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BRASIL: 06/08/2008
Negros
As lutas e conquistas do presbítero negro
O colorido e a alegria da cultura afro-brasileira tomaram
conta do Santuário Nacional no 31/07, na missa das 9h. Quem visitava
a Basílica naquele dia se surpreendeu com a quantidade de novos
elementos que compuseram a tradicional celebração da manhã.
A missa, presidida pelo bispo de São Mateus (ES), Dom Zanoni Demettino
Castro, celebrava o encerramento do 20.º Encontro Negra Mariama,
que reuniu cerca de 60 bispos, padres e diáconos negros entre os
dias 29 e 31/07, pela primeira vez, sediado na Casa da Mãe Aparecida.
“Está sendo uma celebração linda e é
muito importante que eventos como esse tenham um destaque, afinal o negro
ainda sofre muito preconceito na sociedade brasileira”, disse Rosa
Anselmo, de 57 anos, que integrava a romaria a pé da cidade de
Campo do Meio (MG) e acompanhava a celebração. O Encontro
ocorre cada ano num local diferente do País.
Neste ano, pela primeira vez, o Santuário foi
escolhido. “Escolhemos Aparecida pelo significado que Nossa Senhora
tem para todo o povo brasileiro e, com certeza, para toda a comunidade
negra. Lembramos ainda que, em 1982, na celebração da missa
dos Quilombos (Recife-PE), Dom Hélder (Câmara) na sua prece
chamou Aparecida de Negra Mariama – Maria que ama. Por isso, lembramos
também os 100 anos de nascimento de D. Hélder e desse nosso
sonho de vir aqui, para rezar, refletir e prestar nossa oração
a Nossa Senhora Aparecida”, conta o assessor da Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para a Pastoral Afro-Brasileira,
Pe. Ari Antonio dos Reis. Pe. Ari ressalta ainda que em 2008 também
se celebra os 20 anos do Instituto Mariama (IMA), os 20 anos da Campanha
da Fraternidade que enfocou o tema do povo negro e os 120 anos da Abolição
da escravatura.
O Documento de Aparecida e a vocação do
presbítero negro foram outros assuntos incluídos na pauta.
O tema do evento deste ano foi “Negra Mariama chama para celebrar
os vinte anos do IMA” e o lema, “Solidariedade e Compromisso”.
O Encontro também contou com a presença do Arcebispo emérito
de João Pessoa (PB), Dom José Maria Pires, que orientou
um retiro, do bispo referencial da Pastoral Afro-Brasileira, Dom João
Alves dos Santos, e dos bispos Dom Antonio Wagner, Dom Gilio Felicio e
Dom Sérgio Krzwz. Ao final do evento, os participantes aprovaram
uma carta, em que afirmam o compromisso do padre negro como servidor.
“O presbítero negro é convidado a ser o servidor da
humanidade, a fazer a experiência da verdadeira fraternidade e a
contemplar a obra salvadora de Deus. Neste propósito vive a plenitude
da tradição afro”, diz o texto.
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