Revista "MUNDO e MISSÃO"
Testemunhos da Vida Missionária
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Francesca Sigismondi
Hoje escolho uma dessas tantas pedrinhas, a mãe Teresina, e quero apresentá-la através do olhar de minha avó Ginetta, que, a seu respeito, assim se refere: “Quando a menininha nasceu, os pais se desiludiram: como era feia!”. Uma vez crescida, Teresina foi uma demonstração de que a mãe natureza comportou-se, exteriormente, como sua inimiga. Seu corpo não passou de um metro e trinta e cinco centímetros, as pernas eram tortas e suas respostas pareciam grosseiras, de tão enérgica que ela era. Quando cantava, porém, durante as cerimônias religiosas na Igreja de Nossa Senhoras das Graças, em Brescia, a voz se elevava límpida e bela. Seus olhos negros eram vivos e espertos e, quando participava de algum grupo, sua alegria contagiava: - era extrovertida e inteligente. A pobreza jamais lhe pesava, porque ela tinha uma vontade imensa de trabalhar; suas mãos conseguiam fazer qualquer serviço, especialmente bordado e, na frente do fogão, ninguém conseguia superá-la como cozinheira. Quando atingiu a idade em que toda mulher sonha em ser mãe, ela almejava, se estivesse casada, um filho sacerdote missionário. Mas nunca se casou. Um dia, apresentaram-lhe o Pe. Mauro Mezzadonna, que lhe falou de um grupo de madrinhas e padrinhos do seminário teológico do PIME. Ela ficou, então, tão entusiasmada que pediu ao padre que também lhe confiasse um diácono. Sua insistência foi tamanha que Pe. Mauro lhe apresentou o então diácono Gabriel Modica. Ela se tornou a madrinha de Gabriel, assistiu feliz sua primeira Missa, e chorou quando ele partiu, como missionário, para a Amazônia. Essa madrinha, tão pequena em estatura, foi o “pára-raios” do seu missionário, segundo a confirmação dele mesmo. Tanto o ajudava, quanto rezava por ele! Depois de passar a vida como empregada de uma nobre família bresciana, ao se aposentar, ofereceu-se voluntária como vigilante da catedral de Brescia, mantendo também em ordem os paramentos sagrados enquanto rezava continuamente pelo seu missionário. Era uma mulher sempre ativa, ajudava quem a procurava e fazia qualquer sacrifício, oferecendo-o a Deus para que, em troca, concedesse a seu missionário a força para superar obstáculos e seguir o caminho de sua vocação. Apesar de receber uma aposentadoria miserável, fazia uma rigorosa economia, que enviava ao Brasil, em forma de auxílio financeiro ao seu afilhado. Tão logo faleceu a mãe natural de Gabriel, Teresina assumiu-o como filho. Assim, quando o missionário retornava à Itália, em férias, procurava-a imediatamente e ela fazia tudo o que a mãe natural dele lhe preparava, da maneira como ele gostava. Ela viveu até aos cem anos e, enquanto ainda lhe restava um pingo de forças, continuava a economizar, a ajudar e, principalmente, a rezar pelo Pe. Gabriel. Suportava tudo e tudo perdoava para continuar a ser o
“pára-raios” do seu “filho”, do seu modo,
quando, já meio cega e doente, foi recolhida a uma casa de repouso.
Passava o dia em uma cadeira de rodas, com o rosário entre os dedos
a rezar pelo “filho” distante. Compareceram seis pessoas ao
seu enterro, entre os quais um jovem missionário do PIME,
que representava o Pe. Gabriel: era o Pe. Davide Simionato,
sacerdote recém-ordenado, naquela época. O bem não
faz barulho, mas quanta alegria suscitou no céu a chegada |
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