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ESPANHA: 19/12/2006
Islamismo
Muçulmanos pretendem rezar à
força em Catedral de Córdoba
O presidente da Junta Islâmica da Espanha, o cordovês
Mansur Escudero, anunciou que os muçulmanos rezarão na Catedral
de Córdoba embora não contem com a autorização
do Bispo local, Dom Juan Asenjo. Escudero declarou ao Europa Press que
dirigirá uma carta a Dom Asenjo assim que o Presidente da Conferência
Episcopal Espanhola (CEE), Dom Ricardo Blázquez, considerar possível
que se permitam as orações pessoais ou individuais de muçulmanos
no templo cordovês, que foi mesquita até inícios do
século XVI. O líder muçulmano assinalou que na carta
que dirigirá a Dom Asenjo lhe informará que "os muçulmanos,
do pleno acordo com o dito pelo presidente da CEE, iremos a rezar na Mesquita
de Córdoba (NDR Catedral), e é de supor que o Bispo do Córdoba
estará de acordo com Dom Blázquez". Há vários
anos, Escudero procura que os muçulmanos ocupem uma parte da antiga
mesquita de Córdoba, hoje transformada em Catedral e símbolo
da reconquista cristã da península ibérica.
A Catedral
A antiga mesquita de Córdoba, uma das jóias
da arte moçárabe iniciada no século VIII e modificada
em várias ocasiões, construiu-se no terreno de uma igreja
católica com material de outros templos católicos destruídos
pela invasão muçulmana. A construção foi ordenada
por Abderramã I, e ampliada em sucessivas etapas por Abderramã
II, Alhaken II e Almanzor. Até Almanzor, a mesquita permitia o
culto de cristãos e judeus, mas o último deles ordenou aos
cristãos a venda do terreno e se fechou ao culto exclusivamente
muçulmano. Desde o ano 1523, o conjunto de 24 mil metros quadrados
acolhe a Catedral cristã, construída depois da retomada,
junto com outras capelas laterais. Apesar de os muçulmanos serem
apenas 500 em Córdoba e já contarem com uma mesquita –que
alegam ser muito pequena–, as organizações islâmicas
na Espanha vêm insistindo em que a antiga mesquita deveria ser aberta
ao culto muçulmano.
Os muçulmanos não duvidaram em tratar de
impor esta prática à força. Em março de 2004
assim que terminou uma Missa dominical, participantes do III Congresso
Internacional da Mulher Muçulmana pretenderam realizar uma oração
coletiva no mihrab da antiga mesquita, desafiando inclusive ao pessoal
que tentou impedir um ato de culto não permitido, e que teria merecido
a morte de qualquer cristão de tentá-lo em uma mesquita
de um país muçulmano. Além disso, um proeminente
líder muçulmano na Espanha, Abderrahmã Muhammad Manã,
escreveu que a antiga mesquita devia ser "liberada" por eles,
porque "os muçulmanos não podem nos jogar atrás
dizendo que o Islã não é pedras ou monumentos. Isso
é não dar-se conta do que as coisas são em suas essências,
e em sua essência a Alhama é o Islã em nossa terra,
é al-Ándalus, é Andaluzia, é a lembrança
de uma colonização, de um genocídio, de uma expulsão".
O Vaticano
já se pronunciou
No ano 2004, o Arcebispo Michael Fitzgerald, então
presidente do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso,
recordou que João Paulo II visitou em 2001 a mesquita dos Omeyas
de Damasco, que antes foi uma basílica bizantina, "e não
pediu para celebrar Missa ali". "É necessária
uma reflexão. Asim com ao de Córdoba, outros edifícios
ao longo dos séculos mudaram seu uso original, como Santa Sofia
de Istambul, convertido em um museu islâmico", disse o Arcebispo.
Dom Fitzgerald explicou que João Paulo II "visitou a mesquita
dos Omeyas de Damasco e rezou diante do mausoléu de São
João Batista, mas não pediu para celebrar Missa na mesquita.
É difícil a convivência entre cristãos e muçulmanos
se pretender-se remontar-se à história ou pretendendo a
revanche. É necessário aceitar a história e olhar
para frente". Em um diálogo informal com Escudero durante
uma reunião inter-religiosa na Líbia, Dom Fitzgerald explicou
que a responsabilidade sobre o uso da catedral é do Bispo de Córdoba,
Dom Juan José Asenjo.
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