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UGANDA: 17/10/2006
Violência
“Nunca perdemos a esperança
de libertá-las”
“Penso que os rebeldes não tenham feito
um bom negócio seqüestrando as estudantes de Aboke”,
afirma à Agência Fides a Ir. Dorina Tadiello, Vicária
das Missionárias Combonianas, recordando os eventos de 10 de outubro
de 1996, quando em Aboke (norte de Uganda) os rebeldes do Exército
de Resistência do Senhor (LRA) seqüestraram 139 estudantes
do St. Mary's College, administrado pelas Missionárias Combonianas.
“Naquela noite” - recorda a Ir. Dorina, que desempenhou em
Uganda 18 anos de missão - os rebeldes chegaram ao Colégio
sem problemas, apesar das vozes que circulavam desde a manhã sobre
as intenções dos rebeldes de seqüestrar as nossas estudantes”.
Graças à coragem de uma missionária,
porém, a maior parte das jovens foi libertada quase imediatamente,
como conta a Ir. Dorina:
“Quando os guerrilheiros escaparam com as 139 estudantes,
a Ir. Raquel, junto a um outro professor, os perseguiram por 20 km no
meio da savana. No fim, conseguiram alcançar o grupo de rebeldes
e a Ir. Raquel se ofereceu como refém no lugar das estudantes.
Depois de uma negociação muito tensa, os rebeldes aceitaram
libertar 109 jovens, mas ficaram com 30. A Ir. Raquel teve que tomar uma
decisão atroz, mas naquela situação era realmente
difícil agir de outra maneira”. Das 30 jovens prisioneiras,
24 conseguiram escapar, quatro foram mortas e duas ainda são prisioneiras.
“Sabe-se certamente que estão vivas. Foram vistas me um campo
do LRA na República Democrática do Congo e agora no Sudão”,
afirma a Ir. Dorina. “Não perdemos a esperança de
sua libertação, assim como da libertação de
milhares de meninos e meninas que estão ainda nas mãos da
guerrilha”.
O seqüestro das estudantes de Aboke, porém,
deixou uma marca na tragédia do norte de Uganda. “Os pais
das jovens seqüestradas reagiram constituindo “The Association
of the Concerned Parents”, que iniciou uma campanha em nível
mundial para chamar a atenção da opinião pública
internacional sobre o crime do seqüestro de crianças no norte
de Uganda”, afirma a Ir. Dorina. “A própria Ir. Raquel
acompanhou em todo o mundo os pais das jovens, para testemunhar a realidade
daquela região de Uganda. Além disso, a Ir. Raquel fez de
tudo para libertar as jovens. Chegou até mesmo a ir, correndo graves
riscos pessoais, ao sul do Sudão, onde estão as bases do
LRA, para tentar negociar com os chefes rebeldes a libertação
das estudantes”. “Também a Presidenta da Associação
dos pais demonstrou uma coragem fora do comum”, recorda a Vicária
das Missionárias Combonianas.
“Apesar de ter a própria filha ainda
nas mãos dos guerrilheiros, esta mãe continuou a denunciar
os seus crimes dizendo:
“Sei que quando falo os seqüestradores se
vingam sobre a minha filha, ferindo-a. Mas devo continuar a fazê-lo,
porque além da minha filha, há milhares de crianças
que são prisioneiras dessas pessoas”. A jovem foi, em seguida,
libertada. Mas como prosseguiu a vida das estudantes que reconquistaram
a liberdade? “Continuaram a estudar”, responde a missionária.
“Algumas delas se tornaram advogadas e agora lutam pelo direito
das mulheres e da infância em seu país.” O conflito
no norte de Uganda dura desde 1986. Recentemente, abriram-se as negociações
de paz entre guerrilha e governo, com a mediação da autoridade
do sul do Sudão. “Fala-se de um conflito tribal. Na realidade,
se trata de um evento muito mais complexo”, afirma a Ir. Dorina.
“Recordo-me que as pessoas do local dizem que os verdadeiros conflitos
tribais duram no máximo um mês. Este dura 20 anos….”
Conclui a missionária
Fides
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