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ARÁBIA SAUDITA: 24/06/2005
Perseguição
Preocupação por dois cristãos
detidos por sua fé em Riad
Logo se cumprirá um mês da detenção
de dois cristãos pentecostais indianos, retidos nos cárceres
sauditas acusados de “proselitismo”. Foram presos em 28 de
maio passado em uma grande investida realizada pela “muttawa”
(a polícia religiosa saudita), em Riad, na qual foram detidos outros
seis protestantes, ainda que estes últimos foram libertados em
8 de junho com a condição de renunciar às práticas
de fé que realizavam privadamente em seus lares.
“Sobre a sorte” destes dois cristãos
detidos -originários do Estado de Kerala (Índia) - “teme-se
o pior”, alerta esta quarta-feira “AsiaNews”, apontando
que “os cristãos presentes no reino saudita estão
muito preocupados”. A agência do Pontifício Instituto
de Missões (PIME) confirmou a identidade de um dos prisioneiros:
George Kutty, que foi subinspetor de polícia em seu país.
Kutty pertence à missão Pentecostal Indiana e tinha relação
com muitos missionários pentecostais no mundo.
Toda a informação e os contatos estavam
em seu computador portátil. Recentemente sua empresa havia-o trasladado
a Tabuk, no noroeste saudita. Dirigindo-se ao lugar, a polícia
rodoviária o deteve para um controle e descobriu o computador.
Confiscando-o, revisaram seu conteúdo e encontraram toda a informação
sobre sua missão e a de seu grupo. George Kutty foi acusado de
pregar o cristianismo na Arábia Saudita com ajuda de organizações
missionárias internacionais.
Os cristãos que trabalham na Arábia Saudita
observam que Kutty está acusado só com base na informação
encontrada no computador, não por ações ou gestos
explícitos de missão ou “proselitismo”. Sua
detenção e a informação que agora está
nas mãos da polícia poderiam levar a uma longa série
de prisões entre os cristãos presentes em território
saudita. Oito milhões de estrangeiros - quase todos cristãos;
o número de católicos se estima em 800 mil - trabalham atualmente
na Arábia Saudita, onde não está permitido construir
lugares de culto.
Dos mais de 21 milhões de habitantes que o país
tem, os muçulmanos representam 93,7%. É desconhecido o número
de sauditas cristãos. Na Arábia Saudita, está permitida
a expressão pública somente do islã e do islã
wahabita (pertencente a uma seita fundamentalista do islã, iniciada
por Mohamed Ibnd Abdul Wuahab na Arábia Central, que interpreta
o Alcorão em forma muito literal). Não existe, pois, liberdade
religiosa, e “até há poucos anos para um cristão
estava proibido rezar inclusive em particular.
Agora, ao contrário, declarou há poucos
meses o diretor de “AsiaNews”, o padre Bernardo Cervellera,
por causa da pressão internacional, os príncipes sauditas
deram permissão aos cristãos de orar ao menos em particular
e de poder reunir-se desta forma”. “Mas, lamentavelmente -constatou
então-, a polícia e grande parte da sociedade saudita não
aceita esta liberação, pelo que os cristãos são
presos”. Disso se encarrega a “muttawa”: detém
e tortura pessoas que praticam sua fé inclusive em particular.
“AsiaNews”
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