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GANA: 05/09/2008
Pobres
“Accra deve ajudar os pobres a serem protagonistas de seu desenvolvimento”
afirmam os representantes das Igrejas cristãs ao Fórum de
Alto Nível sobre a Eficácia de Ajuda
“Metade das ajudas chegam sob forma de caros consultores
que respondem às regras dos doadores. As comunidades locais devem
ter um papel maior ao tomar decisões que condicionam a vida de
muitas pessoas. Isto significa o fim das condições impostas
por doadores internacionais que continuam a ameaçar a gestão
democrática das ajudas”. Assim, Gweneth Berge, representante
do ACT Development (o ACT, de acordo com o site oficial, “reúne
as Igrejas cristãs e organizações relacionadas, em
uma nova aliança global para erradicar a pobreza, a injustiça
e a violação dos direitos humanos”) critica o atual
sistema de ajudas doadas aos paises menos desenvolvidos, em um comunicado
de imprensa divulgado às vésperas do terceiro Fórum
de Alto Nível sobre a Eficácia da Ajuda, que se abriu em
02/09, em Accra, Gana.
O comunicado, enviado à Agência Fides, é
assinado pela Caritas Internationalis, pelo Simpósio das Conferências
Episcopais da África e Madagascar (SECAM), por All Africa Conference
of Churches (AACC), International Cooperation for Development and Solidarity
(CIDSE), e ACT Development. “Nossa preocupação é
que os interesses dos pobres não estejam refletidos nos documentos
preparatórios da conferência de Accra”, afirmam os
signatários. “Cerca de 29 mil crianças com menos de
cinco anos morrem a cada dia, a cada 21 minutos, por causas previsíveis.
Seis milhões, dos quase 11 milhões de crianças que
morrem a cada ano poderiam ser salvas com medidas eficazes, baratas e
com o uso de pouca tecnologia.
Accra tem o potencial de melhorar a maneira de colocar
fim ao escândalo da pobreza, mas somente se ajudar os pobres a serem
atores de seu desenvolvimento” – acrescenta Mvume Dandala,
Secretário Geral da All Africa Conference of Churches. “As
Igrejas e organizações religiosas são grandes fornecedores
de saúde, instrução e outros serviços sociais
em países em desenvolvimento. Elas devem ser reconhecidos parceiros
no fornecimento de ajudas ao desenvolvimento” – frisa Dom
Francisco Silota, Bispo de Chimoio (Moçambique), que representa
o SECAM no Fórum de Accra.
“Contribuímos também para uma mudança
de mentalidade dos cidadãos africanos. A síndrome de dependência
deve ser superada. As pessoas devem entender que receberam talentos e
carismas, para poderem definir seus destinos. Mas devem usá-los”
– acrescenta o Bispo. Participaram do Fórum de Accra 800
representantes de doadores multilaterais e bilaterais, governos de países
em desenvolvimento, e organizações da sociedade civil. A
reunião vai examinar a declaração de Paris, um cronograma
para melhorar a eficácia das ajudas assinado por cem ministros,
chefes de agências e outros funcionários, na capital francesa,
em março de 2005, para alcançar um dos Objetivos de Desenvolvimento
do Milênio, estabelecidos pela ONU, ou seja, a redução
à metade da pobreza global até 2015.
Fides
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