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ARGENTINA: 16/09/2008
Vida Eclesial
Povo fiel quer sacerdotes próximos e misericordiosos, afirma Cardeal
O Arcebispo de Buenos Aires, Cardeal Jorge Mario Bergoglio,
chamou os sacerdotes a ser próximos ao povo fiel e evitar converter-se
em "clérigos de estado, funcionários" que esquecem
que pertencem ao povo de Deus para serví-lo. "O povo fiel
de Deus, ao que pertencemos, do que nos tiraram e ao que nos enviaram
tem um especial olfato originado no ‘sensus fidei’ para detectar
quando um pastor do povo vai virando clérigo de Estado, um funcionário",
afirmou o Cardeal em sua mensagem pelo 5.º Encontro Nacional de Sacerdotes.
O Cardeal Bergoglio assinalou que "não
é o mesmo que no caso do presbítero pecador:
- todos o somos e seguimos no rebanho.
Pelo contrário o presbítero mundano entra
em um processo distinto, um processo –permita-se me a palavra–
de corrupção espiritual que atenta contra sua mesma natureza
de pastor, desnaturaliza-o, e lhe dá um status diferenciado do
santo povo de Deus". Do mesmo modo, ao referir-se ao documento de
Aparecida, lembrou que a identidade do sacerdote "é sua pertença
ao povo de Deus concreto". Entretanto, advertiu que "o que lhe
tira ou confunde sua identidade é precisamente o isolamento de
sua consciência em relação a esse povo e sua pertença
a qualquer convocatória de tipo gnóstico ou abstrato, quer
dizer a tentação de ser cristão sem Igreja".
O Cardeal Bergoglio acrescentou que "a atitude de serviço
é uma das características que Aparecida pede aos sacerdotes".
Explicou que esta "nasce da dupla dimensão de discípulos
apaixonados e ardorosos missionários" dedicados, especialmente,
a "os mais fracos e necessitados".
Também se referiu ao chamado a ser misericordiosos
e a não perder a "consciência de pecador", tão
fundamental no discípulo "e mais ainda se for presbítero",
porque "salva-nos desse perigoso deslizar-se para uma habitual (e
até diria normal) situação de pecado, aceita, acomodada
ao ambiente, que não é outra coisa senão corrupção.
Presbítero pecador sim, corrupto não". Nesse sentido,
pediu aos sacerdotes exercer corretamente o sacramento da Reconciliação,
evitando os extremos da rigorosidade e a lassidão, pois com nenhum
se obtém "ser testemunha do amor de misericórdia que
nos ensinou e nos pede o Senhor porque nenhum dos dois se faz cargo da
pessoa". "O rigorista remete (ao fiel) à frieza da lei,
o laxista não o leva a sério e procura adormecer a consciência
de pecado. Só o misericordioso se faz cargo da pessoa, o faz próximo,
vizinho, e o acompanha no caminho da reconciliação",
afirmou.
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