Revista "MUNDO e MISSÃO"

Testemunhos da Vida Missionária

por Rino Benzoni – Superior Geral dos Missionários Xaverianos

UMA OCASIÃO PROPÍCIA

Sabemos que o nome pode ser uma simples maneira habitual para se referir a uma pessoa. Contudo, o nome pode ser algo que define a identidade de um ser humano, diferente de todos os outros: único e original.

Diz o ditado latim: nomen est homen – o nome é o homem. Dessa intuição têm origem duas possíveis atitudes. Poderíamos entender esse evento como um simples aniversário, um fato convencional. Afinal, o que pode mudar neste ano de 2006 em relação aos anos anteriores? Poderia também se transformar numa ocasião propícia para conhecer melhor esta grande pessoa, que marcou a história da missão, da Igreja e da sociedade, não apenas de seu tempo, mas também dos séculos seguintes. Particularmente, pode ser mais uma vez a ocasião para questionar-nos sobre nós mesmos e sobre a missão que nos desafia e nos foi confiada.

XAVIER, MISSIONÁRIO MODELO

Com certeza, os tempos mudaram radicalmente. As motivações que animaram São Francisco Xavier e certas maneiras de fazer missão da sua época, hoje não podem mais ser propostas. Contudo, não mudou a necessidade das pessoas conhecerem o verdadeiro Deus, como somente Jesus pode nos fazer conhecer. Não mudou a disponibilidade em acolhê-lo, quando Deus Pai é anunciado. Não mudou também o instrumento principal para este anúncio: o testemunho de vida, mais que de palavras. O encontro com Jesus, de fato, mudou profundamente a vida daquele que o anuncia, enchendo-a de significado. Não é por nada que São Francisco Xavier teve que passar, ele também, por uma conversão profunda.

SEU GRANDE ARDOR MISSIONÁRIO

Deveríamos lembrar tudo o que ele fez e padeceu para dilatar o Reino de Deus. Poderíamos dizer com uma expressão, que descreve a característica principal de São Francisco Xavier:

- seu grande ardor missionário. Ainda hoje causa maravilha sua incansável atividade, da maneira com a qual, em onze anos, conseguiu visitar muitos países, com meios de transportes precários e em meio a inúmeros perigos, fundando tantas comunidades cristãs que souberam resistir ao desgaste dos tempos.

Assim Xavier escrevia, depois de uma tempestade em alto mar:

“Pedi a Deus, nosso Senhor, que, se saísse com vida daquela tempestade, fosse somente para poder enfrentar outras tempestades, mais fortes ainda, para o seu maior serviço”. Além desses perigos e fadigas, existiam as desilusões, os entraves, os enganos dos próprios cristãos – os colonos e os mercadores portugueses – com seus maus exemplos. A esse respeito ele denunciava: “É por causa deles que não avançamos”.

NÃO ERA UM AVENTUREIRO!

São Francisco Xavier não era um aventureiro. Não eram as riquezas que procurava e nem o sucesso na vida. Não era impelido pela disposição turística de viajar e nem pelo simples desejo cultural de conhecer outros povos. “Viver sem alegrar-se de Deus não seria uma vida, mas uma morte contínua”, afirmou em uma de suas cartas. O que sustentava sua atividade missionária era o amor de Deus, percebido e cultivado.

Uma testemunha o descreveu assim:

“Durante o dia pertencia inteiramente aos homens. À noite pertencia inteiramente a Deus”. Mais uma vez, também para o missionário, aparece clara a lei fundamental da vida cristã: não se pode amar totalmente os homens, os pobres especialmente, se esse amor não é alimentado e sustentado pelo amor de Deus. A influência positiva que São Francisco Xavier teve nos países onde viveu e trabalhou foi imensa. Durante séculos, seu testemunho atraiu muitas pessoas a imitar seu exemplo, dedicando toda a vida à pregação do Evangelho aos povos. A relevância de sua atividade foi reconhecida não só pela Igreja, mas também pela sociedade civil.

FRANCISCO XAVIER E CONFORTI

Nós, xaverianos, nos perguntamos: por que o nosso fundador, Dom Guido Maria Conforti, em 1895, quis nos dar este nome e não outro? Por que não quis que nos chamássemos “confortinos”, perpetuando dessa maneira o nome dele, como aconteceu com muitos institutos religiosos e missionários? Ele quis que nos chamássemos “Pia Sociedade de São Francisco Xavier”, o que mais tarde se tornou “Missionários Xaverianos”.

Dom Guido Maria Conforti assim escrevia nas constituições que nos deixou no mesmo ano de sua morte (1931):

- nossa congregação “toma o nome e inspiração do glorioso apóstolo das Índias”. Poucas palavras, segundo a linguagem em uso na época para as constituições. Para nós, xaverianos, são palavras importantes. Num outro trecho do documento, ele convida os missionários a terem “uma especial devoção por São Francisco Xavier e pelos Apóstolos, que tanto trabalharam e sofreram pela dilatação do Reino de Deus; e os considerem como notáveis modelos a serem imitados e intercessores poderosos diante de Deus”. Inspiração e modelo, portanto.

MISSIONÁRIO VERDADEIRO É O SANTO

Pode-se entender, então, porque o nosso fundador quis nos dar o nome desse santo missionário. Queria nos dizer que, para sermos missionários e missionárias inteiramente dedicados à missão, nós devemos ser inteiramente de Deus.

É o que nos ensinou o papa João Paulo II na encíclica Redemptoris Missio, escrevendo:

- “o verdadeiro missionário é o santo”

É também por isso que o Bem-aventurado Conforti quis seus missionários como “consagrados” na vida religiosa. A missão é uma tarefa tão superior às forças humanas que pode ser somente obra de Deus. Sermos “consagrados” quer dizer isso: colocar-nos totalmente à disposição de Deus, para que Ele aja através de nós.

QUEM FOI FRANCISCO XAVIER

Nasceu num castelo da região da Navarra, na Espanha, em 7 de abril de 1506. Sua família era nobre. Seu pai, querendo fazer do filho um grande senhor, enviou-o a Paris, na França, para estudar na famosa universidade Sorbonne. Ali, encontrou Inácio de Loyola, junto ao qual descobriu que Cristo poderia ser a razão maior de sua vida. Propôs-se a seguí-lo em tudo.

Abandonou a casa, as riquezas, os projetos futuros e, juntamente com o amigo Inácio e mais outros cinco companheiros, deram início à Companhia de Jesus. Em 15 de junho de 1537, foi ordenado sacerdote e, em 15 de março de 1540, partiu de Roma para Lisboa a caminho do Extremo Oriente, iniciando sua heróica aventura missionária, que o levou a pregar o Evangelho na Guiné, Cabo da Boa Esperança, Moçambique, Índia, Malásia, Cingapura, Indonésia.

Tamanha foi sua atividade missionária, que chegou a escrever a Roma: “A multidão dos que se convertem à fé de Cristo, nesta terra onde ando, é tão grande que, muitas vezes, fico com os braços cansados de tanto batizar”. Depois, passou pelo Japão e pela ilha de Sancian, na costa da China, de onde pretendia entrar na imensa China continental. Acometido por forte febre, faleceu em 3 dezembro de 1552.

Contato
Missionário Xaverianos

Rua Gregório Serrão n.º 177 – Vila Mariana
São Paulo - SP - 04106-040
Tel.: (11) 5572-2016 – www.xaverianos.com.br

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