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VATICANO: 31/05/2004
Diálogo e liberdade religiosa
Santa Sé explica liberdade religiosa a líderes islâmicos no Qatar

O melhor antídoto para o fanatismo religioso e a violação da liberdade religiosa é o fiel autêntico, afirmou a Santa Sé na Conferência sobre o Diálogo entre Muçulmanos e Cristãos, inaugurada esta quinta-feira em Doha (Qatar). "Os líderes políticos não têm nada a temer dos verdadeiros fiéis", afirmou o cardeal Jean-Louis Tauran, bibliotecário e arquivista da Santa Igreja Romana e ex-secretário para as Relações com os Estados, na primeira sessão pública do encontro, que se concluirá no próximo sábado.

"Os fiéis autênticos são também o melhor antídoto para todas as formas de fanatismo", afirmou o purpurado francês no discurso em inglês reproduzido quase integralmente no Vatican Information Service (VIS). "Sabem que impedir a prática da religião a seus irmãos e irmãs, a discriminação dos seguidores de outra religião diversa da própria ou, o que é pior, o assassinato em nome da religião, são abominações que ofendem a Deus e que nenhuma causa nem autoridade, política ou religiosa, pode justificar jamais", acrescentou.

A conferência foi organizada pela Comissão Pontifícia para as Relações Religiosas com os Muçulmanos e o Centro de Estudos do Golfo da Universidade do Qatar. O arcebispo Michael Louis Fizgerald, presidente da Comissão e do Conselho Pontifício para o Diálogo Inter-religioso, pronunciou o discurso de boas-vindas. Entre os oradores da jornada se encontram o xeque Abdullah Bin Khalifa Al-Thani, ministro de Exteriores de Qatar, o xeque Mohammed Sayed Tantawi, grande imame de Al-Azhar, Sua Santidade Anba Shenouda III, Papa de Alexandria dos Coptos Ortodoxos, Youssef Al-Qaradawi, da Universidade de Qatar e Hamid Bin Ahmed Al-Rifaie, presidente do Foro Internacional Islâmico para o Diálogo, informa o VIS.

O cardeal Tauran constatou que o encontro "é um testemunho eloqüente de fraternidade". "O fragor do conflito, que ressoa não longe daqui, não nos impedirá de refletir sobre nossas responsabilidades como crentes ou enviar uma mensagem de amizade aos que estão dispostos a aceitá-la", assegurou. "Nossa reunião é antes de tudo um encontro de fiéis -seguiu indicando-. Dado que todos sabemos que somos filhos do mesmo Deus, podemos aceitar nossas diferenças e entregar-nos juntos ao serviço da sociedade, respeitando a justiça, os valores morais e a paz".

A reunião, disse, "é um diálogo entre fiéis que pertencem a duas religiões diferentes". Por isso, assinalou, "para evitar todo tipo de sincretismo ou caricatura, é importante que cada um de nós seja fiel a sua própria fé". O cardeal citou os elementos em comum entre muçulmanos e cristãos sublinhados publicamente por João Paulo II, como o fato de ser "adoradores de Deus", "buscadores de Deus" e "crentes no mesmo Deus". "A Igreja Católica olha com respeito" para os crentes no Islã, assegurou, e reconhece "a riqueza de vossas tradições espirituais.

Nós, cristãos, estamos também orgulhosos de nossa tradição religiosa". "Por este motivo, a liberdade de consciência e de religião é importante, mais ainda, absolutamente necessária", sublinhou. "A liberdade religiosa respeita ao mesmo tempo Deus e o ser humano -assegurou. É absoluta e recíproca. Estende-se do indivíduo à comunidade e tem uma dimensão civil e social". "A liberdade religiosa, assim entendida e vivida, pode ser um fator poderoso na construção da paz", reconheceu.

O cardeal concluiu propondo "abrir um diálogo de confiança entre as autoridades religiosas e civis, para que os direitos e deveres dos crentes e de suas comunidades se estabeleçam e garantam firmemente, com particular respeito do princípio de reciprocidade". "Não se podem reclamar os legítimos direitos e liberdades pisoteando os dos demais", exclamou. "Aqui em Doha todos nós devemos aportar nossa contribuição ao trilhar do caminho da fraternidade e da paz", concluiu.

Zenit


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