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MÁLI: 28/07/2008
Paz
Progressos nos colóquios de paz entre autoridades maleses e rebeldes
tuareg
Os representantes do governo do Máli e os da rebelião
tuareg se encontrarão nos próximos dias para continuar os
colóquios para a aplicação dos acordos de paz assinados
em julho de 2006. Estes entendimentos mediados pela Argélia ficaram
em grande parte sem aplicação e os confrontos entre os rebeldes
tuareg e as forças maleses nunca cessaram. A Argélia, que
olha com crescente preocupação a segurança do sul
do Saara, conseguiu convencer as partes a se sentarem novamente à
mesa das negociações. No dia 21 de julho foi obtido em Alger
um novo acordo, que levou a uma cessação de fogo imediato.
Os entendimentos prevêem que as partes tenham um tempo até
o dia 15 de agosto para encontrar um acordo sobre a liberação
dos prisioneiros (existem pelo menos 92 soldados maleses nas mãos
dos diversos grupos de guerrilha), a retirada das minas do território
e o retorno dos refugiados. Uma comissão mista de rebeldes e representantes
do governo deverá supervisionar a aplicação dos acordos
já obtidos.
A imprensa argelina salienta o fato de que o sucesso
da diplomacia de seu país não é apenas uma questão
de prestígio e de política de boa vizinhança, mas
está diretamente relacionada com a segurança nacional. Segundo
esta interpretação, de fato, no sul do Saara, entre a parte
meridional da Argélia, o Máli e outros países da
área, criou-se uma “zona franca”, onde prosperam contrabandistas
(de armas, de drogas e de seres humanos), formações rebeldes
e terroristas. A Argélia está particularmente preocupada
com a presença de islâmicos radicais do “Grupo salafita
para a predicação e o combate” (GSPC), que há
algum tempo adotou a denominação de Al Qaida do Magreb,
depois de ter proclamado a sua fidelidade a Bin Laden. A presença
de uma rebelião tuareg no norte do Máli contribui para a
instabilidade da área e é por isso que Alger procurou fazer
reconciliar as duas partes. Os tuareg são uma população
nômade que vive no Saara, principalmente entre o Máli, o
Niger e o sul da Argélia (existem populações tuareg
também na Líbia, Burkina Faso e no Chade).
Os tuareg se sentem discriminados pelos governos dos
países onde vivem e iniciaram diversos movimentos de guerrilha.
Além do Máli, também no Niger existem atualmente
rebeliões tuareg. No caso do Máli, a Aliança democrática
para a mudança, a denominação que agrupa os diversos
movimentos rebeldes tuareg no país, preferiu negociar com o governo
também por causa dos apoios internacionais dos quais o Estado se
beneficia. A Argélia, de fato, criou patrulhas mistas na fronteira
com o Máli, onde o exército é adestrado, armado e
reorganizado pelos Estados Unidos, no âmbito do seu programa de
assistência aos países ao sul do Saara. O acordo é
facilitado pelo fato de que os tuareg não pedem a independência,
mas ajudas econômicas para desenvolver a região onde vivem.
Trata-se das três regiões econômicas e administrativas
de Tombouctou, Gao e Kidal, que correspondem a dois terços do território
nacional e a 10% da população do país.
Fides
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