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FILIPINAS: 01/12/2003
O perdão "convoca" cristãos e muçulmanos na ilha filipina de Mindanao
Diálogo inter-religioso

Na ilha filipina de Mindanao --cenário de violência e confrontos inter-religiosos, cristãos e muçulmanos celebrarão com uma série de encontros a "Semana da Paz", promovida pela "Conferência Bispos-Ulemás", que começa esta quinta-feira.

O organismo, que agrupa os líderes cristãos e islâmicos de Mindanao e promove iniciativas de diálogo e de paz, como acontece cada ano, desde 1999, propôs o lema da iniciativa, que é "Curar através do perdão: o caminho para um desenvolvimento humano total".

Estão previstos também encontros em lugares onde os cristãos são pequenas minorias, como em Marawi, Basilan e Jolo.A Semana conta com o apoio do governo. Para a ocasião, Manila anunciou alguns projetos de desenvolvimento para a área de Mindanao e estipulou um "cessar fogo" com os rebeldes da "Frente Moro de Libertação Islâmica" (FMLI).

Consciente de que uma paz duradoura requer ir além de um acordo político, o comunicado oficial da "Conferência Bispos-Ulemás" afirma a necessidade de "uma cura social, … uma cura mediante o perdão".

Dom Martin Jumoad, bispo de Isabela (ilha ao sul de Basilan), explicou a AsiaNews.it a importância da Semana para os jovens: "Eles são o futuro de Basilan. Devemos convencer as mentes dos jovens do valor da paz".

Com 300.000 habitantes -70% muçulmanos, 28% católicos-, Basilan foi o centro de graves confrontos entre militares e guerrilheiros de Abu Sayyaf. Daí que muitos civis, inclusive um missionário claretiano, foram assassinados ou seqüestrados. Apesar da Semana da Paz, a tensão é grande e a Conferência solicitou a presença do exército.

Da mesma forma, no vicariato de Jolo -900.000 habitantes; 3% de católicos--a presença militar é importante. Dom Antonio Javellana Ledesma, da prelatura de Ipil, afirma que "a situação de violência é constante e tão difundida que quase está se tornando normal". Por isso, é necessário voltar a propor incansavelmente a reconciliação "em nossa sociedade ferida e dividida".

Estabelecida em 1996, a "Conferência Bispos-Ulemás" tem como responsáveis o arcebispo de Davao -e futuro presidente do episcopado católico das Filipinas-, Dom Fernando Capalla; o doutor Mahid Mutila, da Liga Filipina dos Ulemás; e o bispo Hilario Gómez, da Igreja Unida de Cristo nas Filipinas.

Recorre-se à Conferência para estabelecer a mediação entre o exército e a guerrilha, ou para a libertação de reféns. "Sem a assistência e orientação da Conferência, os confrontos entre o exército e o FMLI se transformariam em uma guerra religiosa", constata Norberto Gonzales, da sala presidencial para o Processo de Paz.

A Conferência desempenhou também um papel fundamental para a reabertura dos diálogos entre o governo e o FMLI. Por isso, ambas partes solicitaram a Dom Capalla que seja conselheiro nas negociações que começarão em Kuala Lumpur no próximo dezembro.


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