Revista "MUNDO e MISSÃO"
Testemunhos da Vida Missionária
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HPaulo por Costanzo Donegana A intuição fundamental Ele, desde seminarista, com 16 anos, teve a experiência decisiva da sua vida: durante uma adoração eucarística, na noite de 31 de dezembro de 1900, momento de passagem entre dois séculos, foi envolvido por uma luz que se desprendia da hóstia e se sentiu "profundamente comprometido a fazer alguma coisa pelo Senhor e pelas pessoas do novo século". Era o chamado de Deus para uma missão nova. Não perdeu tempo: logo, no seminário e nos primeiros anos de sacerdócio, dedicou-se a estudar a realidade da sociedade civil e da Igreja do seu tempo, detectando os novos desafios que se apresentavam à evangelização. Quando, em 1914, o bispo o encarregou da direção do jornal diocesano, pe. Alberione viu nisso um sinal de Deus para começar sua missão de pregar o Evangelho a todos os povos, segundo o espírito do apóstolo Paulo, usando os modernos meios de comunicação. "Se as pessoas não vão mais à igreja, devemos ir encontrá-las onde estão: nas casas, nos lugares de trabalho e de lazer, nos hospitais e até nas prisões", afirmava. Pensou em colaboradores, mas tinha a convicção de que essa obra não podia ser realizada por "funcionários", e sim por pessoas consagradas, porque, dizia, "as obras de Deus se edificam mediante as pessoas que são de Deus". Por isso, em 20 de agosto do mesmo ano, fundou a Pia Sociedade de São Paulo, composta de sacerdotes e irmãos leigos dedicados totalmente à difusão da mensagem evangélica pelos meios de comunicação social. Era a primeira expressão da Família Paulina que, no curso do tempo, a criatividade apostólica de pe. Tiago Alberione faria crescer com mais nove fundações. Assim, no ano seguinte, com a colaboração de uma moça de 20 anos, Tecla Merlo, deu início à congregação das Filhas de São Paulo; depois vieram as outras congregações, institutos de vida secular consagrada e os Cooperadores Paulinos (ver quadro). Todos os meios de comunicação Começou com a imprensa: livros e revistas que, nos primeiros tempos, eram vendidos de casa em casa, sobretudo pelas irmãs, abertura de gráficas cada vez mais aprimoradas conforme as técnicas modernas. Em primeiro lugar colocava a difusão da Palavra de Deus, para que chegasse às mãos do povo, e também nisso foi um precursor, porque, no início do século 20, praticamente só os sacerdotes e religiosos tinham acesso à Bíblia. A revista que mais caracterizou o apostolado paulino e que teve a maior difusão foi a Família Cristã (fundada em 1931), cuja edição semanal italiana iria se tornar o maior semanário naquela língua, com mais de um milhão de exemplares. Como revista mensal, Família Cristã atualmente é difundida em vários países e línguas; no Brasil, foi fundada em 1934, somente dois anos depois da chegada das Filhas de São Paulo ao nosso país. Mas pe. Alberione não se limitou à imprensa: via todos os meios de comunicação como canais para levar o Evangelho ao mundo e lançou seus filhos e filhas na aventura de utilizá-los com coragem e criatividade. Ele dizia: "A máquina, o microfone, a TV são, para nós, púlpitos; a gráfica, o estúdio, a sala de produção, de projeção, de transmissão são, para nós, igrejas". Pe. Tiago Alberione quis que sua família fosse "paulina", apontando no grande apóstolo o modelo para realizar o seu carisma: viver Jesus Mestre, Caminho Verdade e Vida. Seu contato com as cartas de São Paulo era contínuo e intenso e constituíam o alimento de sua paixão apostólica, sobretudo na dimensão da universalidade. "Os vossos confins são os confins do mundo", dizia aos seus filhos e filhas, explicando que seu chamado era para levar a mensagem de salvação de Cristo a todos, diferentemente de outras congregações e institutos que, geralmente, têm uma categoria particular de pessoas como objeto do seu carisma. Com essa abertura, insistia: "Impregnar de Evangelho todo saber e o pensamento humano: não falar somente de religião, mas tratar todos os assuntos de forma cristã". Por isso, lançou a Família Paulina no meio do mundo, sem medo, na imitação da vida pública de Jesus, assumindo como lema as palavras de Paulo: "Lanço-me para frente". Junto com o espírito "paulino", outra característica da espiritualidade de pe. Alberione foi o amor pela Eucaristia. Desde a adoração em que recebeu a inspiração fundamental de sua vida, ele sempre orientou e fez derivar tudo do tabernáculo. Uma intuição de pe. Alberione foi a valorização da mulher na obra do apostolado, idéia que elaborou durante as experiências pastorais dos primeiros anos de sacerdócio e apresentou num livro, "A mulher associada ao zelo sacerdotal". Ele estava convencido de que "a mulher adquirisse plena consciência de suas possibilidades e tivesse uma formação adequada a suas tarefas", como testemunha ir. Lorenzina Guidetti. Isso aparece evidente na ação das paulinas das diferentes congregações, que assumiram desde o início atividades e responsabilidades geralmente reservadas aos homens (sobretudo no século passado), com especializações nas várias técnicas dos meios de comunicação, do mercado, do gerenciamento das empresas. Uma hora antes da morte de pe. Alberione (26 de novembro de 1971), Paulo VI o visitou. Em 1969, numa audiência concedida à Família Paulina, o mesmo papa havia afirmado que ele tinha dado à Igreja "novos instrumentos para manifestar-se, novos meios para dar vigor e amplitude ao seu apostolado, nova consciência da validade e da possibilidade da sua missão no mundo moderno e com os meios modernos". A beatificação por parte de João Paulo II, no dia 23 de abril deste ano, é um apelo aos cristãos para que, olhando para pe. Alberione, falem o Evangelho com os idiomas do nosso tempo. A FAMÍLIA PAULINA CONGREGAÇÕES:
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