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PARAGUAI: 01/08/2008
Igreja e Política
Boff assegura que Lugo aplicará teologia da libertação
ao governar o país
O controvertido ex-sacerdote e representante da teologia
marxista da libertação, Leonardo Boff, afirmou que o ex-bispo
e Presidente eleito do Paraguai "está plenamente identificado
com a teologia da libertação e que nesta linha implementará
dentro de seu governo, a opção preferencial pelos pobres".
Assim se expressou depois de uma reunião mantida com Lugo, conforme
indica o jornal Última Hora do Paraguai. Boff assinalou também
que "é importante implementar políticas de conscientização
à cidadania sobre a importância da conservação
dos recursos naturais para a proteção ambiental" e
que "reuniu-se com o mandatário em seu caráter de ambientalista
procurando apoio para projetos ambientais regionais".
Na tarde da mesma segunda-feira 28 de julho, Lugo assistiu
a um bate-papo de Boff na Universidade Nacional de Assunção
(UMA), em São Lorenzo, aonde chegou o polêmico teólogo
brasileiro dedicado a escrever livros de ecologia e cozinha, para participar
do seminário sobre Diálogos sobre Educação
Sócio-ambiental. "A doutrina de Boff não é a
da Igreja Católica". Por sua parte, e conforme indica o jornal
paraguaio La Nación, Dom Rogelio Livieres Plano, Bispo de Cidade
del Este, precisou que “a Teologia da Libertação não
é que opte pelos pobres, como se a Igreja Católica não
optasse pelos pobres, é uma forma excludente que eles têm
de optar pelos pobres, por isso João Paulo II, quando declarou
que a opção pelos pobres não era exclusiva nem excludente,
referia-se à Teologia da Liberação”. Do mesmo
modo, Dom Livieres explicou que “Leonardo Boff é livre de
vir e ir onde quiser, eu não concordo com suas opiniões
teológicas de jeito nenhum.
Eu lhe pediria que não vá à Universidade
Católica porque aí se proporciona a doutrina da Igreja Católica
e a doutrina de Boff não é da Igreja Católica”.
Ao comentar a relação entre Lugo e Boff e a eventual aplicação
da teologia marxista da libertação no Paraguai, o Prelado
comentou que “essa relação é habitual, faz
muitos anos que estão conectados. A Teologia da Libertação
é um problema interno da Igreja, não é uma guerrilha,
é um modo errado de entender o sacerdócio e toda a teologia.
Lugo caiu faz muitos anos no mesmo engano, mas não é um
engano político, mas sim é um engano doutrinal”. Do
mesmo modo o Bispo paraguaio descartou a possibilidade de que existam
fricções ente a Igreja e o futuro governo, sempre e até
que Fernando Lugo “não se meta em questões da Igreja
e esta em questões do Estado”.
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