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RUANDA: 24/09/2004
Genocídio
Bispos refutam envolvimento da Igreja em
genocídio de 1994
Em uma declaração episcopal, os bispos de Ruanda exigiram
da imprensa que não envolva a Igreja no país como responsável
pelas matanças que em 1994 acabaram com as vidas de 500 mil habitantes.
"Acusar a Igreja católica de não reconhecer sua parte
de responsabilidade na propagação da ideologia do genocídio
em Ruanda é sem fundamento.
A Igreja tem razão de não reconhecer um crime que não
cometeu", assinalaram os prelados no texto publicado pelo jornal
bimestral religioso Kinyamateka. Os nove bispos desse Estado reconhecem
a existência de responsabilidades individuais -mas não institucionais-
no clero respeito aos massacres. A carta episcopal responde a um relatório
parlamentar sobre "persistência da ideologia genocida",
no que acusam a Igreja de praticar uma segregação étnica
na captação dos membros do clero.
A reação dos prelados foi enérgica e um dos assinantes
da carta é o Bispo do Gikongoro, Dom. Augustin Misago, que em 1999
foi detido acusado por participação no genocídio.
O Bispo foi libertado dois anos depois de ser declarado inocente por um
tribunal de base. Em meados de 1994, tropas extremistas e o exército
governamental massacraram a mais de 500 mil ruandeses tutsi e hutu.
Atualmente, o sacerdote ruandês Athanase Seromba é julgado
por um tribunal de crimes de guerra devido à matança de
mais de dois mil tutsis que se refugiaram em uma igreja do Nyange, no
ocidente do país.
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