Revista "MUNDO e MISSÃO"
Testemunhos da Vida Missionária
Sacerdote e No início de sua missão, havia certa desconfiança em relação a esse estrangeiro, solteiro, que falava um japonês bastante fluente, atuando num trabalho manual pouco remunerado e que se declarava padre católico. Aliás, para que as pessoas captassem melhor o valor de sua vida consagrada, se definia "monge", mas muito diferente dos monges locais, budistas ou xintoístas. Ele e os três membros da Mopp viviam numa casa simples, das muitas que existem no Japão, como operários comuns, com a mesma situação de salários e dificuldades em que viviam os operários japoneses. Sua presença suscitava uma série de perguntas, como sua origem, o porquê de sua presença, se tinha família e esposa. Para os japoneses, ser celibatário e não poder transmitir sua vida e seus valores aos descendentes é muito estranho e até contrário a sua cultura xintoísta. Ao longo dos anos, porém, criou-se uma amizade entre ele e os colegas operários, mas não houve conversões para o catolicismo. Um fato, porém, marcou a sua vida, o que justifica sua presença nesse mundo difícil e que, aos olhos humanos, poderia parecer loucura: ficar anos sem conseguir nenhuma conversão. Antes de voltar para a Suíça, no primeiro dia do ano japonês, seu patrão o presenteou com um cartaz com uma oração xintoísta, pedindo que o colocasse na capela da casa e rezasse aquela oração para ele. Na volta ao trabalho, após o feriado, pe. Philippe levou ao patrão um santinho de Nossa Senhora com Jesus e perguntou-lhe se conhecia aquelas imagens. O patrão respondeu que eram Maria e Jesus, dos católicos. Philippe, então, pediu-lhe que rezasse para ele, quando fosse embora, e o patrão colocou o santinho sobre a mesa e lhe pediu que continuasse como "monge" no novo ministério na Suíça e agradeceu os 15 anos de fidelidade no trabalho em sua fábrica. Na fábrica, pe. Philippe viveu as mesmas situações dos outros colegas, mas o amor, a amizade e a solidariedade que demonstrava, sem querer converter ninguém, suscitou neles admiração e estima, e perceberam que, atrás daquele operário-"monge", havia outros valores mais profundos. A Mopp no Brasil No dia 21 de abril, na presença do responsável geral da Missão Operária São Pedro e São Paulo (Mopp), Renato Ribeiro, 33 anos, de Contagem - MG, pedreiro, engajou-se definitivamente na instituição. Renato, agora, irá terminar seus estudos teológicos em Curitiba para iniciar sua missão de evangelizador no mundo operário. A Mopp conta já com alguns membros brasileiros, como Fabiano Rinaldi, técnico em siderurgia, Jean Carlos de Souza, técnico em informática, e outros estudantes de teologia em Curitiba ou em outras casas da Missão Operária no mundo. No Brasil, já houve experiências da Mopp em Salvador, Contagem, Osasco, Barueri, Joinville e Curitiba.
Agora está se organizando para oferecer aos candidatos que gostariam de se engajar nesse tipo de evangelização, uma preparação mais apurada e um período de amadurecimento de alguns meses, que se realiza em três estágios; estudo, conhecimento da instituição e aprofundamento espiritual. A casa de formação está situada em Curitiba, onde os aspirantes, que devem estar na faixa etária de 20/30 anos, terão experiência de trabalho, convivência fraterna, oração e formação, inserindo-se também na periferia da cidade. A Mopp está também suscitando uma associação de amigos e de famílias ligadas a ela, para responder e colaborar com os que trabalham diretamente na evangelização operária. A Mopp hoje Antes do trabalho, fazem suas orações em comum, celebram a missa, se são padres, e semanalmente, fazem uma revisão de vida. No começo, na época de sua fundação (1940) em Marselha, pelo advogado, sacerdote e operário do porto, Jacques Loew, a Mopp atuava no meio de trabalhadores imbuídos da ideologia marxista, revoltados diante das situações desumanas do trabalho. Hoje, a realidade operária mudou e a Missão escolheu outras situações: evangelizar os imigrantes e atuar em terra de missão, onde Cristo e seu Evangelho ainda não penetraram. "Antes de evangelizar pessoas", esclarece pe. Nico, ex-responsável geral da Mopp, "é preciso conquistá-las, pois já têm uma série de dificuldades: às vezes, são mal-pagas e desconfiadas. O primeiro passo dos evangelizadores, portanto, é conquistar a amizade dentro e fora das fábricas, antes de anunciar-lhes o Evangelho. Depois de tê-la conquistada, aí pode se iniciar um contato mais evangelizador. O importante é criar uma acolhida amigável na cultura cristã e, somente quando assumem profundamente o cristianismo, então podem ser batizadas". O trabalho é longo, mas característico da Mopp: se a conversão acontecer, deve ser profunda e sincera. Missão Operária São Pedro e São Paulo Rua Aristides de Oliveira
Furmann n.º 244 |
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