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PAQUISTÃO: 18/03/2010
Violência
Menina cristã é queimada viva para que não denunciasse estupro

Uma menina cristã paquistanesa foi queimada viva para que não denunciasse um estupro pelo filho de seu empregador, para quem trabalhava como empregada doméstica. A jovem Kiran George teve 80% de seu corpo queimado e veio a morrer após agonizar por dois dias no hospital, de acordo com a agência AsiaNews. Após ter sido violentada, ameaçou denunciar seu agressor à polícia, que decidiu então matá-la. O crime ocorreu em Sheikhupura, um vilarejo na província de Punjab, e lembra os eventos trágicos ocorridos recentemente com Shazia Bashir, uma menina cristã de 12 anos violentada e morta por seu empregador, um rico advogado muçulmano, que ainda não foi formalmente acusado.

Num primeiro momento, Kiran relatou as violências que havia sofrido apenas para algumas amigas, temendo perder o emprego de empregada doméstica na casa de seu agressor, Mohammad Ahmda Raza. Mais tarde, entretanto, ameaçou o rapaz de contar o ocorrido à polícia. Este, então, com a ajuda de sua irmã, atirou gasolina e ateou fogo ao corpo da menina. O pai do rapaz, embora tenha socorrido Kiran e levado-a ao hospital, disse à família de Kiran que esta teria sofrido um acidente ao trabalhar na cozinha. Antes de morrer, no entanto, a menina contou a polícia o que realmente havia ocorrido. Ainda em Punjab, a 10 de março, uma multidão de muçulmanos enfurecidos saqueou e incendiou a casa de uma família cristã.

Ao que tudo indica, o ataque teria sido motivado pelo suposto envolvimento de um cristão no assassinato de latifundiário da região. Um suspeito de envolvimento nos ataques, Yasir Abid, encontra-se em “prisão preventiva”. A família alega que cópias da Bíblia encontradas em sua casa teriam sido “deliberadamente incineradas”. A polícia investiga a possibilidade de abrir um inquérito de “crime de blasfêmia”. Peter Jacob, secretário executivo da Comissão Nacional por Justiça e Paz, disse não acreditar que os tribunais aplicarão esta lei neste caso. “O Código Penal Paquistanês prevê até mesmo a pena de prisão perpétua com trabalhos forçados para quem profana o Alcorão, mas não contempla os livros sacros de outras religiões", disse ele.

“Somos contrários a essa lei”, declarou Peter Jacobs, “independentemente de qual livro sagrado se trate”. Mas, de qualquer modo, “esperamos que sejam realizadas investigações detalhadas que levem aos culpados de terem incendiado a casa da família cristã”.

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