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ZIMBÁBUE: 26/03/2007
Repressão
Novas pressões sobre o governo: desta
vez, também dos países africanos
Após anos de passividade, também os países
africanos começam a criticar o Presidente Robert Mugabe pela repressão
aos opositores e a forte limitação dos direitos humanos.
Segundo o Presidente da Zâmbia, Levy Mwanawasa, Zimbábue
“é um Titanic que está afundando” sob o peso
de sua grave crise econômica, social e política. Durante
sua visita à Namíbia, o Presidente da Zâmbia criticou
a posição diplomática seguida até o momento
pela Comunidade de Desenvolvimento da África do Sul (SADC). “A
diplomacia discreta - afirmou Mwanawasa - não conseguiu fornecer
alguma contribuição para resolver o caos político
e o colapso econômico de Zimbábue. Enquanto estou lhes falando,
um Estado membro da SADC encontra-se em dificuldades econômicas
tão graves que pode ser comparado a um Titanic que afunda, e cujos
passageiros se lançam ao mar, para tentar salvar-se” - acrescentou.
A linha de diálogo seguida até agora pelos
países da África austral foi imposta pela África
do Sul, que ultimamente recordou ao governo de Zimbábue de respeitar
os direitos humanos e os procedimentos burocráticos. O gesto do
governo sul-africano foi uma reação à prisão
e à brutal agressão ao líder da oposição,
Morgan Tsvangirai, e a cerca de trinta colaboradores. Também os
Estados Unidos e a União Européia defendem um ação
mais direta (com sanções mais miradas aos colaboradores
de Mugabe) e menos diplomática, para obrigar o regime de Zimbábue
a mudar sua linha política. O comportamento omissivo do governo
sul-africano havia sido criticado por Dom Pius Ncube, Arcebispo de Bulawayo,
que auspiciou a imposição de sanções também
por parte dos países vizinhos.
Até agora, o Presidente Mugabe havia conseguido
se esquivar da condenação de outros países africanos,
afirmando ser vítima de um “complô ocidental”
em retaliação a seu programa de distribuição
de terras dos 4 mil colonos de origens européias à população
do país. Se é verdade que havia um sério problema
de justiça social (a grande maioria das terras melhores estava
em mãos de descendentes de ex-colonizadores), é verdade
também que o programa de distribuição de terras foi
conduzido de maneira que destrói a economia do país. De
fato, não foi elaborado um plano de desenvolvimento real da população
local, mas seguiu-se apenas a lógica de premiar somente os colaboradores
do regime, atribuindo empresas agrícolas a pessoas sem alguma capacidade
de administrá-las. Após as declarações do
Presidente da Zâmbia, diversos comentadores afirmam que parece ser
provável uma mudança de posição da SADC em
relação ao regime de Mugabe.
Fides
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