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VATICANO: 13/08/2008
Papa
Bento XVI: Sacerdotes devem enfrentar tensões de seu ministério
e melhorar catequese para sacramentos
A Sala de Imprensa da Santa Sé deu a conhecer
as respostas completas às perguntas que os sacerdotes de Bolzano-Bressanone
lhe fizeram ao Papa Bento XVI. Entre os temas tratados, o Santo Padre
se refere à forma em que estes devem confrontar as tensões
próprias de seu ministério; assim como ao assunto de conferir
os sacramentos da Primeira Comunhão e a Confirmação
quando não há plena consciência do solicitado.
Ao reunir-se com o clero da Diocese de Bolzano-Bressanone
na Catedral local, o Papa Bento XVI assegurou que ante as tensões
que experimentam os sacerdotes em seu ministério, é necessário
considerar "dois aspectos fundamentais" para responder à
questão:
- "de um lado, a insustituibilidade do sacerdote"
que "está completamente dedicado ao Senhor e pelo mesmo totalmente
dedicado ao homem", seu "significado e o modo do ministério
sacerdotal hoje; e de outro lado –e isto hoje ressalta mais–
a multiplicidade de carismas e o fato de que todos juntos são Igreja".
Depois de explicar que é necessário mostrar
aos jovens que como sacerdotes se pode "servir de modo importante
aos irmãos", o Papa ressaltou que o celibato somente tem sentido
"se acreditarmos verdadeiramente na vida eterna e se acreditarmos
que Deus nos ajuda". Do mesmo modo, precisou que ante a grande quantidade
de atividades que deve realizar um sacerdote, "é importante
ter a coragem de limitar-se e a claridade ao decidir as prioridades",
porque a mais importante de todas elas na "existência sacerdotal
é ficar com o Senhor e por isso ter tempo para a oração".
A partir da oração, precisa o Papa, todo sacerdote deve
"aprender a ver o que é verdadeiramente essencial, onde se
necessita minha presença de sacerdote e não posso delegar
a ninguém. E ao mesmo tempo devo aceitar humildemente quando muitas
coisas que teria que fazer e onde se exigiria minha presença não
se podem realizar porque reconheço meus limites. Acredito que tal
humildade será compreendida pela gente".
"E com isto devo entender outro aspecto:
- saber delegar, chamar as pessoas à colaboração",
indicou.
Ao comentar logo a distância física que
experimentam com freqüência os sacerdotes, Bento XVI lembrou
que estes servidores de Deus são "uma verdadeira comunidade
de irmãos que devem sustentar-se e ajudar-se" para evitar
o perigo do "isolamento, na solidão, com suas tristezas pelo
que é importante nos encontrar regularmente". "Nenhum
sacerdote é um sacerdote sozinho, somos um presbitério e
só nesta comunhão com o Bispo cada um pode realizar seu
serviço", acrescentou o Papa.
Catequese para sacramentos
Ao responder logo a outra pergunta sobre o que fazer
com as crianças e jovens que solicitam a Primeira Comunhão
e a Confirmação quando parece que não vão
perseverar na fé logo depois de recebido o sacramento, Bento XVI
relatou que "quando era mais jovem era mais severo.
Dizia:
- os sacramentos são os sacramentos da fé,
e portanto onde não há fé, não há praxe
de fé, então o sacramento não pode ser conferido.
E logo discutia isso quando era Arcebispo de Munique
com meus párocos. (…) Com o transcurso do tempo entendi que
devemos seguir sempre o exemplo do Senhor, que era muito aberto também
com as pessoas à margem do Israel daquele tempo, era um Senhor
da misericórdia, bastante aberto –segundo muitas autoridades
oficiais– com os pecadores, acolhendo-os ou deixando-se acolher
em seus jantares, os atraindo a si em sua comunhão". "Se
percebermos sequer uma pequena flama de desejo da comunhão na Igreja,
um desejo também destas crianças que querem entrar em comunhão
com Jesus, parece-me que é justo ser mais amplo.
Naturalmente, certo, deve ser um aspecto de nossa catequese
fazer entender que a Comunhão, a Primeira Comunhão, não
é um fato 'pontual', porém exige uma continuidade de amizade
com Jesus, um caminho com Jesus", prosseguiu. "Neste sentido
devemos naturalmente fazer o possível no contexto da preparação
aos sacramentos, para chegar também aos pais e assim lhes abrir
também a sensibilidade no caminho que realizam as crianças.
Deveriam ajudar a seus filhos a seguir o próprio desejo de entrar
em amizade com Jesus, que é forma da vida, do futuro", alentou
o Santo Padre. "Se os pais tiverem o desejo de que seus filhos façam
a Primeira Comunhão, este desejo dele, com freqüência
social, deveria estender-se a um desejo religioso, para fazer possível
um caminho para Jesus", disse o Papa.
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