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IRÃ: 20/09/2006
Papa
Líder diz que frase do papa mostra
"cruzada anti-Islã"
O líder supremo do Irã, aiatolá
Ali Khamenei, disse que as recentes declarações do papa
Bento 16, que causaram protestos em diversas partes do mundo islâmico,
fazem parte do que ele chamou de uma "cruzada" contra muçulmanos.
"Charges ofensivas e declarações de políticos
sobre o Islã são diferentes elos na conspiração
dos cruzados e as declarações do papa são os mais
recentes elos (nesta conspiração)", afirmou Khamenei,
comparando a atual polêmica à gerada pela publicação
de caricaturas de Maomé em jornais dinamarqueses, no ano passado.
Khamenei disse que "não espera nada"
do presidente americano, George W. Bush, mas que, vindos de "uma
grande autoridade cristã", esses comentários são
"muito lamentáveis". "Clérigos europeus costumavam
dizer essas coisas sobre o Islã - nós imaginávamos
que esse tipo de expressões tivesse acabado nos tempos atuais",
acrescentou o líder supremo do Irã. Além de Khamenei,
outras lideranças muçulmanas criticaram as declarações
do papa, que continuam causando protestos em partes do mundo islâmico
mesmo depois de o pontífice dizer que se ressentia "profundamente"
por ter ofendido muçulmanos com a sua citação de
um líder cristão medieval.
Al-Qaeda
no Iraque
A polêmica também teve repercussões
no Iraque. Um comunicado na internet atribuído à liderança
da Al-Qaeda no país declara guerra santa aos cristãos. "Nós
dizemos àquele que serve à cruz que você e o Oeste
serão derrotados, como é o caso no Iraque, na Chechênia
e no Afeganistão", diz a nota atribuída ao conselho
Mujahedeen, liderado pelo ramo iraquiano da Al-Qaeda. Em Basra, no sul
do Iraque, centenas de pessoas participaram de protestos com queima das
bandeiras da Alemanha (país do papa) e dos Estados Unidos, segundo
informações da agência de notícias France Presse.
Um influente clérigo do Catar, Yusuf Al-Qaradawi, pediu a convocação
de um "dia de ira", na próxima sexta-feira, dizendo que
o pedido de desculpas de Bento 16 não seria suficiente.
Qaradawi é um dos líderes muçulmanos
que exigem um pedido de desculpas mais contundente por parte do papa.
Não consideramos o comunicado atribuído ao papa como um
pedido de desculpas. Sami Abu Zuhri, porta-voz do Hamas, partido que controla
o Parlamento palestino. O vice-premiê da Turquia Mehmet Aydin, disse
que "ou se pede desculpas direito ou não se fala nada. Você
lamenta ter dito o que disse ou as suas conseqüências?"
No entanto, a maior autoridade muçulmana do país, Ali Bardakoglu,
disse que as palavras do papa deste domingo mostravam respeito pelo Islã
e uma posição civilizada. A visita do papa à Turquia,
marcada para novembro, está confirmada, de acordo com o governo
turco.
Egito
e Rússia
No Egito, a Irmandade Muçulmana acolheu as palavras
de Bento 16, mas afirmou que o pedido de desculpas não é
"definitivo". "Essa retratação é sem
dúvida um passo importante em direção à atitude
correta e ao pedido de desculpas correto, mas não chega a ser um
pedido definitivo e decisivo que satisfaria a todos os muçulmanos",
disse o porta-voz do grupo de oposição, Mohammed Habib.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, pediu aos líderes
religiosos ao redor do mundo que ajam de maneira responsável e
contida. "Tenho certeza de que as principais religiões do
mundo terão coragem e sabedoria para evitar excessos no seu relacionamento.
Entendemos muito bem quão sensível é o tema, (por
isso) é correto pedir a líderes de todo o mundo que demonstrem
responsabilidade e comedimento."
Pedido
de desculpas
Bento 16 fez as polêmicas declarações
durante uma visita à Alemanha na terça-feira passada. Falando
de guerra santa, o papa citou Manuel 2.º, imperador cristão
ortodoxo que na Idade Média dominava Bizâncio, área
que compreende a atual Turquia. "Mostre-me tudo o que Maomé
trouxe de novidade, e encontrarás apenas coisas más e desumanas,
como sua ordem de espalhar com a espada a fé que ele pregava",
disse o papa, citando o imperador católico. Na sua retratação
neste domingo, o pontífice disse que as opiniões foram escritas
há seis séculos e não refletem de maneira alguma
o ponto de vista dele. "Eu espero que isso sirva para acalmar os
corações e esclarecer o verdadeiro significado do meu discurso,
que era e é em sua totalidade um convite para um diálogo
sincero e franco, com respeito mútuo", disse o religioso.
Parte da comunidade muçulmana, incluindo lideranças
muçulmanas na Alemanha, na Grã-Bretanha e na Índia,
recebeu bem o pronunciamento de Bento 16, mas em lugares como Irã,
Indonésia e a Caxemira indiana, os protestos continuaram nesta
segunda-feira, inclusive com queimas de bonecos representando o papa.
Pelo menos sete igrejas católicas foram atacadas nos territórios
palestinos desde o polêmico pronunciamento do papa na Alemanha.
No domingo, uma missionária católica foi assassinada na
capital da Somália, e há suspeitas de que ela tenha sido
vítima de um ataque em retaliação aos comentários
do papa.
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