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MIANMAR: 26/09/2003
Testemunho de fé dos "Zetamans"
Testemunho missionário
Em uma região montanhosa e de florestas, no centro de Mianmar,
os jovens católicos, chamados em língua local "zetamans"
(literalmente pequenos evangelizadores), caminham pelas vilas ensinando
as crianças e testemunhando o amor de Jesus. Tal experiência
foi narrada em uma entrevista à Agência Fides por Dom Peter
Hla, Bispo auxiliar de Taunggyi, diocese isolada no coração
do território birmanês.
Mianmar é um País governado por uma junta militar que concede
uma limitada liberdade religiosa: "Em um País de maioria budista,
explica o Bispo, somos pequenos (os católicos são 600 mil
num total de 51 milhões de habitantes). Não podemos evangelizar,
mas somente testemunhar a nossa fé e praticar o culto".
A diocese de Taunggyi compreende 46 mil fiéis, divididos em 18
paróquias. Dom Hla explica à agência Fides. "Muitos
fiéis se encontram na região da capital Taunggyi, outros
estão espalhados em vilas isoladas, em regiões difíceis
de se chegar.
Lá os nossos jovens enviados são os 'zetamans', voluntários
que viajam de uma aldeia para outra nas zonas rurais e montanhosas e chegam
lá aonde os sacerdotes e religiosos não chegam. Estes compartilham
por alguns dias a vida das comunidades, dedicam muito tempo às
crianças ensinando-lhes diversas matérias.
O seu estilo de presença é permeado de amor, amizade, relações
de afeto. Depois, quando lhes for solicitado, dão o seu testemunho
de fé. O povo, admirado pelo modo deles serem, quer saber mais
sobre eles e pede informações: deste modo estes dão
a razão de sua própria esperança, contam quem são
e como o encontro com Jesus mudou a suas vidas".
A fé da comunidade católica se exprime sobretudo nas obras
de caridade: "Temos casas para deficientes e doentes terminais, leprosários,
orfanatos, onde pessoas de todas as religiões são acolhidas.
Em nossas escolas, dirigidas na maior parte por congregações
femininas, oferecemos às crianças uma formação
cultural de ótimo nível: após alguns anos, quando
as crianças começam a freqüentar as escolas públicas,
elas se distinguem pela ótima preparação". Sobre
a difícil situação política e econômica
em que se vive me MIanmar, Dom Hla afirma: "Defendemos os direitos
humanos e a dignidade da pessoa.
O povo vive com dificuldade, estamos imersos na pobreza. A população
sofre e a Igreja procura ajudar como pode. De modo geral, o povo vê
a Igreja como um corpo que defende a verdade e a caridade: por isso somos
respeitados pela população, também pelos budistas".
Dom Peter Hla, falando sobre o problema da liberdade religiosa observa:
"Nas atividades religiosas somos controlados pelo governo. Temos
liberdade de culto, mas não de missão. A nossa esperança
é de adquirir maior liberdade de ação pastoral e
evangelizar".
O governo de Mianmar, desde que o exército prendeu e colocou sob
custódia em um lugar secreto Auing San Suu Kyi, Prêmio Nobel
pela Paz e líder da Liga Nacional pela Democracia em maio deste
ano, vem sofrendo contínuas pressões dos governos ocidentais,
grupos de defesa dos direitos humanos e das ONGs.
Nestes últimos dias, o Secretário Geral da Onu Kofi Annan
decidiu mandar para Mianmar um enviado especial, Razali Ismail, para pedir
a libertação de Aung Su Kyi. A missão do enviado
especial da ONU durará de 30 de Setembro até 2 de Outubro.
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