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BOLONHA: 15/09/2008
Guerra Religiosa
«Por que os cristãos valem menos que os ursos?», pergunta
cardeal
O arcebispo
Carlo Caffarra denuncia o silêncio da mídia sobre as perseguições
na Índia
O cardeal Carlo Caffarra, arcebispo de Bolonha, denunciou
o «ensurdecedor silêncio da mídia, mais preocupada
com os ursos do que com os cristãos», durante a jornada de
jejum e oração convocada pelas dioceses italianas em solidariedade
com os cristãos perseguidos no estado indiano de Orissa, em 9 de
setembro passado.
Em sua homilia na catedral de Bolonha, o cardeal afirmou
que «a grandeza do mártir desmascara a pobre nudez do relativismo»,
e animou os fiéis lá reunidos a «compartilharem, com
o jejum e a oração a mesma paixão dos que são
perseguidos pelo nome do Senhor».
O purpurado denunciou o «ensurdecedor silêncio
dos meios de comunicação (exceto os católicos) com
relação a estas graves violações dos direitos
fundamentais da pessoa, o direito à vida e o direito à liberdade
religiosa».
«Este ‘silêncio ensurdecedor’
nos oferece matéria de profundas reflexões», comentou
o cardeal Caffarra, e se perguntou depois:
- «Por que as pessoas se preocupam mais pelo destino
dos ursos polares que pelos homens e mulheres culpados apenas por terem
escolhido a fé cristã?».
Segundo o arcebispo de Bolonha, este comportamento se
deve a que «o martírio incomoda gravemente quem crê
que no fundo tudo é negociável, quem nega que exista algo
sobre o que não se possa dispor ou que não possa ser comercializado».
«O mártir exalta a dignidade da pessoa,
de modo que só pode ser censurado por quem pensa que, no final,
o homem é só um fragmento corruptível de um todo
impessoal. A grandeza do mártir desmascara a pobre nudez do relativismo.»
O purpurado recordou a vida e os ensinamentos de Jesus,
que morreu na cruz para salvar os homens, e explicou que «nossos
irmãos e irmãs estão percorrendo o caminho do Senhor».
«Eles são o grão de trigo que, caído
na terra indiana, trará muito fruto – prosseguiu. Eles são
conscientes de que é melhor, se essa for a vontade de Deus, sofrer
fazendo o bem antes que fazendo o mal.»
«Estes irmãos e irmãs perseguidos
– concluiu – estão nos oferecendo o maior ensinamento
sobre o homem, sobre sua dignidade, sobre sua altíssima vocação.»
Por isso, «nada nos perturba, mas adorando só Cristo em nosso
coração, estamos sempre dispostos a responder a quem nos
peça razões de nossa esperança».
Zenit
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