir pode-se garantir aos meninos recrutados à força por grupos armados, convertidos em algozes de suas mães e irmãs? Que dizer às crianças que nasceram da violência? Que harmonia espera uma juventude nascida de mães traumatizadas?”, seguiu perguntado o Prelado. “Os conflitos e as guerras – denunciou Dom Kaboy ao tomar a palavra nesta segunda-feira de manhã – conflitos e as guerras levaram a mulher, em particular na República Democrática do Congo, a tornar-se vítima e objeto”. “Milhares de mulheres foram submetidas, por parte de todos os grupos armados, a violências sexuais em massa, como arma de guerra, em evidente violação às disposições jurídicas internacionais.” O bispo de Goma apresentou várias propostas para aliviar as conseqüências de traumas tão brutais. Em primeiro lugar, convidou o Sínodo a lutar contra a violência sexual, “partindo da sua principal causa que é a crise de liderança que se manifesta com as guerras, os saques e a exploração sem controle dos recursos naturais, a circulação das armas, a manutenção das milícias, a ausência de um exército forte e republicano, etc...”. Em seguida, propôs “a criação de casas para a mulher e a jovem como centros de escuta e de acompanhamento das mulheres violentadas e traumatizadas”. Em terceiro lugar, “o envolvimento direto das mulheres nas Comissões ‘Justiça e Paz’, para que elas promovam a paz e lutem contra as ideais que as desejam desvalorizar, veiculadas pela nova ética mundial e por certas tradições culturais”. Sugeriu, também, a “formação e conscientização da mulher através da alfabetização e da catequese para lhes permitir desempenhar adequadamente o seu papel. A mesma articula-se em três módulos: - dignidade e vocação da mulher, a mulher como agente de paz e a mulher enquanto autora da mudança social”. Em quinto lugar, exigiu a “realização de estruturas de promoção da mulher. Poderiam ser organizações femininas a se ocupar das diversas atividades a nível paroquial e diocesano, centros de formação das mulheres para a paz”. Ao tema da violência contra as mulheres dedicaram suas intervenções em particular madre Felicia Harry, superiora geral das Irmãs Missionárias de Nossa Senhora dos Apóstolos de Gana, e a madre Paolina Odia Bukasa, superiora geral das Irmãs "Ba-Maria" de Buta Uele, na República Democrática do Congo, assim como Dom Telesphore George Mpundu, arcebispo de Lusaka (Zâmbia). Ao tomar a palavra nesse sábado, o prelado reconheceu que “infelizmente, temos que admitir com vergonha que, na Zâmbia, as mulheres infelizmente muitas vezes são vítimas de abuso, de violência doméstica, que, até mesmo causam a sua morte, práticas culturais e costumes discriminantes, e as leis expressam claramente preconceitos em relação a elas”. “Nós, bispos, devemos falar de maneira clara e insistente em defesa da dignidade das mulheres à luz das Escrituras e da Doutrina Social da Igreja”, assegurou. “Sim, foi uma mulher, Maria, a levar por primeiro Jesus à África como refugiado [Mt 2, 13-15]. Hoje é a mulher que, de muitos modos, leva Jesus até nós, na Zâmbia. Mulheres religiosas e leigas ajudam a nossa Igreja a estar a serviço da reconciliação, da justiça e da paz, com especial atenção aos pobres”, reconheceu. Para promover o respeito às mulheres e sua integração nas estruturas eclesiais com papéis de responsabilidade, de decisão e de projeção, o prelado convidou o Sínodo “a recomendar a todas as dioceses, instituir ou consolidar o apostolado familiar e departamentos que tratam do problema feminino, tornando-os operativos e plenamente funcionais”. (ZENIT - Chiara Santomiero)
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