Revista "MUNDO e MISSÃO"
Testemunhos da Vida Missionária
|
por Hélio Pedroso
Esta falta de água decorre das secas que castigam o país, mas, em boa parte, também de uma política social que pouco se interessa pelas populações pobres. É um círculo vicioso: faltam chuvas, mas o país é rico de água. Faltam investimentos, uma política de saneamento, de abastecimento e social, e as freqüentes guerras transformaram longas faixas de terra em solo árido. A fome, pelas denúncias de observadores internacionais, é mais uma política e um dos pesos para manter o equilíbrio étnico. Isto é, "a fome é um instrumento de poder local" diz Andréa Cairola do "Voluntários do desenvolvimento".
As ajudas internacionais que somam cerca de um bilhão de dólares, como em outros países, se perdem no intricado labirinto burocrático, mas as Ongs presentes na Etiópia, que estão a par da situação e da corrupção, se querem continuar seu trabalho humanitário, devem fazer de conta que nada vêem, nada escutam e nada podem dizer, com medo de retaliações. Um país pobre e faminto, mais pelo jogo de poder interno que por catástrofes naturais. O governo federal é liderado por tigrinos, a mais poderosa das 80 etnias presentes na Etiópia e ocupa a maioria dos altos cargos do exército que se torna, assim, um instrumento de repressão contra as revoltas populares que pedem alimento, trabalho e mais democracia. Parece que, nos governos periféricos, liderados por outras etnias, seja válido o ditado "quanto pior melhor", para que o povo se revolte contra o governo central. Nessa situação, é o povo que paga com privações e desespero. Dizia uma mulher a um jornalista: "Eu daria até essas últimas roupas que tenho e ficaria nua para conseguir comida para os meus filhos". Quando o Evangelho é progresso Entre os institutos missionários que trabalham na Etiópia para amenizar o sofrimento do povo, há também, o das Irmãs Missionárias do Santo Rosário. O trabalho delas é com os pobres, as famílias, os jovens, cuidando, em particular, da saúde. Irmã Maria é parteira na cidade de Wolisso, a 100 quilômetros da capital. Já foi professora do governo, por mais de 17 anos.
Na periferia de Adis Abeba, a capital, vivem irmã Rosa e Elisabeth. Ir. Rosa trabalha com 400 crianças em uma clínica, enquanto ir. Elisabeth atua num programa de desenvolvimento social com mulheres e jovens, favorecendo pequenos créditos que possam gerar atividades lucrativas para as famílias e liberá-las do pesadelo da fome. Sendo o lugar paupérrimo, as irmãs ajudam as crianças até a pagar as taxas escolares, os livros e cadernos para poderem estudar. Outro campo de trabalho é a construção da vida familiar, conscientizando, em particular, as mulheres, as jovens e mães de família para que possam assumir sua independência e fugir da escravidão da miséria que as obriga a se aviltarem para sobreviver. Missionárias do Santo Rosário
A Congregação das Irmãs Missionárias do Santo Rosário foi fundada em 1924, por dom José Shanahan, missionário espiritano na Nigéria, com o intuito de trabalhar com as mulheres negras do país. A partir daquela data, as irmãs se espalharam em vários países da África e no México. A sede geral está em Debelem, na Irlanda, mas existem casas nos Estados Unidos, Escócia, Inglaterra e, recentemente, no Brasil. A principal finalidade continua sendo o trabalho com mulheres pobres que lutam para manter com dignidade suas famílias. Diante, porém, da situação atual, em que a miséria, às vezes, é causada pelo desemprego, o desafio global das irmãs é o trabalho social: estabelecer projetos na situação em que essas mulheres se encontram, caminhar com o povo sofrido, com presos, doentes, aidéticos desamparados, favelados, etc. Para conhecer
a instituição: |
Visite
as outras páginas
[P.I.M.E.] [MUNDO e MISSÃO]
[MISSÃO JOVEM] [P.I.M.E.
- Missio] [Noticias] [Seminários]
[Animação] [Biblioteca]
[Links]