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QUÊNIA: 18/12/2008
Liberdade
Protestos contra a nova lei sobre informação
O
cardeal Njue expressa a sua preocupação pela liberdade dos
meios de comunicação,
mas convida também os jornalistas ao senso de responsabilidade
Está causando grandes protestos no Quênia
a nova lei sobre informação que introduz normas mais severas
sobre a liberdade de imprensa. Cerca de cinqüenta jornalistas e militantes
da sociedade civil foram presos nos dias passados enquanto protestavam
contra a lei. “O novo texto legislativo foi aprovado com um amplo
consenso do parlamento. Falta somente a assinatura do presidente Kibabi
para que entre em vigor”, explica à Agência Fides,
de Nairóbi, uma fonte da Igreja local. “O que mais causou
perplexidade aos quenianos foi que alguns deputados da ex-oposição,
os “alaranjados” do primeiro-ministro, Raila Odinga, votaram
a lei, enquanto outros não se apresentaram no momento do voto,
contribuindo assim à votação positiva”.
“O voto quase compacto dos deputados, continua
a fonte, foi explicado pelos jornalistas locais pelo fato de que nos últimos
meses os meios de comunicação quenianos não mostram
os graves casos de corrupção de políticos e criticaram
os benefícios fiscais e de outro tipo dos quais os parlamentares
desfrutam. Depois da onda de protesto que explodiu no país, alguns
deputados que tinham votado na lei pediram agora ao presidente para não
assiná-la. Não são somente os jornalistas a criticar
a nova lei, mas vários expoentes religiosos e da sociedade civil.
Domingo 14 de dezembro, durante a missa realizada no estádio de
Kisii, que contou com a participação do presidente Kibabi,
o cardeal John Njue, arcebispo de Nairóbi, afirmou que está
errado introduzir normas que impedem os meios de comunicação.
Ao mesmo tempo, porém, o cardeal recordou aos
jornalistas para que trabalhem com responsabilidade. O novo projeto de
lei prevê que em casos de emergência, o Ministro da Segurança
Interna possa controlar os jornalistas, realizando perquisições
nas redações e confiscar os meios de imprensa e a transmissão
de notícias. O projeto de lei dá amplos poderes à
Communications Commission of Kenya (CCK), um órgão nominado
pelo governo, para determinar os conteúdos dos programas transmitidos.
“Estes poderes funcional somente em caso de emergência, mas
o temor que uma vez introduzido o princípio, a sua aplicação
se torne uma praxe que a pouco vai se consolidando, diminuindo progressivamente
a liberdade de imprensa. O país necessita de uma informação
mais clara e independente que ajude a desenvolver uma sociedade mais harmoniosa”,
conclui a fonte de Fides.
Fides
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