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BOLÍVIA: 12/08/2004
Polêmica
Aborto e uniões homossexuais podem
ser legalizados
A agência Lifesite News chamou a atenção internacional
sobre a inclusão de um projeto de lei que procuraria redesenhar
radicalmente a moral sexual da sociedade boliviana, permitindo a pedofilia,
o aborto e as uniões homossexuais, como "direitos". O
polêmico projeto de lei sobre "Direitos Sexuais e Reprodutivos"
foi apresentado pela advogada Julieta Montano, que preside o Escritório
Jurídico para a Mulher, um centro de treinamento e lobby especializado
em temas sexuais e direitos humanos.
Segundo Lifesite News, a legislação proposta consagra "o
direito a exercer uma sexualidade prazerosa, responsável e livremente
decidida, sem limites exceto aqueles assinalados expressamente por lei".
Desta maneira, sustenta a agência, "se apagariam todos os limites
para a sexualidade aberrante, incluindo a que envolve crianças".
Embora o projeto de lei tenha gerado preocupação e polêmica
entre a população, foi aprovado pelo Parlamento e só
se deteve quando o Presidente Carlos Mesa decidiu devolvê-lo ao
Senado para que seja revisado antes de assiná-lo.
"Entretanto, é pouco provável que a legislação,
que foi passada no Senado com muito pouca oposição, seja
detida por muito tempo", adverte Lifesite News. Evidentemente contrariada
pelo atraso de sua norma, Montano lançou uma campanha contra a
Igreja Católica e acusou o Núncio Apostólico na Bolívia
de "quebrar toda norma de não-intervenção nos
assuntos estatais" por expressar sua preocupação ao
Presidente Mesa.
Montano afirmou inclusive que a Igreja lançou uma "guerra
suja" contra a saúde reprodutiva, o aborto e o controle de
natalidade; e agiu motivada pelo temor de perder o controle sobre os corpos
humanos das demais pessoas". A preocupação da Igreja
pela eventual lei é real. Diversos líderes religiosos consideram
que a nova legislação seria nociva para o país ao
implicar inclusive a legalização de agressões em
nome do "próprio prazer".
A pressão do Montano por impulsionar seu projeto a levou a afirmar
à imprensa que a Bolívia ratificou as declarações
das Nações Unidas, Cairo e Pequim, e que por isso "está
obrigada a ajustar sua legislação às normas internacionais".
Segundo Lifesite News, "não surpreende, então, que
a legislação em questão aplaine o caminho para reconhecer
as uniões sexuais e de fato, promova abertamente a anticoncepção
abortiva, e não mencione o papel da família na educação
sexual".
Com efeito, o projeto de lei assume que os adolescente são sexualmente
ativos a partir dos 15 ou 16 anos e sugere que o aborto clandestino é
prática comum. Segundo a agência, o debate mais estridente
envolve o direito dos adolescentes à confidencialidade sobre sua
vida sexual. O Padre Miguel Manzanera, diretor do Instituto Católico
da Bioética advertiu que a norma "poderia ter sérios
resultados. Poderia provocar uma emancipação precoce dos
meninos com respeito a seus pais.
Qualquer criança acima de 12 anos de idade poderia não
só ter o direito de manter relações sexuais, mas
também de gozar de uma confidencialidade tal que seus pais não
seriam informados mesmo que os menores contraíssem AIDS, suas filhas
fiquem grávidas ou tenham um aborto". Para o Padre Manzanera,
uma legislação deste tipo poderia inclusive levar as crianças
à prostituição.
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