Revista "MUNDO e MISSÃO"
Testemunhos da Vida Missionária
Este mês, tempo que a Igreja reservou para uma reflexão mais profunda sobre a missão universal, entrevistamos o Pe. Paulo De Coppi – P.I.M.E., diretor do Jornal MISSÃO JOVEM e coordenador da Animação Missionária na Arquidiocese de Florianópolis, Santa Catarina
Pe. Paulo, quando foi que o senhor começou a se envolver com a animação missionária?
Quando e por que nasceu o Serviço de Animação Missionária na Igreja? – A pastoral não tem ainda uma história longa. Praticamente nasceu com o Vaticano II, quando os bispos reunidos se deram conta que as comunidades cristãs, diante do boom econômico e da modernização, estavam esfriando na fé, nas tradições e, como conseqüência, perdendo seu entusiasmo missionário, a ponto de questionarem a própria validade da atividade missionária entre os não-cristãos. Neste novo clima, os padres conciliares, no documento “ad gentes”, afirmaram com força que “a Igreja é por sua natureza missionária”. Foi para reanimar o ardor missionário nos cristãos e nas comunidades, sobretudo da Europa, protagonistas do envio de milhares de missionários para a evangelização do mundo não-cristão, que nasceram os Centros de Animação Missionária, entre nós os COMIDIs, em sua maioria impulsionados por missionários com longa experiência em outros continentes. Somente o testemunho e o entusiasmo destes homens e mulheres podiam ressuscitar o ardor missionário tão essencial na vida da Igreja. Quais os maiores obstáculos que o animador missionário ad gentes encontra?
Contudo, não podemos negar que, nos últimos anos, pelos grandes eventos de caráter missionário como os COMLA’s (Congressos Missionários Latino-americanos) e, em seguida, os CAM’s (Congressos Missionários Americanos), como pelo devotamento de uns apaixonados pela causa missionária, grandes passos foram dados. Já existem boas estruturas missionárias nos três níveis: nacional, regional e diocesano. Muitas congregações já possuem comunidades trabalhando em áreas carentes do Brasil e além-fronteiras. Os regionais da CNBB também já enviaram missionários para Angola, Moçambique e Timor Leste. Sem dúvida, isso é fruto de um longo trabalho de Animação Missionária. Quais são as realidades onde mais aparecem os resultados de uma boa Animação Missionária?
– Constata-se uma progressiva mudança de mentalidade nos bispos, sacerdotes, religiosas e lideranças em geral quanto a uma visão de Igreja mais aberta, universal. Fortificou-se a consciência da responsabilidade que cada Igreja tem com a Evangelização do mundo. Constatou-se também o crescente número de cristãos que desejam realizar uma experiência missionária em outros continentes. Na Arquidiocese de Florianópolis, por exemplo, diversas pessoas, até aposentadas, com boa experiência profissional, pastoral e com certa independência econômica, exercem atividades missionárias em regiões carentes do Brasil. Seus exemplos contagiam outros, que já pensam em seguir o mesmo caminho. Todo ano, em julho, 45 missionários da arquidiocese, sacerdotes, diáconos, religiosos e leigos, realizam uma Missão Popular na Igreja irmã da Barra, BA. Numerosos são os que desejam participar novamente desta missão. E como vem se desenvolvendo a Infância Missionária (IM)? – É mais uma promissora realidade que se espalha rapidamente pelo Brasil. Seu lema diz tudo: “IM é crianças ajudando e evangelizando crianças”. Isso é o que se propõe a elas. A metodologia é ótima, pois envolve a pessoa toda: mente, coração, braços e pernas (reflexão, espiritualidade e ação). Na Arquidiocese de Florianópolis, acabamos de realizar o IX Congresso da Infância Missionária. É ver para crer: está nascendo uma garotada maravilhosa, entusiasta, de mente e coração abertos aos problemas do mundo e à necessidade de anunciar o Evangelho. Não há dúvida: desses grupos nascerão boas lideranças e missionários para o mundo. O mesmo podemos afirmar dos Adolescentes Missionários, sempre que forem acompanhados por assessores devotados e devidamente preparados. De tudo o que o senhor realizou neste campo, quais as experiências mais gratificantes?
Uma mensagem final. – “Não podemos calar o que vimos e ouvimos” (At. 4,20). A vocação missionária nos desafia a avançar para águas mais profundas. Inquieta-me ver muitos cristãos, e até consagrados, fecharem-se sobre “sua vida privada” e não viverem sua catolicidade. Reanimemos os nossos cristãos e as comunidades para que reassumam aquele ardor missionário que impulsionou os primeiros cristãos. Não se trata de fanatismo, mas daquele entusiasmo que prova a existência de uma fé viva e consciente de sua responsabilidade de passar adiante a Boa Nova do Salvador. Muitos e muitas esperam por nós. |
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