A Igreja no Mundo

BULGÁRIA

Papa sem ressentimento para com búlgaros

No segundo dia de sua visita à Bulgária, o papa João Paulo II disse que o país balcânico não tem responsabilidade pelo atentado que quase lhe tirou a vida, há 21 anos, no Vaticano. O pontífice fez o comentário durante um encontro com o presidente búlgaro, Georgi Parvanov, pondo fim a anos de especulação quanto a um vínculo entre este país e o turco Mehmet Ali Agca, que o baleou em 13 de maio de 1981.

Esta é a primeira vez que um papa visita o ex-Estado comunista. O ministro do Exterior búlgaro, Solomon Pasi, descreveu a viagem do Papa como "uma benção". Ele acrescentou ainda que "a visita de João Paulo II apagará a mácula desmerecida que a Bulgária carregou nos últimos 20 anos". Na quinta-feira, em um sermão, o papa afirmou que jamais deixara de amar os búlgaros.

Dando prosseguimento à sua visita, o líder da Igreja Católica esteve na principal catedral ortodoxa de Sofia, nesta sexta-feira. O Papa vem tentando romper as barreiras tradicionais entre os principais credos do mundo e salientar os valores comuns entre as mesmas. Dirigindo-se ao chefe da Igreja Ortodoxa búlgara, João Paulo II declarou: "Com todo o respeito eu saúdo Sua Santidade, o Patriarca Maxim e espero fervorosamente que minha visita sirva para aumentar nosso conhecimento mútuo".

Durante anos, Maxim recusou-se a encontrar o Papa, prejudicando inúmeros esforços do governo búlgaro em organizar uma visita de João Paulo II. O Vaticano afirmou que o pontífice só iria ao país se os líderes ortodoxos concordassem. Em março último, o patriarca enfim cedeu.

Fonte: 24/05/2002

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