
Comparativamente ao processo tradicional do catecismo, o doc. CR trouxe importantes avanços que estão influenciando, de modo muito positivo, a renovação da Igreja. Vou comentar rapidamente alguns deles:
A EDUCAÇÃO PARA A
VIVÊNCIA DA FÉ
O doc. CR propõe-se superar o mero ensino da doutrina destinado a aprender o catecismo. O prioritário é trabalhar a experiência de fé e a vivência em comunidade. Com isso, os conhecimentos religiosos, especialmente da Bíblia e da doutrina da Igreja, são colocados dentro da vida, dentro da experiência de fé.
A VALORIZAÇÃO DA BÍBLIA
A Bíblia é, para o doc. CR, o livro de catequese por excelência. Isso foi assumido pelo fato de o Concílio Vaticano II (1962-1965) ter insistido para que o povo tivesse acesso à Bíblia, mas, sobretudo, no caso do Brasil, por estímulos dados pela pastoral bíblica popular.
INCULTURADA E
TRANSFORMADORA
A CR assimilou as orientações e decisões dos Bispos da América Latina, emanadas de assembléias episcopais históricas, a de Medelin, em 1968, e a de Puebla, em 1979. A catequese leva seriamente em conta a situação das pessoas, a cultura, a realidade. Além de encarnar na vida do povo, ela abraça a causa da libertação ajudando na construção de uma sociedade justa e solidária.
FÉ E VIDA
Neste sentido de inculturação e de transformação, foi um achado para a catequese o “princípio metodológico da interação fé e vida”, pelo qual se faz a relação direta das experiências da vida com as formulações da fé.
Este princípio é proposto pelo Papa Paulo VI, na Evangelii Nuntiandi, n.º 29.
A vida recorre, pergunta, questiona a fé e a fé encaminha respostas, provoca e questiona a vida. Isso é fundamental para a conversão pessoal e para a transformação social.
OPÇÃO PREFERENCIAL
PELOS POBRES
A CR, obviamente, quer sensibilizar os catequistas a com a situação de nosso povo, marcado por miséria, pobreza, fome, exploração e violência. E como conseqüência assumiu, com toda a Igreja, a opção preferencial pelos pobres. Os catequizandos têm, portanto, no horizonte de seu engajamento apostólico, o compromisso de colaborar com a libertação dos pobres, dos excluídos.
FONTE DE ESPIRITUALIDADE
Não basta boa vontade e um pouco de conhecimento para ser catequista. É preciso, junto com uma ampla e aprofundada formação nos conteúdos e na metodologia, uma rica espiritualidade, isto é, deixar-se conduzir pelo Espírito Santo, viver em íntima comunhão com Deus, a partir da Palavra de Deus, da Eucaristia, da vida de oração, da vivência na comunidade eclesial e do engajamento missionário.
A DIMENSÃO PERMANENTE
DA EDUCAÇÃO DA FÉ
Primeiro porque não existe diploma para a educação da fé, pois somos eternos aprendizes de Deus. Segundo porque a catequese se ocupa com todas as idades, em especial, com os adultos, pois deles depende a educação religiosa das crianças e dos jovens. A catequese estimula, incentiva a caminhada firme para a maturidade na fé, na esperança e no amor.
A DIMENSÃO COMUNITÁRIA
DA CATEQUESE
Para o doc. CR é a comunidade que catequiza. Os catequistas recebem a delegação da comunidade para, em nome dela, atuarem. É fundamental, portanto, o compromisso explícito da comunidade com a catequese: acolhida, testemunho, apoio, etc.
Irmão Nery FSC / nery@telnet.com.br