Revista "MUNDO e MISSÃO"

Testemunhos da Vida Missionária


Pe. Philippe Hennebic (terceiro da esquerda para a direita) com irmão Renato ao centro

Sacerdote e
operário
uma experiência
no Japão

e. Philippe Hennebic atual responsável geral da Mopp (Missão Operária São Pedro e São Paulo), entrou no seminário em 1971, para ser sacerdote diocesano, mas descobriu essa instituição religiosa e passou para ela . Deixou sua carreira de professor, para ser operário eletrotécnico de manutenção. Em 1975, ainda diácono, foi enviado para o Japão, onde trabalhou numa fábrica como eletricista. Em 1981, foi ordenado sacerdote em Kawaguchi, continuando sua vida de operário até que, em 1997, foi chamado para assumir a formação dos aspirantes sacerdotes operários na Suíça e, em 2001, foi eleito responsável geral da Mopp.

No início de sua missão, havia certa desconfiança em relação a esse estrangeiro, solteiro, que falava um japonês bastante fluente, atuando num trabalho manual pouco remunerado e que se declarava padre católico. Aliás, para que as pessoas captassem melhor o valor de sua vida consagrada, se definia "monge", mas muito diferente dos monges locais, budistas ou xintoístas. Ele e os três membros da Mopp viviam numa casa simples, das muitas que existem no Japão, como operários comuns, com a mesma situação de salários e dificuldades em que viviam os operários japoneses. Sua presença suscitava uma série de perguntas, como sua origem, o porquê de sua presença, se tinha família e esposa.

Para os japoneses, ser celibatário e não poder transmitir sua vida e seus valores aos descendentes é muito estranho e até contrário a sua cultura xintoísta. Ao longo dos anos, porém, criou-se uma amizade entre ele e os colegas operários, mas não houve conversões para o catolicismo. Um fato, porém, marcou a sua vida, o que justifica sua presença nesse mundo difícil e que, aos olhos humanos, poderia parecer loucura: ficar anos sem conseguir nenhuma conversão. Antes de voltar para a Suíça, no primeiro dia do ano japonês, seu patrão o presenteou com um cartaz com uma oração xintoísta, pedindo que o colocasse na capela da casa e rezasse aquela oração para ele.

Na volta ao trabalho, após o feriado, pe. Philippe levou ao patrão um santinho de Nossa Senhora com Jesus e perguntou-lhe se conhecia aquelas imagens. O patrão respondeu que eram Maria e Jesus, dos católicos. Philippe, então, pediu-lhe que rezasse para ele, quando fosse embora, e o patrão colocou o santinho sobre a mesa e lhe pediu que continuasse como "monge" no novo ministério na Suíça e agradeceu os 15 anos de fidelidade no trabalho em sua fábrica. Na fábrica, pe. Philippe viveu as mesmas situações dos outros colegas, mas o amor, a amizade e a solidariedade que demonstrava, sem querer converter ninguém, suscitou neles admiração e estima, e perceberam que, atrás daquele operário-"monge", havia outros valores mais profundos.

A Mopp no Brasil

No dia 21 de abril, na presença do responsável geral da Missão Operária São Pedro e São Paulo (Mopp), Renato Ribeiro, 33 anos, de Contagem - MG, pedreiro, engajou-se definitivamente na instituição. Renato, agora, irá terminar seus estudos teológicos em Curitiba para iniciar sua missão de evangelizador no mundo operário. A Mopp conta já com alguns membros brasileiros, como Fabiano Rinaldi, técnico em siderurgia, Jean Carlos de Souza, técnico em informática, e outros estudantes de teologia em Curitiba ou em outras casas da Missão Operária no mundo. No Brasil, já houve experiências da Mopp em Salvador, Contagem, Osasco, Barueri, Joinville e Curitiba.


Primeira capela, Cristo Ressuscitado, em Osasco, Vila Yoland, lugar onde a Mopp iniciou sua caminhada no Brasil

Agora está se organizando para oferecer aos candidatos que gostariam de se engajar nesse tipo de evangelização, uma preparação mais apurada e um período de amadurecimento de alguns meses, que se realiza em três estágios; estudo, conhecimento da instituição e aprofundamento espiritual.

A casa de formação está situada em Curitiba, onde os aspirantes, que devem estar na faixa etária de 20/30 anos, terão experiência de trabalho, convivência fraterna, oração e formação, inserindo-se também na periferia da cidade. A Mopp está também suscitando uma associação de amigos e de famílias ligadas a ela, para responder e colaborar com os que trabalham diretamente na evangelização operária.

A Mopp hoje

Missão Operária tem como intuito evangelizar o mundo operário, vivendo dentro dele. O instituto não possui propriedades, a não ser algumas casas de formação, tem um responsável geral e quatro conselheiros, aceita sacerdotes e não sacerdotes que devem trabalhar nas fábricas como operários, lado a lado, nas mesmas situações dos outros operários. Faz parte de seu currículo formativo, a aprendizagem de uma profissão, por um mínimo de dois anos, numa fábrica. A profissão deve ser naturalmente de operário e não de livre profissional ou dirigente, porque a Mopp escolheu viver a fundo a realidade operária. Seus membros vivem em pequenas comunidades em casas alugadas, põem em comum o salário que ganham e cuidam de todos os afazeres domésticos.

Antes do trabalho, fazem suas orações em comum, celebram a missa, se são padres, e semanalmente, fazem uma revisão de vida. No começo, na época de sua fundação (1940) em Marselha, pelo advogado, sacerdote e operário do porto, Jacques Loew, a Mopp atuava no meio de trabalhadores imbuídos da ideologia marxista, revoltados diante das situações desumanas do trabalho. Hoje, a realidade operária mudou e a Missão escolheu outras situações: evangelizar os imigrantes e atuar em terra de missão, onde Cristo e seu Evangelho ainda não penetraram.

"Antes de evangelizar pessoas", esclarece pe. Nico, ex-responsável geral da Mopp, "é preciso conquistá-las, pois já têm uma série de dificuldades: às vezes, são mal-pagas e desconfiadas. O primeiro passo dos evangelizadores, portanto, é conquistar a amizade dentro e fora das fábricas, antes de anunciar-lhes o Evangelho. Depois de tê-la conquistada, aí pode se iniciar um contato mais evangelizador. O importante é criar uma acolhida amigável na cultura cristã e, somente quando assumem profundamente o cristianismo, então podem ser batizadas". O trabalho é longo, mas característico da Mopp: se a conversão acontecer, deve ser profunda e sincera.

Missão Operária São Pedro e São Paulo

Rua Aristides de Oliveira Furmann n.º 244
CURITIBA - PR- 81.880-420
Tel.: 0XX 41 349-1218
E-mail: renatomopp@ig.com.br

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