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ANGOLA: 08/08/2008
Política
Em campanha eleitoral para as segundas eleições gerais do
país
Presidente
da República apela á não violência, tolerância
e civismo
Os 14 concorrentes às legislativas de 5 de Setembro,
em Angola, iniciaram, esta terça-feira, a campanha eleitoral para
as segundas eleições gerais em 33 anos de independência
e 16 anos depois das primeiras, em 1992. A 05/09 cerca de 8,3 milhões
de eleitores, numa população estimada em 16 milhões,
vai pela segunda vez a votos em 33 anos de independência de Angola.
Durante a pré-campanha, a Oposição empunhou a bandeira
da necessidade de alternância no Poder, que o Movimento Popular
de Libertação de Angola (MPLA) exerce desde 1975, e o partido
do Governo respondeu com a convicção de continuar a governar
Angola em nome do desenvolvimento. As primeiras eleições
gerais em Angola foram realizadas em 1992.
As presidenciais foram interrompidas com o reacender
da guerra civil que apenas terminou em 2002, com a morte em combate do
líder fundador da UNITA, Jonas Savimbi. Para as legislativas deste
ano, participarão 10 partidos políticos e quatro coligações
que perfazem 34 partidos. Invocação à tolerância,
à tranquilidade e a Paz marcaram o discurso do Presidente da República
à nação e sobretudo ao partidos políticos
e coligações partidárias numa chamada de atenção
para uma campanha política ordeira e educada. O desejo de José
Eduardo dos Santos é de que a campanha eleitoral decorra sob o
signo da não violência, do respeito, da honestidade e da
liberdade.
Reiterou que "as eleições livres,
justas e competitivas exigem que se rejeitem todas as formas de intimidação,
insulto, violação de direitos e desestabilização
política". Segundo o Chefe de Estado, não há
razões para se alimentar qualquer pensamento pessimista ou derrotista
porque "somos um povo pacífico e amante da liberdade que está
consciente de que as grandes conquistas no domínio político,
econômico e social só se obtêm na paz, na estabilidade
e na concórdia social". Na mensagem à Nação,
o Chefe de Estado considera que cada partido deve apenas utilizar a "arma
das idéias" para convencer o eleitorado, enquanto o cidadão
eleitor terá como "arma" o seu voto para escolher quem
quer, no quadro do estabelecido pelas leis vigentes no país.
A campanha eleitoral para as eleições legislativas
angolanas arrancou contudo com fortes críticas de todas as forças
políticas da oposição contra o executivo e o MPLA,
partido no poder há 33 anos, por não lhes ter sido entregue
ainda o subsídio a que têm direito e também pela desigualdade
de tratamento nos órgãos de comunicação social
estatais. A oposição acusa o executivo do presidente Eduardo
dos Santos de não ter distribuído ainda as verbas para a
campanha conforme estipula a Lei Eleitoral, enquanto o seu partido, o
MPLA, "dispõe de todos os meios técnicos, materiais
e de deslocação para a sua propaganda". De acordo com
a legislação, a verba para a campanha eleitoral deve ser
entregue aos partidos até 90 dias antes do acto eleitoral.
Por outro lado, a Rádio Nacional e a Televisão
Pública de Angola não disponibilizam os seus meios técnicos
para a realização dos tempos de antena, o que obriga os
partidos a recorrerem a empresas privadas. Ora, sem os subsídios,
os pequenos partidos vêem-se impossibilitados de realizar os tempos
de antena. Entretanto a Comissão Europeia (CE) enviou para Angola
uma missão de observadores (90) para acompanharem o decorrer das
eleições legislativas. De acordo com Bruxelas, sete especialistas
da missão, chefiada pela eurodeputada Luisa Morgantini, chegaram
a Angola. Prevê-se que no próximo dia 8 do mês corrente
cheguem ao terreno outros 44 observadores de longo prazo, encarregados
de acompanhar o período da campanha eleitoral, entre os quais peritos
da Suiça e Noruega. Após as eleições, a missão
ficará no país ainda algumas semanas.
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