Revista "MUNDO e MISSÃO"

Testemunhos da Vida Missionária

m 1945, surgia, em Parma, a Sociedade Missionária de Maria, uma congregação missionária inserida na Família Xaveriana, que teve em Monsenhor Conforti seu Fundador iluminado e profético.

Duas são as datas importantes da Congregação:

- 24 de maio de 1944, quando Celestina Bottego pronunciava seu “sim” para colaborar com o xaveriano Pe. Giacomo Spagnolo na fundação da Sociedade Missionária de Maria; e 19 de julho de 1945, quando a Congregação teve seu início efetivo com a chegada da primeira irmã à Villa Bottego.

Estabelecendo suas bases nas palavras de Jesus:

“Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles”, constituía-se o primeiro núcleo de comunidade Xaveriana feminina. Começava, assim, a atuação do projeto tão desejado pelo Fundador dos Xaverianos; projeto que não lhe fora possível realizar em vida.

Fiéis ao espírito e ao ideal xaveriano, Padre Giacomo e madre Celestina quiseram uma congregação exclusivamente missionária que cumprisse a ordem de Jesus:

“Ide por todo o mundo...”.

As Missionárias de Maria – Xaverianas estão hoje presentes em várias partes do mundo:

Itália, Estados Unidos, Brasil, Japão, Congo, Burundi, México, Chade, Camarões e Tailândia. Empenhadas na evangelização, em atividades de catequese, de animação sanitária e promoção integral (sobretudo da mulher), espalharam-se em pequenas comunidades, por vezes em ambientes de grande pobreza ou em situações de exasperantes contrastes sociais. Elas visam corresponder às expectativas profundas das pessoas entre as quais vivem, partilhando com elas o caminho, os sofrimentos, as esperanças, os anseios das Igrejas locais.

Inspiram-se em Maria, principalmente no mistério da Visitação, encontrando nela o modelo de suas atitudes interiores, andando, como ela fez, pelas estradas do mundo, para que todos os povos possam conhecer o projeto de amor do Pai e sentir-se irmãos em Cristo. Não usam hábito, porque querem favorecer os contatos inspirados à familiaridade. “O vosso hábito seja a caridade”, dizia com freqüência Pe. Spagnolo.

Em seu desenvolvimento, a Família enriqueceu-se com irmãs de outras nacionalidades:

- brasileiras, japonesas, mexicanas, de vários países africanos. Estas aceitaram partilhar a mesma aventura missionária, em nome da comunhão entre as Igrejas que, por um dom do Espírito, revela ao mundo de hoje uma nova face da missão. Formaram-se, assim, pequenas comunidades internacionais, sinal visível do único povo que Deus ama e chama à salvação e ao anúncio.

“Tudo”

Na Páscoa de 1944, padre Giacomo enviou à professora Celestina um cartão significativo, com a reprodução do Cristo Crucificado de Velázquez.

No cartão escreveu apenas uma palavra: “TUDO”. Aquela palavra, sem comentário algum, tocou profundamente Celestina e não a deixou em paz.

No diário do sacerdote, do dia 24 de maio de 1944, lê-se: “Esta tarde, saindo da capela, vi a senhorita... disse-me que, depois da decisão tomada a respeito da Obra, não ficou tranqüila,... que a imagem do Crucificado, que eu lhe enviara por ocasião da Páscoa, com a inscrição ‘TUDO’, a tinha tocado mais ainda. Manifestei-lhe a minha intenção de procurar seguir unicamente a vontade de Jesus, esperando sempre d’Ele o sinal para agir... ”.

No fim da página, Pe. Giacomo escreveu: “Hoje a Congregação ganhou a sua Fundadora que ao Senhor pronunciou o seu FIAT”. De vez em quando o padre, expressando-se sobre aquele fato que originou a Congregação, voltava a nos lembrar: “Vocês são filhas daquele pensamento de totalidade, pois vivam-no!!!”.

Nossa presença no Brasil

No dia 20 de maio de 1957, três irmãs:

Gianna Lingiardi, Elisa Caspani e Anna Chiletti, acompanhadas pela Madre Celestina Bottego, embarcaram no porto de Gênova, na Itália, rumo ao Brasil, para iniciar a primeira comunidade das Missionárias de Maria – Xaverianas na América Latina. No quarto dia de viagem, “24 de maio”, o pequeno grupo recebeu um telegrama do fundador, pe. Giacomo Spagnolo, congratulando-se pelo aniversário do “SIM” dado pela Madre.

Numa carta à Madre, ele assim escreveu:

“O dia 24 de maio não poderia ser melhor festejado do que num navio...”. Após terem passado um tempo em São Paulo, para o estudo da língua, as irmãs se transferiram ao Paraná. Uma viagem de dois dias, feita de trem, levou-as à cidade de Apucarana, localidade a elas designada por Dom Geraldo Fernandes, bispo de Londrina, que as acolheu com carinho de pai. No dia 21 de janeiro de 1958 chegava ao Brasil outro grupo e, em agosto do mesmo ano, desembarcou o terceiro grupo, com 8 irmãs. Com este número, foi possível a abertura de uma nova comunidade em Londrina, na Vila Casoni, na época, periferia da cidade.

Seja em Apucarana, como em Londrina, as irmãs se dedicaram ao serviço da evangelização, da catequese e das pastorais sociais. Deram também início a duas creches para atendimento de crianças carentes. 1960 foi um ano importante para as Missionárias de Maria, pois jovens brasileiras manifestavam o desejo de ser missionárias. Encorajadas e apoiadas pelo fundador que, na época, encontrava-se no Brasil, as missionárias adquiriram um terreno na periferia de Jaguapitã – PR, onde foi construída a casa de formação.

Com a presença das primeiras irmãs brasileiras, foi possível abrir uma comunidade das Missionárias de Maria – Xaverianas na Prelazia de Abaetetuba, no estado do Pará, em 1996, onde já trabalhavam os padres Xaverianos. A partir daquele momento, as missionárias marcaram a presença no sul do Brasil, nas cidades de Apucarana, Jaguapitã, Londrina, Curitiba, Santa Mariana, além da cidade de São Paulo. No norte do Brasil, elas se encontram em Abaetetuba, Belém e Barcarena. Com o mudar dos tempos e, conseqüentemente, das situações, foi preciso fechar algumas comunidades para dar maior presença nas periferias das grandes cidades.



Celestina Bottego e Giacomo Spagnolo

Tereis observado certas plantas de tronco majestoso, que não crescem como outras, finas, retas e altas, mas que, além da altura, aumentam em diâmetro e produzem os primeiros ramos, também grossos e robustos, que, por sua vez, produzem outros ramos? Um ramo pode chegar a atingir a consistência de uma planta robusta e fecunda, mas quem a sustenta e alimenta... é o tronco.

Sou levado a pensar neste simbolismo todas as vezes que reflito sobre a figura de dom Conforti, personalidade poliédrica e equilibrada, que, com o passar do tempo, ao longo da história, se delineia de forma sempre mais nítida, no seu valor e na sua grandeza. Não podia faltar à sua glória a realização de um projeto que a morte lhe fez deixar incompleto, mas que o mérito da santidade lhe realiza cotidianamente do Céu: a fundação e o desenvolvimento de uma Congregação Missionária Feminina, ramo do seu Instituto Missionário.

Pe Giacomo Spagnolo, s.x.

Missionário Xaverianos
Rua Gregório Serrão n.º 177 – Vila Mariana
São Paulo - SP - 04106-040
Tel.: (11) 5572.2016
SITE: www.xaverianos.com.br

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