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ÍNDIA: 22/10/2004
Fundamentalismo
Reconvertidos à força ao hinduísmo
mais de 300 cristãos no Estado indiano de Orissa
No domingo passado foram reconvertidos ao hinduísmo trezentos
tribais no distrito de Sindurgh -no Estado de Orissa (centro-leste da
Índia)- durante uma cerimônia pública após
a qual foram presenteados com alimentos e roupas novas. O acontecimento
foi confirmado por Dom Alphonse Bilung, bispo de Rourkela -a diocese onde
aconteceu o fato-, à agência do Pontifício Instituto
de Missões Estrangeiras (PIME) "AsiaNews". "Os meios
de comunicação falaram de 80 famílias "que regressaram"
ao hinduísmo, mas a verdade é que se trata de 336 pessoas,
reconvertidas à força e com promessas", explica o prelado.
Segundo alerta, "os grupos fundamentalistas mentem e aumentam as
cifras de reconvertidos para inspirar temor entre os tribais e exaltarem
seus êxitos". O prelado pode falar com o sacerdote da paróquia
na qual ocorreram as reconversões. O pároco relatou que
no domingo pela tarde, a poucos quilômetros da igreja católica,
foi celebrada uma grande concentração de hindus. Tribais
de três povoados diferentes de mais de 100 quilômetros de
distância foram levados em jipes e caminhões ao lugar onde
se celebrou a cerimônia de reconversão ao hinduísmo,
Sindurgh.
Segundo explica Dom Bilung, "os grupos fundamentalistas, muito ativos
em Orissa, criam uma situação muito difícil para
os tribais cristãos que vivem entre os hindus". "Os grupos
fundamentalistas os ameaçam com conseqüências terríveis
se forem à igreja para celebrações religiosas",
denuncia. Há que se ter em conta que "os tribais dependem
em grande parte da maioria hindu para o trabalho, por exemplo, nas minas
de ferro" em Rourkela, declara o prelado.
O Decreto de Liberdade de Religião (OFRA, por suas siglas em inglês),
uma lei em vigor em Orissa para prevenir qualquer conversão forçada,
se utiliza freqüentemente como arma legal para ameaçar os
tribais, em sua maioria analfabetos e fáceis de manipular por parte
dos fundamentalistas hindus, explica a agência do PIME. Orissa é
governado pelo "Bharatiya Janata Party" (BJP) -derrotado nas
eleições federais de abril passado-, que promove uma ideologia
nacionalista e mono-religiosa e respaldado por movimentos fundamentalistas
contrários ao serviço social e programas de desenvolvimento
que a Igreja promove.
Na região foram verificados nos últimos anos diversos episódios
de violência contra as minorias religiosas e comunidades cristãs
a fim de "devolver" ao hinduísmo os convertidos ao cristianismo.
Na diocese de Rourkela, "a Igreja está muito comprometida
em programas de promoção social, abriu muitos consultórios
que proporcionam assistência médica aos tribais" e "leva
ajuda e remédios até mesmo às regiões mais
remotas da diocese", além de "dispor de 200 escolas que
acolhem crianças de todas as castas e religiões", descreve
Dom Bilung.
O "Vishwa Hindu Parishad" (VHP) -ala religiosa do BJP- e o
"Rashtriya Swayamsevak Sangh" (RSS) -grupo paramilitar hindu-,
conhecidos por sua ideologia contrária às minorias religiosas,
são muito ativos no Estado. São freqüentes as perseguições
contra os missionários cristãos e a OFRA também costuma
ser utilizada contra a atividade missionária da Igreja. "Pergunto-me
se estes grupos fundamentalistas tiveram a permissão do governador
de Rourkela para reconverter os tribais, porque a lei também se
aplica a eles", apontou o bispo Bilung.
Em setembro passado, no povoado de Sarat -distrito de Mayurbhanj-, 76
tribais cristãos "voltaram a abraçar" o hinduísmo
em uma cerimônia organizada pelo VHP. O grupo fundamentalista apresentou
o evento com o "o retorno a casa (ao hinduísmo) do povo tribal".
Zenit
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