A Igreja no Mundo
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IRAQUE: 26/02/2010 O patriarca da Igreja Sírio-Católica no Iraque acusou as autoridades locais de cumplicidade com os autores do massacre de cristãos em Mossul, em uma carta enviada ao primeiro-ministro do país. Sua Beatitude Mar Ignatius III Joseph Younan, de 65 anos, enviou a missiva ontem a Nuri Al-Maliki, enquanto os cristãos dessa cidade do norte do país, que moram nela há dois mil anos, empreendem o exílio por medo de perder a vida. Nos últimos dez dias, nessa localidade, foram assassinados oito cristãos. “Enquanto lhe escrevemos – acrescenta o patriarca –, nosso coração sangra pelas trágicas notícias que nos chegam cada dia de Mossul, onde os cristãos sofrem continuamente ataques de criminosos ‘desconhecidos’. São assassinados, massacrados, ameaçados nas ruas, nas escolas e inclusive em suas casas, pelo fato de pertencer a uma religião diferente da da maioria dos habitantes da cidade.” O último homicídio ocorreu no dia 23 de fevereiro, quando um comando armado entrou na casa de um cristão, matando o pai e seus dois filhos homens na frente da mulher e da filha, a quem os criminosos perdoaram a morte. Em Mossul, restam cerca de 17 mil cristãos. “Mas o que é pior – continua denunciando o patriarca – é que não há ninguém que faça perguntas sobre a questão da justiça, nem sobre a questão do direito, e não há ninguém que castigue os agressores. Acreditem: - quando é demais, é demais!” “Não há consciência humana que possa aceitar esta falta de segurança em Mossul, onde se considera lícito matar inocentes e indefesos! – clama o patriarca. Estamos surpresos pelas razões aduzidas pelos funcionários do governo e do seu fracasso podemos deduzir que se dá uma cumplicidade no processo de esvaziamento da cidade de cristãos, que moram nela há séculos.” “Levantamos nossa voz e nos perguntamos: - se as forças de segurança no Iraque não puderam proteger os cidadãos inocentes e vulneráveis, por que, em nome de Deus, não dão armas aos inocentes para que possam se defender, ao invés de deixar que sejam levados ao matadouro como cordeiros?” “O que está acontecendo em Mossul não pode ser justificado por ninguém, nem por nenhum motivo, nem pelas eleições, nem pelo trabalho, nem pelos conflitos entre partidos.” “Sabe-se que os cristãos iraquianos jamais buscaram o poder, não atacaram ninguém e não se vingaram dos culpados. Será que não chegou a hora de que o seu governo, segundo o Estado de direito, tome medidas enérgicas e castigue os criminosos e seus cúmplices de Mossul?” “Nós percebemos e lhes dizemos com toda clareza que a dor que oprime o coração dos cristãos no Iraque se converterá em raiva fora do Iraque, onde haverá manifestações na frente de todas as embaixadas iraquianas para condenar a insegurança dos cristãos inocentes em Mossul.” O patriarca conclui com estas palavras: - “Confiando em sua sabedoria e imparcialidade, nós lhe agradecemos”. Zenit
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