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DJIBUTI: 23/09/2008
Guerra
Situação alarmante com a persistência das tensões
na fronteira do país e da Eritréia, afirma a ONU
Permanece alta a tensão na fronteira entre a Eritréia
e o Djibuti, depois que no último mês de junho os confrontos
entre militares dos dois países provocaram mais de 35 mortos e
uma dezena de feridos. A constatação é de uma missão
das Nações Unidas encarregada de avaliar a situação
naquela área. Nos primeiros dias de junho começaram alguns
graves confrontos entre as forças armadas do Djibuti e as da Eritréia
ao longo de uma área de fronteira que é contestada pelos
dois países do Corno da África, uma região conhecida
como Doumeira. Os combates explodiram depois de diversas semanas de crescentes
tensões entre as duas partes, quando houve um reforço dos
respectivos exércitos na área.
A Eritréia recusou-se em receber a missão
da ONU que, conseqüentemente, pôde examinar somente a versão
dos fatos apresentada pelo governo do Djibuti. “Se não for
enfrentada de modo tempestivo e completo, a divergência entre o
Djibuti e a Eritréia poderia ter um forte impacto negativo sobre
toda a região e sobre a comunidade internacional”, afirma
o relatório. Os especialistas da ONU afirmaram que no Djibuti está
em curso uma onerosa mobilização militar, para enfrentar
uma situação que ameaça a paz regional. “A
eventual desestabilização do Djibuti e a militarização
do estreito de Bab El-Mandeb, que liga o mar Vermelho ao golfo de Aden
e é um ponto de passagem estratégico do e para o mar Mediterrâneo,
não é um bom sinal para a paz da região e para o
tráfego marítimo internacional.
Por isso é preciso encontrar soluções,
como uma questão da máxima prioridade.” As Nações
Unidas deveriam convencer a Eritréia e o Djibuti a desmilitarizarem
a fronteira e a tornarem ao “status quo ante, como era em fevereiro”,
afirma o relatório. Os especialistas da ONU salientaram também
a necessidade, para as duas partes, de chegarem a um acordo sobre qual
dos diversos tratados e protocolos, datados do período colonial,
deveria ser aceito como base para definir a fronteira que os separa. Existe
o tratado entre a Abissínia e a França em 1897, os protocolos
de 1900-1901 entre a França e a Itália, ou ainda o tratado
de 1935, entre a França e a Itália. “É trágico
que dois países estejam a ponto de fazer a guerra por causa de
tratados e protocolos que foram estipulados quando não existiam
ainda como Estados independentes”, conclui o relatório.
Fides
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