A Igreja no Mundo
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ITALIA: 20/01/2010 A visita de Bento XVI à comunidade judaica de Roma incluiu vários gestos significativos, entre eles a comemoração da deportação de 1954, do atentado de 1982, da visita de João Paulo II em 1986, um emotivo encontro com o rabino Toaff e a referência à história dos judeus e dos Papas, uma peregrinação de alegrias e tristezas abertas à esperança. O Papa chega a pé O primeiro dos gestos que marcaram a visita de Bento XVI foi percebido em sua chegada ao Pórtico de Ottavia, no antigo bairro de Guetto, e sua caminhada a pé até a sinagoga. Bento XVI estava guiado por Riccardo Pacifici, presidente da Comunidade Judaica de Roma, e guiado por Renzo Gattegna, presidente da União das Comunidades Judaicas Italianas (UCEI). No caminho, o Papa realizou outros gestos significativos. Entre eles, prestou homenagem aos judeus de Roma deportados após a detenção de 16 de outubro de 1943, diante da placa que recorda esta tragédia. Depositou uma coroa de rosas vermelhas e se recolheu. A detenção de 1943 e a Shoá Em seu discurso, o Papa evocou a Shoá como “um drama singular e perturbador” que “representa de alguma forma o início de um caminho de ódio que nasce quando o homem esquece do seu Criador e se coloca no centro do universo”. Citou as palavras que pronunciou na visita a Auschwitz, em 28 de maio de 2006, “profundamente impressas em minha memória”, disse. O abraço no rabino Toaff Um encontro imprevisto foi particularmente emotivo: - o que ele teve, aos pés do seu edifício, com o grão-rabino emérito Elio Toaff, que havia acolhido João Paulo II na Grande Sinagoga em 1986. O rabino Toaff, cálido, destacou que cumpriria 95 anos em abril e o Papa lhe deu os parabéns. Sob o signo das crianças O Papa prestou uma homenagem – um ramo de flores brancas – à memória de um menino judeu de 2 anos de idade, falecido no ataque terrorista de 1982 contra a sinagoga de Roma, ataque então severamente condenado por João Paulo II no dia seguinte, 10 de outubro, depois do Ângelus. O Papa se encontrou com a mãe, o irmão mais velho (que tinha então 4 anos) e o pai do jovem Stefano Gay Taché. Cumprimentou pessoalmente outros sobreviventes, que permaneceram durante muito tempo entre a vida e a morte. Os arquivos O presidente Pacifici cumprimentou as personalidades e grupos representados, incluindo um grupo de muçulmanos italianos. Recordou com emoção que seu avô, o rabino de Milão, foi deportado com sua esposa, Wanda, enquanto seu pai, Emmanuel, foi acolhido pelas Irmãs de Santa Marta, de Florença, e cumprimentou a Irmã Vittoria, uma religiosa desta comunidade presente na sinagoga. Pacifici mencionou o patrimônio cultural judaico conservado nos arquivos do Vaticano. Também se referiu aos desaparecidos, assim como ao soldado franco-israelense Guilad Shalit, prisioneiro na Faixa de Gaza e com cujos familiares o Papa teve um encontro em Israel. Sobre Pio XII e os arquivos, o Papa afirmou que a Sé Apostólica também participou da salvação dos judeus, “frequentemente de maneira oculta e discreta”. Defender os direitos humanos Em seu discurso, Renzo Gattegna cumprimentou o Papa em nome das 21 comunidades judaicas da Itália; também evocou os papas João XXIII e João Paulo II, incluindo a petição de perdão do ano 2000. Indicou um caminho para a colaboração entre judeus e católicos: - a defesa dos direitos humanos fundamentais no mundo. Também desejou que haja colaboração entre judeus, cristãos e muçulmanos, que reconhecem o “Deus único”, para que chegue ao mundo “uma era de paz”. Responsabilidade de paz universal O grão-rabino Di Segni, por sua vez, também insistiu no fato de que judeus, cristãos e muçulmanos deve agora trabalhar juntos, porque têm uma “responsabilidade de paz” especial, e de “paz universal”, aquela anunciada pelo profeta Isaías, a quem citou. Propôs uma meditação a partir da palavra “irmãos”, utilizada por João Paulo II em 1986. Como em eco, o Papa concluiu seu discurso com o desejo de “um amor fraterno crescente”. Rumo à autêntica fraternidade Na visita, o Papa inaugurou a exposição Et Ecce gaudium, que permanecerá aberta ao público até 31 de março. Ela inclui 14 telas do século XVIII, feitas pela comunidade judaica de Roma para a coroação de diferentes papas: - Clemente XII (1730), Clemente XIII (1758), Clemente XIV (1769) e Pio VI (1775). O material foi encontrado nos arquivos históricos da Comunidade Judaica de Roma. Ao acompanhar o Papa até seu carro, mais de duas horas após sua chegada, Ricardo Pacifici disse, apertando as mãos do Papa: - “Obrigado, de verdade. Seguimos adiante!” (“Andiamo avanti!”). Zenit
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