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ITÁLIA: 17/12/2008
Testemunho
Franz Jagerstatter, beato que teve de escolher entre Cristo e Hitler
Um homem «valente», que agiu «de
acordo com sua consciência»:
- foi assim que o cardeal Christoph Schonborn, arcebispo
de Viena, qualificou o beato Franz Jagerstatter, que morreu assassinado
pelo regime nazista durante a 2.ª Guerra Mundial.
«Nosso tempo precisa destes testemunhos»,
assegurou o purpurado, ao explicar o motivo da homenagem que se tributou
a ele em Roma. A biografia do beato mártir, publicada na Itália
com o título «Cristo ou Hitler?», foi apresentada no
dia 10/12 passado na basílica de São Bartolomeu apóstolo.
Além do purpurado austríaco, intervieram na apresentação
Marco Impagliazzo, presidente da comunidade de Sant'Egidio, Jean-Dominique
Durand, docente de história contemporânea da universidade
Jean Moulin, da França e o jornalista Aldo Maria Valli.
Também estiveram presentes o autor do
livro, Cesare Zucconi, e a esposa do beato, Franziska Jagerstatter, assim
como suas três filhas:
- Rosalia, Maria e Luisa.
«Franz Jagerstatter era um homem sincero consigo
mesmo e com os demais, um homem que buscava a força na fé
e, deste modo, ainda na fraqueza, teve uma grande força diante
do mal absoluto», disse Cesare Zucconi à Zenit.
A coragem
de dar a vida
Franz Jagerstatter, beatificado em 26/10/2007, nasceu
em 20/05/1907, na aldeia de St. Radegung (Áustria). Homem de fé
e sacramentos, em 1936 casou-se com Franziska. Em 1943, em plena guerra
mundial, foi obrigado a fazer parte do regime hitleriano, mas ele estava
seguro de que não podia servir uma guerra injusta. Seis anos atrás,
o beato havia lido a encíclica «Mit Brenneder Sorge»
(Com ardente preocupação), do Papa Pio XI, que condenava
o nazismo. «Não era um revolucionário, mas encontrou
no Evangelho a força para dizer ‘não posso’»,
afirmou o professor Jean-Dominique Durand durante a apresentação
do livro.
O catedrático assegurou que o beato mostra um
exemplo de fé verdadeira, diferente da de «tantos ‘cristianistas’,
ou seja, os cristãos que vivem sem Cristo». Estando na prisão,
escrevia cartas à sua esposa Franziska, que decidiu doar algumas
destas à basílica de São Bartolomeu para que estejam
à disposição dos peregrinos que visitam este templo,
onde também repousam outras relíquias de diversos mártires
do século XX. «Agradeço ao nosso Salvador porque pude
sofrer por ele. Confio em sua infinita misericórdia. Espero que
tenha me perdoado tudo e que não me abandone em minha última
hora...
Cumpri os mandamentos e, com a graça de Deus,
logo voltaremos a nos ver no céu», diz em uma de suas cartas.
O beato Jagerstatter era um homem simples. Leigo, pai de família.
«Era um personagem fortemente moderno, porque no fundo se interroga
sobre perguntas que têm a ver conosco hoje. Por exemplo, a questão
da coincidência, a liberdade do cristão e a relação
com a escritura e com seu tempo», assegurou o autor. Franz foi processado
por insubmissão, por um tribunal militar reunido em Berlim, que
em 06/07/1943 o condenou à morte. Permaneceu detido desde março
até 05/1943, na prisão militar de Linz.
Um mártir que tem muito a dizer aos cristãos
do século XXI:
- «Nós, cristãos, podemos
viver esta fé simples que Franz vivia: - lendo a Escritura,
amando os demais, orando.
É o que Franz viveu até as últimas
conseqüências, e também nós podemos viver isso
hoje», sintetizou o autor.
Zenit
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