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HONDURAS: 27/09/2007
Indígenas
Organizações rejeitam esboço do Projeto de Lei Indígena
Em comunicado à imprensa, a Organização
Fraternal Negra Hondurenha (Ofraneh) e o Conselho Cívico de Organizações
Populares e Indígenas de Honduras (Copinh) pedem a anulação
do esboço do Projeto de Lei Indígena que deve ser apresentado
ao Congresso Nacional, por parte do Programa de Apoio aos Povos Indígenas
e Negros de Honduras (Papin), do governo hondurenho, tendo como mutuário
do financiamento o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). As organizações
rejeitam o esboço por considerar que o projeto foi elaborado sem
a consulta à comunidade indígena e negra, o que seria uma
atitude de violação do Convênio 169 da Organização
Internacional do Trabalho (OIT), alem de transgredir o espírito
da nova Declaração das Nações Unidas sobre
os Direitos dos Povos Indígenas, de 13 de setembro de 2007.
"O direito à consulta tem sido ignorado,
pelo que exigimos que se anule o esboço apresentado", diz
o comunicado. As duas denunciantes apontam uma série de motivos
pelos quais o esboço deve ser anulado. Segundo elas, "o esboço
apresentado omite entre outras, desde os direitos coletivos, o direito
à autodeterminação e autonomia política, econômica,
territorial e cultural, até o respeito ao conhecimento tradicional,
além de acatar à Lei de Propriedade, que por si é
nula, pois é óbvio o direito à consulta". Em
um dos exemplos citados no comunicado, as organizações denunciam
que ao mesmo tempo em que o Artigo 6 do projeto, que trata das áreas
protegidas renováveis e não renováveis ressalta que
a ocupação, o aproveitamento e manejo se realizará
conforme os planos de manejo sustentável de acordo com os usos
e costumes de cada povo.
As comunidades indígenas e negras do país
que se encontram dentro destas áreas não foram incluídas
na elaboração dos planos de manejo. Sobre o Artigo 9, que
trata da permissibilidade de "realizar contratos de arrendamento
das zonas destinadas à produção comunitária,
sempre e quando não afete a subsistência", as organizações
afirmam que ele se "converte em potencial perigo, pois no caso da
exploração de minerais e hidrocarbonetos, as conseqüências
ambientais podem ser irreversíveis e as comunidades se convertem
em potenciais vítimas de agressões e divisões internas
para que ‘empresários’ associados com a elite de poder
consigam seus objetivos". Pautadas na violação de diferentes
Convênios internacionais, as organizações fazem um
chamado ao Congresso Nacional sobre o esboço da Lei Indígena
e alertam a opinião pública sobre a suposta tentativa do
BID de diluir e manusear o Convênio 169 e os direitos ancestrais
dos povos indígenas e negros.
Adital
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