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LÍBANO: 04/10/2006
Fundamentalismo
Católicos maronitas: "Que o Hezbollah
vá para o Irã ou para a Síria"
Embora o conflito no Líbano tenha terminado, a
paz ainda não chega para os habitantes de uma aldeia católica
maronita que passa seus dias no temor de que o Hezbollah transforme seu
país em uma nação islâmica. O 40 por cento
da população libanesa se declara cristã e o grupo
mais numeroso e emblemático deles é o dos católicos
maronitas. O jornal mexicano El Universal difundiu uma reportagem de Karen
Marón, enviada especial ao Líbano, que narra as vicissitudes
de Rmaich, uma aldeia maronita de oito mil habitantes localizada a dois
quilômetros da fronteira com Israel. O povoado não foi destruído
pelos recentes bombardeios, mas seus habitantes vivem em permanente alerta.
"Que vão para o Irã ou a Síria. Eles não
são libaneses e estão destruindo nosso país",
diz um homem identificado como Elias Sumani sobre o Hezbollah. Sua família
teve que viver dois meses sem gás e quase sem água devido
à ofensiva militar israelense, que começou em 12 de julho
e terminou 34 dias depois.
Segundo a reportagem, Rmaich "foi o eixo que acolheu
em casas de família e escolas mais de 30 mil desabrigados xiítas
durante o conflito, que os obrigou a viver em situações
pouco menos que precárias. ‘Abrigamos como bons cristãos
aos que necessitavam. Os habitantes de Aaita ech Chaab (feudo do Hezbollah)
se refugiaram aqui e as famílias lhes deram assistência’",
afirma outra habitante. Sumani explica que "agimos assim, mas na
verdade temos medo deles. Os xiítas são perigosos. Se querem
instaurar um nação islâmica que não o façam
no Líbano alegando serem libaneses. É preciso começar
a falar claramente". O Cardeal Nasrallah Pierre Sfeir, Patriarca
de Antioquia dos Maronitas, denunciou que "o Hezbollah tornou-se
um Estado dentro de outro com o apoio do Irã. Isso é algo
que nõ aceitamos depois da guerra". Por sua vez, o Arcebispo
de Tiro, Dom Chucrallah-Nabil El-Hage, afirmou que "o mais importante
é ficar nesta terra" apesar de outros problemas cotidianos
como a falta de emprego para os cristãos frente à maioria
muçulmana.
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