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CHINA: 11/08/2008
Olimpíadas
Bispo explica por que aceitou participar de inauguração
de Jogos Olímpicos
O Bispo Ajudante de Hong Kong, Dom John Tong Hon, explicou
as razões que o levaram a aceitar "com sentimentos ambivalentes"
o convite que lhe fez o Governo chinês para assistir à inauguração
dos Jogos Olímpicos de Beijing, dada a perseguição
religiosa contra os católicos por parte das autoridades que se
mistura com a alegria que experimenta por ser a China o país sede.
Em um artigo publicado em L'Osservatore Romano, depois de comentar que
gosta do basquete e que considera boa e necessária a atividade
física, o Prelado chinês conta que logo que recebeu o convite
do Governo "entendi que devia consultar os meus superiores. A Santa
Sé não mostrou objeções; e o Cardeal Joseph
Zen (Bispo de Hong Kong) alentou-me a ir. Portanto decidi aceitar".
Seguidamente Dom Tong lembra que o próprio Papa
Bento XVI expressou seu desejo de que os Jogos Olímpicos na China
"tenham um grande sucesso". "Entretanto, embora tinham
sido convidados a Beijing os responsáveis pelas seis religiões
maiores em Hong Kong, só no caso da Igreja Católica o convite
não se fez à autoridade mais alta. Senti vergonha porque
nosso governo ignorou ao Cardeal Zen e me convidou em seu lugar",
acrescenta o Prelado. Continuando, Dom Tong expressa seu pesar porque
"certo número de responsáveis católicos se encontra
ainda no cárcere ou com arresto domiciliário" e menciona
o caso de seis bispos nesta situação, e assinala que muitos
sacerdotes e fiéis "sofrem por nossa fé católica
e pela fidelidade ao Santo Padre".
Logo depois de explicar as medidas que o Governo chinês
tomou para evitar ao máximo a contaminação durante
os Jogos Olímpicos, paralisando o trabalho de algumas indústrias
e fábricas, o Bispo Auxiliar de Hong Kong expressa sua esperança
de que algum dia as autoridades "compreendam também a importância
de uma maior liberdade religiosa e social".
Ao lembrar a Jornada de Oração
pela China de 24/05, o Prelado narra como a polícia impediu à
maioria de católicos ingressar no Santuário do Sheshan nos
subúrbios de Shangai e precisa:
- "as autoridades ainda não confiam nos católicos
chineses e se sentem ameaçadas quando praticamos nossa fé".
Mas não tudo é negativo, conforme assinala
o Bispo Auxiliar, que comenta como o Governo mostrou alguns sinais de
abertura depois do recente terremoto que afetou a zona de Sichuán;
pois logo depois do sismo todo o país "mobilizou-se como uma
só grande família para ajudar às vítimas".
"Os cinco anéis do logotipo olímpico são conhecidos
em todo mundo. Queria que a China atribuisse a mesma importância
aos cinco aspectos interligados da democracia, os direitos humanos, o
estado de direito, a justiça e a paz".
Seguidamente comentou que "os Jogos Olímpicos
mostram o progresso material da China. Nós os cristãos sublinhamos
mais o desenvolvimento espiritual. Com São Paulo, nós gostamos
de assemelhar nosso caminho espiritual ao correr para a meta 'para chegar
ao prêmio que Deus preparou para nós em Cristo Jesus'".
"Nosso Senhor amou a seu país natal, a Israel, a toda a raça
humana e também a seu Pai Celeste. Então não há
conflito para nós em passar de um círculo de amor a um amor
mais belo e maior. Não é pecado para os cristãos
ter sentimentos ambivalentes, mas devemos também nutrir a fé,
a esperança e a caridade".
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