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EQUADOR: 13/08/2008
CAM III
O Caráter Continental dos Congressos Missionários
“A Missão, nascida do amor salvador do Pai,
do Filho e do Espírito Santo, é a própria essência
da Igreja, renova-a constantemente, dá novo vigor à sua
fé e identidade, concede-lhe novo entusiasmo e novas motivações”
(RM 2)
O Continente da Esperança prepara-se para
um grande evento eclesial:
- o 3.° Congresso Missionário Americano (CAM
3), também conhecido como 8.° Congresso Missionário
Latino-Americano (Comla 8), que terá lugar na cidade de Quito (Equador),
de 12 a 17 de agosto de 2007. O tema será A Igreja em Discipulado
Missionário.
Os Congressos Missionários Latino-Americanos (Comlas)
nasceram por inspiração e promoção das Pontifícias
Obras Missionárias. Foram organizados em colaboração
com as Conferências Episcopais, com a participação
ativa das Igrejas particulares e de todos os organismos e forças
missionárias. Os Comlas tiveram origem nos Congressos Missionários
Nacionais do México (1977), mas, com o tempo, adquiriram caráter
de ação continental.
A América, entre crises e esperanças
A América, especialmente a América Latina,
vive uma crise socioeconômica muito grave, caracterizada por: dívida
externa, pobreza, desemprego, desnutrição, mortalidade,
falta de remédios, mendicância, delinqüência,
migração, ou seja, a maioria do povo vive em situação
de miséria e exclusão. A fenda entre os poucos que têm
muito e os muitos que têm pouco é cada vez mais acentuada.
Na América vivem cerca de 780 milhões de pessoas, das quais
aproximadamente 490 milhões católicos (63%).
A realidade estatística do nosso continente faz
de nós a esperança da Igreja e do mundo, mas, como católicos,
devemos ao mundo, por justiça, o anúncio de Jesus Cristo.
A luz de sua consciência missionária e pastoral, o que é
que a Igreja da América Latina e do Caribe pode oferecer hoje à
Missão, tanto no continente, como além de suas fronteiras?
A resposta deve ser buscada permanentemente, levando em conta os “sinais
dos tempos” e as diferentes situações que o Espírito
do Senhor nos apresenta.
O Documento de São Domingos sintetizou
esta responsabilidade evangelizadora e missionária a partir de
campos de ação ou desafios:
- a Missão além-fronteiras, a revitalização
dos fiéis que se afastaram, o diálogo com os outros cristãos
e novos movimentos religiosos, a atenção para com os indiferentes
e ateus.
Nossa Missão deve ser, antes de tudo, uma Missão
de pobres para com pobres, na comunhão e na reciprocidade das Igrejas
da América Latina e do Caribe, e dos Continentes Asiático
e Africano, testemunhando e anunciando os valores do Evangelho, e, com
eles, aprendendo fraternalmente. A América vive momentos de ardor
missionário, e quer responder com gestos concretos à confiança
depositada no “Continente da Esperança”, pois somos
43% dos católicos do mundo. Somos, pois, a esperança da
Igreja no 3o Milênio.
A Europa, de evangelizadora a evangelizada
A Europa é um continente que tem raízes
cristãs muito profundas, e de lá partiram milhares de missionários
para o mundo todo. Era e ainda é um continente missionário.
Muitos deles foram pioneiros em todos os continentes. Eles levaram o Evangelho
à América, África, Oceania e Ásia. Trabalharam
arduamente para levar o Evangelho até os confins da terra. No entanto,
os missionários europeus são cada vez mais adultos e os
jovens são poucos. Logo a Europa não poderá satisfazer
nem as próprias necessidades pastorais. Na Itália e na Espanha
há muitos sacerdotes africanos trabalhando como párocos.
Há cada vez menos vocações na Europa, muitos seminários
estão vazios, a mentalidade dos cristãos europeus está
mudando vertiginosamente. Ela sofre um processo de descristianização,
é cada vez menos cristã, menos católica.
A Europa vive uma situação econômica
que proporcionou às suas populações muito bem-estar
e comodidade. Ao mesmo tempo, está se tornando um continente de
adultos, pois quase não há crianças. As famílias
numerosas já não existem. Milhares de famílias têm
um único filho. Os jovens estão se perdendo em experiências
distanciadas de Deus. O materialismo, as drogas e a indiferença
os atingem. Os europeus tornaram-se pouco a pouco uma sociedade hedonista,
consumista e altamente egoísta. Por outro lado, milhares de migrantes
chegam à busca de trabalho. Também se acentuou o racismo.
A Europa está passando de evangelizadora a evangelizada. Logo precisará,
em médio prazo, da nossa cooperação missionária,
da nossa oração e, sobretudo, dos nossos missionários,
para ser, novamente, evangelizada. Ademais, prevê-se que deixará
de ser a provedora de recursos econômicos para a execução
de milhares de projetos de ajuda a outros continentes, especialmente a
África e a América Latina.
