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ÁUSTRIA: 11/09/2007
Papa
Bento XVI: crise da verdade, origem da crise do ocidente
Bento XVI, ao visitar esse sábado o santuário
mariano de Mariazell, na Áustria, confessou sua convicção
de que a atual crise do ocidente deve-se à resignação
de não conhecer a verdade. Foi a conclusão a que chegou
na homilia da missa na qual celebrou os 850 anos de fundação
desta meta de peregrinação que recebe anualmente um milhão
de católicos não só da Áustria, mas também
de países vizinhos. Na homilia, ante a imagem da Virgem, o Papa
havia proclamado o coração da fé da Igreja, segundo
o qual somente Jesus «é ponte que põe em contato imediato
Deus com o homem». «Agora – esclareceu, se nós
o consideramos como o único Mediador da salvação
válido para todos, que afeta a todos e do qual, em definitivo,
todos têm necessidade, isto não significa de nenhuma maneira
que desprezemos as outras religiões nem que sejamos soberbos de
pensamento».
Proclamar a fé cristã significa «unicamente
que fomos conquistados por quem interiormente nos tocou e nos cumulou
de dons para que por sua vez possamos entregá-los aos demais».
«De fato – constatou, nossa fé se opõe decididamente
à resignação que considera o homem incapaz da verdade,
como se esta fosse demasiado grande para ele». Escutavam o Papa
dezenas de milhares de peregrinos que participaram da celebração
eucarística presidida pelo pontífice ao ar livre, no exterior
da basílica do santuário. O bispo de Roma expressou sua
«convicção» segundo a qual «esta resignação
ante a verdade é a origem da crise do Ocidente, da Europa».
«Se para o homem não existe uma verdade, no fundo, não
pode nem sequer distinguir entre o bem e o mal».
«Então – assinalou –
os grandes e maravilhosos conhecimentos da ciência se fazem ambíguos:
- podem abrir perspectivas importantes para o bem, para
a salvação do homem, mas também – e o vemos
– podem converter-se em uma terrível ameaça, na destruição
do homem e do mundo». «Precisamos da verdade – reconheceu.
Mas claro, por causa de nossa história, temos medo de que a fé
na verdade comporte intolerância». «Se este medo, que
tem suas boas razões históricas, nos assalta, é tempo
de contemplar Jesus», disse.
E ao contemplá-lo, disse, se pode descobrir
que «a verdade não se afirma mediante um poder externo, mas
é humilde e só é aceita pelo homem através
de sua força interior:
- o fato de ser verdadeira». «Precisamos
desta força interior da verdade. Como cristãos, nos fiamos
desta força da verdade. Somos testemunhas dela». Esta desconfiança
na verdade implica também desconfiança no futuro, sentimento
que, segundo o Papa, explica o inverno demográfico do velho continente.
«A Europa empobreceu-se de crianças:
- queremos tudo para nós mesmos, e talvez não
nos fiemos demasiado do futuro».
Para recuperar a confiança na verdade, o Papa
propôs redescobrir a Deus. «A terra carecerá de futuro
se se apagam as forças do coração humano e da razão
iluminada pelo coração, quando o rosto de Deus deixe de
luzir sobre a terra», disse. «Ali onde está Deus, ali
há futuro», concluiu.
Zenit
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