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GUINÉ BISSAU: 01/10/2003
Testemunho do pe. Sciocco
Golpe de Estado fracassado

Voltou a calma em Guiné Bissau depois do atentado fracassado de um grupo armado de assaltantes ao arsenal do quartel de Mansoa. "O exercito está buscando os assaltantes e ao norte do país se nota uma forte presença militar" disse à agência Fides o pe. Davide Sciocco, missionário do PIME Mansoa, a cinqüenta quilômetros da capital, Bissau. "Não há obstáculos para a circulação, a população vai ao trabalho ainda que persiste uma certa apreensão".

Na noite de sexta 26 de setembro, umas cinqüenta pessoas atacaram o importante quartel de Mansoa, tentado roubar as armas do militares. Durante o ataque, afugentados pelos soldados da guarnição, morreram dois agressores e alguns deles foram presos.

O pe. Sciocco recorda a Fides as fases do ataque: "A missão está a 150 metros do quartel e portanto vi tudo, inclusive as vozes dos militares que perseguiam os assaltantes. O tiroteio continuou até a 7:30. Às 8:00 entrei no quartel e perguntei o que havia sucedido.

Vi duas pessoas armadas, ligadas ao General Ansumane Mané que dirigiu a revolta de 98 contra o Presidente Nino Vieira. Mané foi depois assassinado em novembro de 2000, porém seu grupo continua unido.

Este grupo atacou de superpresa e pouco faltou para que conseguisse apoderar-se do deposito de armas que permitiriam ter o controle do quartel, um dos mais importante de Guiné Bissau e as mais estratégicas do país.

"Conheço pessoalmente o chefe dos assaltantes depois da morte de Mane, negociei sua entrega às autoridades em troca da garantia de sua incolumidade pessoal. Depois de um tempo foi liberado. É uma pessoa com quem se pode discultir, provenientes muitas vezes da mesma etnia que o general assassinado" afirma o pe. Sciocco.

No domingo 28, tomou posse o governo provisório que deverá conduzir o país às eleições parlamentaristas no prazo de seis meses e as presidenciais em um ano. Os chefes da junta militar que governou o país, depois do golpe de 14 de setembro, nomearam um novo Presidente da República e o primeiro Ministro. Trata-se de Henrique Rosa, um empresário e de Antonio Arthur Sanha. As nomeações chegam ao termino dos difíceis tratados entre a junta militar e os partidos de oposição.

"Enquanto o Presidente da República é uma pessoa conhecida e respeitada por todos por sua integridade, a nomeação do primeiro ministro suscitou algumas polemicas" disse o pe. Sciocco. "Os partidos estão divididos, pelo menos dialogam. Temos que recordar que já se iniciou a campanha eleitoral e todas as formações políticas estão se preparando para vencer as próximas eleições.

Fides


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