A África, a nova Pátria de Cristo?
A Igreja Católica experimentou um crescimento
espetacular na África. Vive um momento de especial importância,
no qual está em jogo a autenticidade de seu seguimento evangélico
e de seu serviço. Dos 750 milhões de habitantes africanos,
123 milhões são católicos, número que supõe
um crescimento espetacular, se se comparar com o milhão que eram
nos inícios do século 20, ou os 24 milhões de 1960.
Desde esse ano ao ano de 2000, os cardeais passaram de 1 a 14, os bispos
nativos, de 40 a 405, os sacerdotes, de 2 mil a 15.535. Os seminaristas
maiores são quase 17 mil, e os catequistas, 343 mil. A Bíblia
foi traduzida para muitas línguas locais, foram formados milhares
de líderes, foram abertas escolas, hospitais, centros de formação
agrícola, organizaram-se estruturas paroquiais, diocesanas e internacionais.
A África, cujos habitantes se distinguem especialmente
por seu amor à vida e por sua capacidade de desfrutá-la,
é hoje como Israel que exige a libertação do Egito
das guerras, das epidemias, do analfabetismo, da falta de respeito, dos
direitos humanos, das multidões de refugiados. A Igreja Católica
assumiu o grito pela vida, ao afirmar em sua mensagem sinodal: “Cristo,
nossa Esperança, está vivo, e nós viveremos.”
A Igreja Católica vive na África um momento de especial
importância, no qual se questiona a autenticidade do seguimento
evangélico e de seu serviço. No entanto, ela precisa de
nosso apoio, para converter-se na nova pátria de Cristo. Nossa
oração e contribuição econômica são
vitais para se alcançar este objetivo.
A Ásia, evangelização e
desafios do 3.° Milênio
A Europa conheceu o Evangelho no 1.° Milênio;
a América e África, no 2.° Milênio. Agora, no
3.° Milênio, a Igreja espera uma abundante colheita. O continente
asiático é o maior desafio que a Igreja tem adiante. A evangelização
da Ásia não é de forma alguma algo fácil.
Basta pensar um pouco nos números – que neste continente
são sempre de grandes dimensões –, para descobrir
a magnitude da Missão. A Ásia significa, antes de tudo,
inúmeras pessoas. Asiática é 60% da humanidade, quase
a metade dela tem menos de 15 anos, e a imensa maioria vive em extrema
pobreza. E Ásia significa, sobretudo, variedade, pluralismo, multiplicidade.
Desigualdades físicas e geográficas, variedade de raças
e grupos étnicos, diversidade de línguas (só na China
existem mais de 800), sistemas políticos e estruturas sociais.
A Ásia é composta não só
de países, mas de diversos países e mundos diferentes. Existem,
portanto, muitas Ásias. Cada uma delas tem sua própria e
forte riqueza espiritual. Ásia também significa religião.
Nela surgiram, além do Cristianismo, outras grandes religiões:
Hinduísmo, Judaísmo, Islamismo, além de muitas outras
tradições religiosas, como o Taoísmo, o Confucionismo,
o Xintoísmo e inumeráveis crenças e visões
de mundo indígenas. Na Ásia vivem 85% de todos os não-cristãos
do mundo, ao passo que os católicos – cerca de 100 milhões
– são apenas 2,9% dos 3,7 milhões de asiáticos.
Estes números mostram claramente a enorme tarefa que a Igreja tem
pela frente.
A Oceania ainda espera colaboração
A Oceania, com seus 30 milhões de habitantes,
dos quais 8 milhões são católicos, enfrenta grandes
dificuldades, pois as populações estão muito distantes
umas das outras, razão pela qual complica-se a atividade evangelizadora
da Igreja. A isso se soma a escassa presença de missionários.
Sem dúvida, existe uma grande esperança:
- os cristãos atuais são
muito comprometidos. Este compromisso tornou-se realidade, quando enviam,
apesar do escasso número de agentes de pastoral, “além-fronteiras”
muitos dos seus melhores evangelizadores.
O Equador é um país que recebeu numerosos
missionários da Oceania. Os primeiros missionários católicos
chegaram à Oceania em 1827, bem depois da chegada dos missionários
protestantes, em 1793. Dentre os grandes missionários que trabalharam
na Oceania, destacamos o Pe. Damião de Veuster (1840-1889), missionário
comboniano, que viveu 16 anos entre os hansenianos na Ilha de Molokai,
no Havaí, e morreu como leproso. A Oceania espera nossa cooperação.
É um continente que mal conhecemos, mas que está à
espera de nossa presença missionária.
Manoel Roque Tavares*
Fonte: POM
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