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BRASIL: 10/02/2010
Ecologia
Cidade da Amazônia poderá sumir do mapa

Altamira, no Pará, é o maior município do Brasil e do mundo em extensão territorial. Tem uma área de 161.584,9 km². Se Altamira fosse um país seria o 91º mais extenso do mundo, maior que a Grécia e o Nepal. Mas tudo isso poderá sumir do mapa em pouco tempo para ceder lugar a uma usina hidrelétrica – a de Belo Monte, no rio Xingu. Na semana passada, o Instituto Nacional do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) expediu licença prévia para a construção da gigantesca obra. O alerta é do bispo prelado da Prelazia Territorial do Xingu, Dom Erwin Kräutler, presidente do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), durante um encontro recente com a direção do IBAMA.

O prelado e as populações da área, particularmente os índios, são contrários à construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. A população atual de Altamira é de pouco mais de 110 mil habitantes. Situado a 740km de Belém (capital do Pará), Altamira tem seu vasto território cortado de norte a sul pelo rio Xingu. Segundo Dom Kräutler, os habitantes de Altamira – os índios, a população ribeirinha – assim como o Parque Indígena do Xingu serão prejudicados com a obra. "Não acredito que seja possível combinar, de um lado, a destruição de significativa de parte do rio Xingu, e de outro, o povo de Altamira e a construção dessa hidrelétrica" – disse o bispo.

Na opinião do bispo, a obra da Usina de Belo Monte propiciará um grande fluxo migratório para a região. Tal situação causará enormes danos àquela área, "uma vez que – argumenta – os municípios da região do Xingu não estão preparados para suportar um aumento populacional de tais dimensões". Dom Erwin Kräutler conta que algumas cidades já começaram a sofrer com o fenômeno. É o caso, segundo ele, da cidade de Anapu, que está recebendo várias famílias, atraídas pela perspectivas de empregos com a construção da hidrelétrica. O bispo anunciou que o CIMI entrará com uma ação, nos próximos dias, questionando a licença prévia expedida pelo IBAMA. Na prática, a licença é a sinalização de que a obra poderá ser construída como deseja o governo federal.

"Há coisas na licença – diz Dom Erwin Kräutler – que não aceitamos e, por isso, vamos utilizar os canais legais da Constituição, entre os quais o Ministério Público, para questionar aquilo com que não concordamos." O IBAMA expediu a licença, mas estabeleceu algumas condições, entre as quais questões relacionadas à qualidade da água, preservação da fauna e da flora, saneamento básico, compensações sociais e recuperação de áreas já degradadas. A Usina de Belo Monte terá capacidade instalada de 11.233 MegaWatts, e contará com dois reservatórios numa área total de 516 km². O presidente do IBAMA, Roberto Messias, garantiu que manterá um diálogo permanente com as comunidades que serão afetadas pela construção da hidrelétrica, mas também deixou evidente que, mesmo com a pressão, o governo Lula não recuará na construção da obra.

CNBB




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